Em janeiro deste ano, o volume captado via operações no mercado de capitais somou R$ 15,8 bilhões, uma redução de 26,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o montante levantado havia sido de R$ 21,6 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Apesar da queda, a Anbima aponta que estão em análise ou em andamento operações que podem somar R$ 29 bilhões. “Também voltamos a ter emissão de IPO no mercado de ações, o que não acontecia desde setembro de 2021”, ressalta José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima em nota. “É um indicativo de retomada – ainda que tímida – das operações de renda variável”, complementa.
Em janeiro, o volume de ofertas de ações, considerando IPOs e ofertas subsequentes de empresas já listadas (follow-ons) somou R$ 411 milhões, concentrados em duas operações: o lançamento dos recibos de ações (BDRS, Brazilian Depositary Receipts) da Nu Holding (NUBR33), controladora do Nubank, que movimentou R$ 405,6 milhões, e do follow-on da BR Partners (BRBI11) que levantou R$ 5,7 milhões.
A piora das condições de mercado, que incluem a preocupação com a política monetária nos Estados Unidos, o cenário local com as eleições presidenciais, alta de juros e risco fiscal, levou algumas empresas a desistir de abrir o capital na bolsa. Só neste ano, 13 empresas desistiram de fazer IPO. Há 17 operações de IPOs ainda em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Debêntures e CRAs lideram ofertas em renda fixa
As ofertas de debêntures somaram R$ 7 bilhões em janeiro, um aumento de 75,9% no comparativo com o mesmo período de 2021.
O volume representa metade do total captado no mercado de renda fixa em janeiro, que foi de R$ 14,5 bilhões.
Em relação ao destino dos recursos com as ofertas de debêntures, as operações de capital de giro tornaram-se predominantes (64%), em detrimento das de refinanciamento de passivo (9,9%). Estas últimas foram operações muito utilizadas após o início do ciclo de alta de juros em março do ano passado.
Já entre os instrumentos de securitização, as ofertas de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) tiveram uma alta de 494,5% no volume emitido em janeiro frente ao mesmo período do ano passado, enquanto as captações de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) recuaram 49,72% no período e somaram R$ 638 milhões.
O aumento das emissões de CRA está relacionado ao crescimento das ofertas dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), que movimentaram R$ 675 milhões em janeiro, mais da metade do volume captado por esse produto entre agosto e dezembro de 2021.