Itaú BBA põe fatores na balança e elege a ação preferida do setor financeiro; veja destaques

Instituição que deve se destacar positivamente nos resultados do segundo semestre é o Banco do Brasil (BBAS3), dizem analistas

Foto: Divulgação

Para as companhias do setor financeiro, a temporada de balanços do segundo trimestre deve seguir a mesma toada dos três meses anteriores, com a inadimplência no crédito de varejo como ponto central das divulgações, segundo o Itaú BBA. Nesse contexto, a instituição que deve se destacar positivamente, na visão dos analistas, é o Banco do Brasil (BBAS3).

Além da inadimplência no varejo, os analistas Pedro Leduc, William Barranjard e Mateus Raffaelli também listam, como pontos de atenção as pressões de custos operacionais e a contaminação da tendência de inadimplência para as pequenas e médias empresas. Por outro lado, há alguns pontos positivos em potencial, como a solidez da qualidade de crédito no segmento corporativo e o crescimento das receitas.

Preferido do BBA, o BB tem como pontos fortes seu portfólio de crédito menos cíclicos e tendências mais fortes de NII (receita líquida de juros, indicador utilizado para medir ganhos vindos da diferença entre os juros captados de empréstimos e os pagos em depósitos). Como resultado, o BBA vê uma expansão de 33% nos lucros do banco, para R$ 6,682 bilhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Assim, os analistas classificam as ações do BB como outperfom – isto é, devem ter um desempenho superior à média do mercado – e fixam o preço-alvo em R$ 44, o que corresponde a alta de 34% em relação aos níveis atuais.

A expectativa para o Bradesco (BBDC4) é de resultados estáveis, com lucro de R$ 6,748 bilhões. Na análise do BBA, o banco deverá equilibrar, de um lado, uma desaceleração na inadimplência do varejo e, de outro, um provável aumento das dívidas em atraso no segmento de pequenas e médias empresas. Para a ação, a classificação é de outperform também, com preço-alvo de R$ 23 – potencial de alta de 36%.

Entre os grandes bancos, o que mais deve sofrer, para o BBA, é o Santander (SANB11), devido a um aumento nas provisões para devedores duvidosos e a receitas fracas. “Esse é o nosso principal nome para evitar entre os bancos”, dizem os analistas. Eles projetam uma queda anual de 13% no lucro da companhia, para R$ 3,608 bilhões, e classificam o papel como underperfom (abaixo da média do mercado), com preço-alvo de R$ 29 – upside de 5%.

Já entre os bancos pequenos, o Banco ABC (ABCB3) deve ser destaque positivo e apresentar alta de 36% no lucro, para R$ 185 milhões, com expectativa de expansão nos lucros e manutenção de patamares estáveis de qualidade de crédito. A classificação é de outperfom e a ação pode se valorizar 42% até o preço-alvo de R$ 22.

Bancos digitais

No cenário de alta da inadimplência no crédito de varejo, os bancos digitais são os mais afetados, segundo o BBA, devido à maior concentração deste segmento de crédito em suas carteiras. Além disso, essas empresas têm uma base de clientes relativamente nova e mais exposta ao público de baixa renda.

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A expectativa do BBA é que o Nubank (NUBR33) reporte prejuízo de R$ 429 milhões, com alta de 0,7 ponto percentual na inadimplência, para 4,9%. Esse avanço aumenta as chances de uma desaceleração no crescimento do crédito. Os analistas classificam a ação como underperform e fixam o preço-alvo em US$ 4, patamar 1% superior ao atual.

O Banco Pan (BPAN4) também deve ter crescimento de inadimplência, de 0,3 ponto percentual, para 7,1%, impulsionada pelos segmentos de cartões e empréstimos automotivos e, em contrapartida, uma desaceleração nos empréstimos consignados com FGTS (Fundo de Garantia d0 Tempo de Serviço). O banco deve reportar lucro de cerca de R$ 190 milhões, estável na comparação anual, segundo o BBA. A classificação da ação é de market perform (em linha com a média do mercado), com preço-alvo de R$ 12 – potencial de alta de 91%.

Pagamentos

O Itaú BBA tem perspectivas mais positivas para as empresas de adquirência. De acordo com a instituição, a recuperação de resultados deverá ter continuado, baseada em um crescimento de volumes e efeitos de reprecificação – ainda que com menos força do que nos trimestres anteriores.

Entre as companhias do setor, a Cielo (CIEL3) deve ser o destaque do trimestre, na visão do BBA. O banco espera que a companhia reporte lucro de cerca de R$ 300 milhões no segundo trimestre, alta anual de 69%, e R$ 1,1 bilhão no ano (contra R$ 985 milhões na projeção anterior). Os analistas elevaram a classificação da ação para outperform, com preço-alvo de R$ 5, o equivalente a alta de 29%.

O banco também mantém visão otimista sobre a PagSeguro (PAGS3), ainda que não enxergue um crescimento tão forte nos lucros no curto prazo, devido a expectativas altas de Capex e ao patamar elevado das taxas de juros. Os analistas mantêm a classificação de outperform, mas revisaram o preço-alvo para US$ 18,6 por ação (alta de 73% em relação ao patamar atual).

Mercados de capitais

No contexto de atividade econômica mais fraca, que pressiona as receitas, o BBA rebaixou suas projeções de lucro para a B3 (B3SA3) referentes a 2022 e 2023 em 8% e 9%, respectivamente. Além disso, os analistas cortaram a classificação da ação para market perform e o preço-alvo para R$ 13, 26% acima do patamar atual.

A projeção do banco para o desempenho da B3 no segundo trimestre é de lucro de R$ 1,136 bilhão, retração de 5%.

Por outro lado, o preferido do BBA no segmento é o BTG Pactual (BPAC11). Segundo a instituição, o banco deve apresentar lucros crescentes em todas as divisões de negócios e fechar o trimestre com R$ 1,979 bilhão em ganhos, crescimento de 18%. As ações têm classificação de outperfom e preço-alvo de R$ 35, o que corresponde a alta de 59%.

Seguradoras

Entre as seguradoras, o BBA vê a combinação de crescimento de receita, queda nos sinistros e resultados financeiros melhores como fatores impulsionadores dos lucros de BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3)

O instituição projeta alta de 68% no lucro da BB Seguridade, para R$ 1,262 bilhão, e de 60% para o da Caixa Seguridade, para R$ 679 milhões, e classifica as duas ações como outperform, com preços-alvo de, respectivamente, R$ 32 e R$ 8,8 (altas de 26% e 32%).

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