Ibovespa cai com Ata do Copom, dólar abaixo de R$ 5, Senado aprova CSLL e o que mais você precisa saber hoje
Pela primeira vez no ano, o dólar fechou abaixo dos R$ 5,00. Esse “acontecimento” estava sendo ensaiado há alguns dias, com a moeda em forte volatilidade perto da casa dos 5 reais.
Até que enfim aconteceu, graças a uma discordância concretizada na “Super Quarta”, mas que só ficou clara ontem: o BC dos EUA e o BC brasileiro não pretendem lidar com a inflação da mesma forma.
Enquanto nos Estados Unidos, o presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou nesta terça-feira que não tem a menor pressa para aumentar os juros por lá, a Ata do Copom, no Brasil, revelou que nos próximos meses a autoridade monetária irá acelerar a alta da Selic por aqui.
E mais. Lá fora, Powell admitiu a alta da inflação, mas manteve a posição de que ela é temporária e no longo prazo deve voltar para a estabilidade de 2%. Nesse meio tempo, ele afirmou que será revisto o ritmo da compra de títulos.
Já por aqui, o Copom não só deixou claro que a inflação é preocupante, como avisou que a única maneira de controlá-la é subindo os juros até um patamar “neutro”.
Leia também: Ata do Copom indica que comitê considerou acelerar a alta da Selic
Com isso, o Ibovespa não teve um dia bom. Fechou em queda de 0,38%, aos 128.767 pontos. Já o dólar, acentuou a queda e terminou o dia em R$ 4,96.
Em Nova York, a terça terminou em festa, com o Nasdaq renovando a máxima histórica, em alta de 0,79% (14.253,27). As outras bolsas acompanharam de perto o movimento de subida: o Dow Jones subiu 0,20% e o S&P, +0,51%.
O sofrimento do IBOV tem como maior razão a queda em bloco do setor de bancos, que deve diminuir o ritmo de empréstimos com a alta da Selic.
Mas não só isso. Eles também registraram baixa repercutindo a votação do aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) no Senado, além da notícia sobre tributação de dividendos da reforma tributária.
Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu propor a volta da tributação do lucro e dividendos com uma alíquota de 20%.
A alíquota superior aos 15% inicialmente previstos serviria para compensar a perda de arrecadação que o governo terá com o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), de R$ 1,9 mil para R$ 2,4 mil.
Agenda econômica
A quarta-feira, 23, chega com uma agenda econômica esvaziada, somente com a divulgação do IPC-S. Os bancos devem repercutir um pouco mais o aumento da CSLL e a reforma tributária, que deve ser entregue em breve pelo governo.
Enquanto isso, no exterior a agenda conta com uma enxurrada de indicadores de atividades, da Alemanha, Zona do Euro e EUA divulgando os seus PMIs (industrial e de serviços).