Títulos atrelados ao IGP-M lideram ganhos no Tesouro Direto em 2021, com alta de 11,3%; confira as indicações para 2022

Papéis prefixados com prazo mais curto e títulos atrelados à inflação são vistos como os mais atrativos para este ano

Com a alta em 2021 de 17,8% do IGP-M, que mede a inflação no atacado, os títulos do Tesouro Direto atrelados a esse índice lideraram os ganhos do ano, com valorização de 11,26%. Esse foi o único papel que conseguiu bater a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, que acumulou alta de 10,74% em 12 meses, até novembro, o maior patamar desde 2003.

Dados de encerramento do ano mostram que a maioria dos títulos públicos teve queda no período, com destaque para o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 — atualmente disponível para compra –, com perda de 25,5%.  Vale lembrar, contudo, que o investidor só terá prejuízo de fato com esse investimento se vender o papel antes do prazo de vencimento.

As perspectivas para 2022, contudo, são mais otimistas. “Como a inflação deve ficar mais baixa no ano que vem, o investidor na renda fixa vai poder recuperar o poder de compra”, afirma Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama.

O aumento da taxa básica de juros para 9,25% ao ano, o maior patamar desde setembro de 2017, fez com que os títulos do Tesouro Direto atrelados à taxa Selic tivessem a segunda melhor performance, com o título Tesouro Selic com vencimento em 2027, disponível para compra no programa, se destacando nessa categoria, com alta de 4,9% em 2021.

O índice IMA-S, que acompanha uma carteira teórica dos papéis atrelados à Selic, subiu 0,78% em dezembro, acumulando alta de 4,7% no ano.

Para 2022, gestores e analistas veem oportunidades interessantes em títulos com retornos prefixados com prazos mais curtos, abaixo de cinco anos, e atrelados à inflação (Tesouro IPCA+), como alternativa de proteção.

Já para quem não pretende levar os papéis até o vencimento, os títulos Tesouro Selic são uma opção mais defensiva, afirma Marco Bismarchi, sócio da TAG Investimentos.

A média das projeções dos analistas no último Boletim Focus aponta para uma Selic em 11,50% no fim de 2022, mas já há analistas esperando os juros num patamar acima de 12% para poder trazer as expectativas de inflação de volta para a meta. “Devemos voltar a ver as carteiras de renda fixa rendendo 1% ou mais ao mês”, diz Bismarchi.

Confira a seguir o desempenho de todos os títulos públicos, disponíveis ou não para compra, no Tesouro Direto.

Fonte: Tesouro Direto
Título Vencimento Retorno em 2021 (Em %)
Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 01/01/2031 11,26
Tesouro Selic 01/03/2027 4,9
Tesouro Selic 01/03/2023 4,53
Tesouro Selic 01/03/2025 4,49
Tesouro Selic 01/09/2024 4,47
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2024 3
Tesouro Prefixado 01/01/2022 2,73
Tesouro IPCA+ 15/08/2024 2,13
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2026 1,03
Tesouro IPCA+ 15/08/2026 -0,39
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2023 -2,14
Tesouro Prefixado 01/01/2023 -2,79
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2030 -2,8
Tesouro Prefixado 01/07/2024 -4,39
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2035 -5,66
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2025 -6,75
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2040 -6,89
Tesouro Prefixado 01/01/2025 -7,84
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2045 -7,88
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2027 -9,29
Tesouro Prefixado 01/01/2026 -9,83
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2050 -9,87
Tesouro IPCA+ 15/05/2035 -10,63
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2055 -11,54
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2029 -11,65
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2031 -13,15
Tesouro IPCA+ 15/05/2045 -25,47

Incerteza fiscal afeta desempenho no Tesouro Direto

A piora do quadro fiscal, com a aprovação da PEC dos Precatórios prevendo o estouro do teto de gastos, e o aumento das expectativas de inflação levaram a uma alta das taxas dos títulos do Tesouro Direto, com o mercado exigindo um prêmio maior para financiar o governo. Quando as taxas das novas emissões dos títulos do Tesouro sobem, os preços dos papéis emitidos com taxas menores caem, o que resultou no retorno negativo de alguns papéis atrelados à inflação e com retornos prefixados.

