Vale (VALE3) e risco de recessão global pesam e Ibovespa fecha em baixa de quase 2%

Com isso, o índice acumula uma queda de 2,46% em julho, enquanto a desvalorização desde o início do ano é de 8,3%

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock

Seguindo a direção das Bolsas internacionais, o Ibovespa teve forte queda no pregão desta quinta-feira (14), com os mercados repercutindo os dados de inflação dos Estados Unidos e os temores de uma recessão global. Internamente, o tombo da Vale (VALE3) também pesou negativamente.

Como resultado, o Ibovespa fechou a sessão em baixa de 1,8%, aos 96.120 pontos, com R$ 19,21 bilhões em volume negociado. O saldo do índice no mês de julho, então, passou para queda de 2,46%, enquanto a desvalorização acumulada desde o início do ano agora soma 8,3%.

O dia não foi diferente no exterior. Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 0,3%, o Dow Jones recuou 0,46% e o Nasdaq subiu 0,03%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou em queda de 1,66%.

EUA e Europa assustam

Os investidores continuaram repercutindo os dados de inflação dos Estados Unidos, divulgados na quarta-feira (13), que acirram as expectativas em relação ao aperto monetário pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

Ontem, a secretaria de estatísticas trabalhistas do país divulgou que o CPI (índice de preços ao consumidor) de junho avançou 1,3%, acima do esperado pelo mercado. Hoje, foi a vez do PPI (índice de preços ao produtor), que mostrou aumento de 1,1%, um quadro também pior do que o projetado.

Após a divulgação, 80% dos investidores já precificavam um aumento maior de juros, de 1 ponto percentual, na próxima reunião do Fed, que acontece no final deste mês.

Na manhã desta quinta, ainda, saíram os primeiros balanços financeiros de grandes bancos americanos para o segundo trimestre de 2022, e os investidores não gostaram do que viram: os primeiros sinais do que uma provável recessão nos EUA pode fazer com os resultados corporativos.

Como se não bastasse, a Comissão Europeia informou que subiu de forma significativa suas projeções para a inflação da Zona do Euro, ao mesmo tempo em que elevou sua expectativa para a inflação do bloco comercial em meio ao conflito sem data para acabar entre a Rússia e a Ucrânia. Como resultado, o PIB da Europa deve crescer menos do que era esperado.

Vale despenca

A preocupação sobre uma recessão global pressionou as commodities, que também são ameaçadas pelos temores persistentes de novas medidas de bloqueio para combater a disseminação da Covid-19 na China.

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Como fator adicional, os EUA defenderam a possibilidade de países que assumiram o compromisso de banir as compras de petróleo da Rússia voltarem a comprar o produto russo. Com isso, o Brent fechou em baixa de 0,47%, a US$ 99,10 por barril, levando consigo as empresas do setor.

No fechamento, a PetroRio (PRIO3) caía 3,84%, seguida de Petrobras (PETR3), em baixa de 3,19%, e Petrobras (PETR4), com recuo de 2,69%. Exceção, a 3R Petroleum (RRRP3) teve alta de 1,78%.

O minério de ferro teve baixa de 2,59% na Bolsa de Dalian, a US$ 103,12 por tonelada, impactado também por notícias de que o governo chinês vem sofrendo boicotes de hipotecas no setor imobiliário, o que cria incertezas sobre a demanda por aço, de acordo com analistas da Genial Investimentos, em comentários ao mercado.

Nesse contexto, a Vale despencou 6,66%, liderando as quedas do Ibovespa. Outros destaques negativos foram CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4), com perdas de 6,4% e 4,47%, respectivamente.

PEC, PIB e Inflação

Em Brasília, a Câmara dos Deputados aprovou, na noite de ontem, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Benefícios, que amplia programas sociais, com custo de R$ 40 bilhões. Agora, o texto segue para promulgação pelo Congresso.

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Em outra frente, o Ministério da Economia aumentou a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deste ano, de 1,5% para 2%. Para o próximo ano, foi mantida a projeção de crescimento de 2,5%.

O governo também diminuiu a previsão da inflação para este ano, que passou de 7,9% para 7,2%. Essa projeção já incorpora o impacto de medidas legislativas aprovadas nos preços de combustíveis, energia elétrica e comunicação.

Em dados econômicos, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) mostrou uma queda de 0,11% em maio na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo BC.

A contração veio na contramão do esperado por analistas de mercado, que apostavam em um avanço de 0,10%. No acumulado em 12 meses, o indicador registra alta de 3,74%.

Altas e baixas do pregão

No fechamento, as maiores baixas do Ibovespa eram de Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e Cyrela (CYRE3), com a última caindo 5,95%.

Apesar do bom resultado operacional no segundo trimestre do ano, com o aumento no número de lançamentos e as vendas líquidas superando a casa do bilhão, a percepção é que o cenário de inflação e juros altos pode vir a prejudicar os resultados da Cyrela no futuro, uma vez que o financiamento imobiliário tende a ficar a mais caro, inibindo a procura pela modalidade.

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Na ponta oposta, as maiores altas do pregão foram de Cielo (CIEL3), BB Seguridade (BBSE3) e Raia Drogasil (RADL3), com ganhos de 6,44%, 4,31% e 3,67%, respectivamente.

Em relatório, o Itaú BBA reiterou suas perspectivas positivas para as empresas de adquirência, que devem ter recuperação contínua de resultados, com base em crescimento de volumes e efeitos de reprecificação. Entre as companhias do setor, o banco acredita que a Cielo deve ser o destaque do trimestre, com lucro de R$ 300 milhões.

Os analistas também elevaram a classificação da ação para outperform, com preço-alvo de R$ 5, o equivalente a alta de 29%.

Já a BB Seguridade passou a receber olhares ainda mais otimistas por parte dos analistas de investimentos do Bank of America. Segundo relatório distribuído nesta quinta, o preço-alvo para a BB Seguridade passou de R$ 30 para R$ 33, com recomendação de compra reiterada. A valorização potencial é de 25%.

Cripto

O Bitcoin (BTC) recuperou o patamar dos US$ 20 mil nesta quinta-feira a despeito de novos dados da inflação americana, que vieram acima do esperado e do pedido de falência da Celsius Network.

O clima positivo dava fôlego para as altcoins, como são chamados os ativos além do BTC, com as principais criptos em volume de negociação operando no campo positivo.

Por volta de 16h50, o BTC registrava avanço de 2,1% em comparação a cotação de 24 horas atrás, negociado a US$ 20.688, conforme dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

O Ethereum (ETH), segunda maior cripto do mercado, subia 10,7%, enquanto XPR, Cardano (ADA) e Solana (SOL) tinham ganhos de 2,8%, 4,2% e 8,1%, respectivamente, segundo dados da CoinGecko.

A Celsius Network, empresa que fornecia empréstimos com garantia em criptoativos, pediu proteção contra falência na noite desta quarta-feira semanas após bloquear o acesso dos investidores aos ativos e levantar rumores de que estava insolvente.

A conjuração do “capítulo 11” equivale na justiça americana como uma espécie de pedido de recuperação no Brasil. Em nota, a empresa afirmou que o movimento visa “estabilizar seus negócios e proteger seus clientes”.

A Celsius foi uma dos grandes players do mercado a apresentar problemas após a queda acentuada das criptos no início de junho, com o colapso da blockchain da Luna Foundation.

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