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Os setores que podem se beneficiar da PEC dos Benefícios – spoiler: não é só o varejo

Os setores que podem se beneficiar da PEC dos Benefícios – spoiler: não é só o varejo

O setor de varejo e o de distribuição de combustíveis devem ser os mais favorecidos, mas outras empresas também podem surfar essa onda

Carrinho de comprar vazio no centro com prateleiras ao redor com produtos fora de foco

Foto: Shutterstock

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A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (13), em definitivo, a chamada PEC dos Benefícios, que amplia benefícios sociais até o fim do ano e deve injetar R$ 41,25 bilhões na economia. A proposta já havia sido aprovada no Senado e, portanto, não tem mais trâmites no Congresso.

Os principais benefícios aprovados são:

  • Aumento no auxílio emergencial em R$ 200, para R$ 600;
  • Distribuição de R$ 1 mil para caminhoneiros;
  • Auxílio para taxistas em um valor total de R$ 2 bilhões;
  • Repasse para os estados de até R$ 3,8 bilhões, para equilibrar os preços do etanol;
  • Repasse de R$ 500 milhões para programa Alimenta Brasil.

Os benefícios ampliados, como se vê, não serão para toda a população, e sim para determinadas classes. As classes que serão favorecidas, de forma direta, serão os caminhoneiros, taxistas, beneficiários do auxílio emergencial e agricultores familiares.

Sendo assim, a economia deve se aquecer no curto prazo e se refletir em um aumento no volume de vendas das empresas, principalmente aquelas que oferecem produtos de menor preço médio, para o consumidor de menor renda.

Os setores de distribuidoras de combustíveis e varejo, principalmente o alimentar, devem ser os mais favorecidos pela PEC. Além disso, outras empresas como Ambev (ABEV3), BRF (BRFF3) e Cielo (CIEL3) devem surfar a onda.

Confira abaixo uma análise dos setores que mais devem se beneficiar.

Varejo

Segundo uma pesquisa encomendada pela Exame ao instituto Ideia, 71% dos favorecidos pelo auxílio emergencial em abril de 2020 utilizaram o benefício para o consumo de alimentos.

Além disso, as expectativas dos economistas para os próximos meses são de um respiro na inflação, inclusive com uma deflação projetada para julho, o que deve aliviar um pouco a situação dos consumidores.

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Portanto, empresas como Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRBF3), que atuam no ramo atacadista de alimentos (o Carrefour por meio da bandeira Atacadão), devem ver o volume de vendas crescer nos próximos meses e podem ampliar as margens, a partir de uma redução dos custos operacionais.

Já é possível até notar um reflexo do otimismo nos papéis das companhias. Após a aprovação da PEC de Benefícios pelo Senado, no dia 30 de junho, o Assaí acumula alta de 7,5%, enquanto o Carrefour sobe 3,6%.

Outras empresas varejistas também devem aproveitar a maior capacidade de compra dos consumidores.

Basta lembrar que o setor de móveis e eletrodomésticos, por exemplo, que conta com a participação de empresas como Magalu (MGLU3), Via (VIIA3) e Lojas Americanas (AMER3), mostrou recuperação no volume de vendas após o início da distribuição do auxílio emergencial, em abril de 2020.

No mês seguinte, em maio, as vendas, que vinham de duas quedas consecutivas, esboçaram uma reação em comparação com iguais meses de 2019, antes da pandemia. Em junho, o volume de vendas do varejo como um todo cresceu 63,44% em comparação a igual período em 2019, segundo dados do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Daí em diante, o setor cresceu por 12 meses consecutivos.

Porém, nessa época (maio de 2020), a taxa básica de juros estava em 3,5% ao ano, em um esforço do Banco Central (BC) para amenizar os efeitos da pandemia na economia, o que facilitava o acesso ao crédito para o consumidor, que poderia financiar o eletrodoméstico a um menor custo de juros.

Com a Selic agora em 13,25%, o custo para financiar ficou mais caro, então o impacto dos benefícios sociais no consumo deve ser mais ameno do que em 2020.

Por ser um segmento do varejo com um preço médio alto, há uma maior necessidade de o consumidor utilizar créditos para comprar os produtos. Portanto, este segmento deve ter um avanço nas vendas, porém em menor magnitude quando comparado ao varejo alimentar.

Mesmo assim, são empresas que já têm os papéis valorizados desde aprovação da PEC pelo Senado. A Lojas Americanas registra alta de 24%, enquanto Via e Magalu registram avanços de 20% e 31,2%, respectivamente.

As companhias do varejo de vestuários também estão inclusas neste grupo com papéis valorizados. A Lojas Renner (LREN3) sobe 8,75%, a C&A (CEAB3) sobe 7,8% e Marisa (AMAR3) tem valorização de 30%. Estas empresas devem ampliar as margens e ver o volume de vendas crescer, uma vez que o preço médio dos produtos são consideravelmente mais baixos do que o de um eletrodoméstico, por exemplo.

Em relação a Arezzo (ARZZ3) e ao Grupo Soma (SOMA3), os benefícios não devem ser tão relevantes, pois a maior parte dos produtos oferecidos pelas empresas é voltada para o público de média e alta renda, embora também possuam verticais com ticket médio mais baixo, como a marca Hering, do Grupo Soma.

Mesmo assim, as ações da Arezzo apresentam alta de 3% desde a aprovação da PEC pelo Senado, enquanto as ações do Grupo Soma acumulam alta de 1,3%.