Em 2021, o IMA-B5+, índice que acompanha o desempenho dos títulos do Tesouro atrelados ao IPCA com prazos acima de cinco anos, acumulou queda de 6,6%, enquanto o índice que segue uma carteira teórica dos títulos com prazos até cinco anos subiu 4,6%.

A estrategista da Órama lembra que os títulos do Tesouro Direto com vencimentos mais longos tendem a ser mais voláteis e podem ser mais vulneráveis as oscilações de mercado por conta da incerteza no cenário eleitoral.

Por isso, a Órama está com recomendação para papéis pós-fixados em 2022, incluindo títulos públicos, privados e fundos, prevendo um CDI de 11,5% em 2022, com uma inflação em patamar abaixo de 5%, o que deve render um ganho real para esses papéis.

Tesouro IPCA+ é alternativa para proteger patrimônio da inflação

Apesar de o mercado esperar um recuo da inflação em 2022, com a média das projeções dos analistas no Boletim Focus apontando para um IPCA de 5,03%, gestores e analistas ainda veem o investimento nos títulos Tesouro IPCA+ como uma alternativa interessante para proteger o patrimônio da alta da inflação.

Esses papéis pagam a variação da inflação mais uma taxa de juros prefixada e oferecem atualmente um juro real acima de 5% ao ano. “Gostamos de mesclar uma parcela em títulos mais curtos, com vencimento em 2024, com papéis com prazos mais longos, para 2045 e 2055”, diz Bismarchi.

Já a SulAmérica tem preferido a exposição a títulos do Tesouro com retornos prefixados e atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) com prazos mais curtos, afirma Marcelo Mello, vice-presidente de Investimentos, Vida e Previdência da SulAmérica.

O BTG Pactual continua com preferência para os papéis indexados ao IPCA, com vencimentos entre 2024 e 2028. “Não alteramos nossa visão de que títulos de renda fixa (públicos e privados) com vencimentos até 2028 estão mais atrativos, ou seja, o ponto de entrada neste momento é favorável, sobretudo naqueles atrelados à inflação”, apontou o banco, em relatório de 16 de dezembro.

O sócio da TAG Investimentos também vê os títulos prefixados com horizonte de dois a três anos, que estão oferecendo um retorno acima de 10%, como uma opção interessante para o investidor que pretende carregar os papéis até o vencimento. “O investidor trava uma taxa fixa até o vencimento e tem a opção de vender os papéis no meio do caminho e aumentar o retorno, se os preços se valorizarem.”

Em 2021, o índice que acompanha o desempenho dos títulos públicos prefixados, o IRF-M, registrou queda de 1,99%, pressionado por papéis com prazo acima de um ano.

Alta de juros nos EUA e eleição no Brasil são riscos para 2022

O aumento da taxa básica de juros nos Estados Unidos pode exercer uma pressão adicional de alta sobre as taxas de juros no mercado local, uma vez que investidores estrangeiros podem sair da renda fixa nos mercados emergentes para aplicar em papéis do Tesouro americano, considerados como porto seguro no mundo.

No ambiente doméstico, o cenário fiscal continua incerto diante do risco da adoção de medidas populistas por parte do governo na tentativa de aumentar o apoio na corrida eleitoral.

Embora o mercado de juros futuros já tenha precificado uma alta da taxa Selic acima de 11,75% para 2022, o Brasil ainda enfrenta um cenário de expectativas de inflação acima da meta para 2022 e 2023, de 3,50% e 3,25% respectivamente, aponta o BTG em relatório.

A média das projeções dos analistas no último Boletim Focus aponta para um IPCA de 5,03%, em 2022, e 3,41%, em 2023. “Conforme o próprio Copom [Comitê de Política Monetária] ressalta, o balanço de risco continua assimétrico e com um viés altista, sobretudo pelo patamar ainda depreciado do real e a desencorajem das expectativas de inflação”, destacou o BTG em relatório.

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