Distribuidoras de combustíveis

O setor de distribuição de combustíveis deve ser favorecido pelo benefício concedido aos caminhoneiros e aos taxistas. Este benefício deve gerar um maior consumo de combustível no período, favorecendo as vendas do setor.

Além disso, o benefício concedido para os distribuidores de etanol e biocombustível deve impulsionar, principalmente, as distribuidoras e produtoras de etanol. Mesmo que o repasse seja para o estado, este segmento terá os custos de ICMS reduzidos.

A principal beneficiada, portanto, deve ser a Raízen (RAIZ4). A empresa é umas das maiores fabricantes de etanol por cana-de-açúcar do mundo, além de atuar no mercado de energias renováveis e distribuição de combustíveis, com a Shell.

Nos primeiros três meses do ano, o segmento de renováveis, que engloba produção, comercialização, originação e trading de etanol, representou 32,5% do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa, enquanto o segmento de açúcar representou 9,8% e o de distribuição de combustíveis, 57,7%.

Com o incentivo aprovado em Brasília, a companhia deverá contar com um impulso nas margens para os próximos trimestres. A margem Ebitda do segmento de renováveis, que foi de 17% no primeiro trimestre, deverá ser ampliada devido à redução dos custos, enquanto as receitas devem crescer motivadas pelo maior volume de vendas do segmento de distribuição.

Porém, os papéis da Raízen não refletem ainda os possíveis benefícios, e a cotação apresenta queda de 9,8% desde a aprovação da PEC pelo senado.

Outras distribuidoras como Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) apresentam leve queda de 0,1% e 2,4%, respectivamente, enquanto a Petrobras (PETR4) tem alta de 1,1%.

O desempenho negativo das ações é explicado principalmente pelo risco de escassez do diesel no Brasil e pelo fato de a Petrobras estar “segurando” os preços dos combustíveis, o que pressiona as margens das distribuidoras.

A disparada do preço do petróleo no mercado internacional com o início da guerra na Ucrânia foi o que deu origem a esse risco.

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A Petrobras (PETR4), responsável por cerca de 80% do abastecimento do diesel no país, define o preço a ser repassado para os postos. No entanto, em uma tentativa de não fazer esse repasse de forma abrupta, para minimizar o efeito na inflação, a empresa tem segurado os preços, em vez de seguir à risca a política de paridade internacional, que, em tese, busca acompanhar as cotações do mercado internacional.

Para entender como isso pode gerar uma escassez, antes é preciso compreender o papel do setor de distribuição de combustíveis, formado por empresas como Vibra (VBBR3), Raízen (RAIZ4) e Ultrapar (UGPA3).

Estas companhias, que compram no exterior parte do diesel distribuído no Brasil, são prejudicadas se a Petrobras mantém o preço baixo no mercado local e não acompanha o mercado internacional, contribuindo para que os importados deixem de ser atrativos. Como a Petrobras, sozinha, não dá conta de atender todo o mercado, o resultado disso pode ser a escassez de diesel para o consumidor brasileiro.

Leia Mais: Como a “inércia” da Petrobras (PETR4) pode afetar Vibra (VBBR3), Raízen (RAIZ4) e Ultrapar (UGPA3) 

No entanto, com o auxílio aprovado para os caminhoneiros, que usam basicamente o diesel para abastecer os caminhões, e também para os taxistas, que usam principalmente a gasolina e o etanol, a demanda pelos combustíveis aumenta e a pressão sobre o preço diminui, deixando as distribuidoras mais à vontade para levar as margens para níveis mais saudáveis.

Outras empresas que devem surfar a onda

A Ambev (ABEV3), maior cervejaria da América Latina, deve ser uma das empresas a surfar esta onda. A renda extra distribuída pela PEC deve fazer com que os consumidores voltem a comprar produtos considerados não essenciais na cesta de alimentos.

Na lista de gastos com produtos não essenciais, a cerveja encontra-se em terceiro lugar, com 13,2% da preferência, em vendas feitas em hipermercados e supermercados, segundo uma pesquisa realizada pela Horus Inteligência de Mercado, e divulgada pelo Newtrade.

A Ambev, portanto, deve ter um aumento no volume de vendas, além de facilitar o repasse dos custos da inflação para o produto, que tem sido uma dificuldade para empresa nos últimos anos.

Outra empresa que deve se aproveitar dos benefícios é a BRF (BRFS3), dona de marcas como Sadia, Perdigão, Qualy, entre outras. O aumento do poder de compra do consumidor faz com que ele volte a comprar produtos que antes tinham saído da lista de preferências, em razão da inflação.

Por exemplo, um consumidor que antes havia reduzido o consumo de carne de frango, suína ou bovina, pelo alto valor dos produtos, deve voltar às compras. Portanto, é provável que a empresa impulsione o volume de vendas no segundo semestre.

Por fim, a Cielo (CIEL3), empresa de tecnologia e serviços financeiros de meios de pagamento para o varejo, deve ser outra empresa beneficiada.

Com o consumidor mais “capitalizado”, ou seja, com mais dinheiro no bolso, as compras com cartão de débito devem crescer, o que deve impulsionar o volume transacionado pelas maquininhas e, consequemente, a receita da Cielo, que cobra uma taxa em cada transação realizada. Vale lembrar também que, entre os principais varejistas que usam as maquininhas da Cielo, estão os supermercados e hipermercados.

No caso de Ambev e Cielo, também já é possível ver o reflexo nas cotações das empresas desde a aprovação no Senado. A Ambev apresenta alta de 8,7% no período, enquanto a BRF e Cielo sobem 19,5% e 3,47%, respectivamente.

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