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Copom eleva juro em 1,5 ponto percentual, a 9,25% ao ano, conforme o esperado; veja o comunicado da decisão

Copom eleva juro em 1,5 ponto percentual, a 9,25% ao ano, conforme o esperado; veja o comunicado da decisão

Elevação foi a sétima consecutiva da taxa básica, que chegou ao maior patamar desde outubro de 2017

Banco Central Greve
Por:

Beatriz Cutait

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Beatriz Cutait

Em um cenário de inflação disparada e de elevado risco fiscal, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade subir os juros básicos da economia em 1,5 ponto percentual (p.p.), a 9,25% ao ano. Esta é a sétima elevação consecutiva da taxa básica, que atingiu o maior patamar desde outubro de 2017 (quando estava em 8,25% ao ano), há mais de quatro anos.

O aumento era esperado pela maior parte dos analistas de mercado. Na última reunião do colegiado, no fim de outubro, o BC intensificou o ritmo de alta da taxa básica (a Selic) e sinalizou o novo aumento de 1,5 ponto na reunião desta quarta-feira, 8.

Confira o comunicado divulgado logo após a decisão do Copom:

“A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

No cenário externo, o ambiente se tornou menos favorável. Alguns bancos centrais das principais economias expressaram claramente a necessidade de cautela frente à maior persistência da inflação, tornando as condições financeiras mais desafiadoras para economias emergentes. Além disso, a possibilidade de nova onda da Covid-19 durante o inverno e o aparecimento da variante Ômicron adicionam incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais;

Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores divulgados desde a última reunião mostram novamente uma evolução moderadamente abaixo da esperada;

A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços foi acima da esperada, tanto nos componentes mais voláteis como também nos itens associados à inflação subjacente;

As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação;

As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 10,2%, 5,0% e 3,5%, respectivamente; e

No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de USD/BRL 5,65*, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 10,2% para 2021, 4,7% para 2022 e 3,2% para 2023. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 9,25% a.a. neste ano e para 11,75% a.a. durante 2022, terminando o ano em 11,25%, e reduz-se para 8,00% a.a. em 2023. Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 16,7% para 2021, 3,8% para 2022 e 5,2% para 2023. Adotam-se bandeira tarifária “escassez hídrica” em dezembro de 2021 e a hipótese de bandeira tarifária “vermelha patamar 2” em dezembro de 2022 e dezembro de 2023.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local produziria trajetória de inflação abaixo do cenário básico.

Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país.

Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mantendo a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 1,50 ponto percentual, para 9,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Magalhães Rumenos Guardado, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio USD/BRL observada nos cinco dias úteis encerrados no último dia da semana anterior à da reunião do Copom.”

Inflação sob pressão

A decisão foi tomada em um cenário em que o IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, de 2022 deve fechar o ano no teto da meta de inflação, de 5,00% (com centro da meta em 3,50%). Além disso, o ritmo mais forte de alta foi determinado pelas incertezas provocadas pela decisão do governo de alterar a regra do teto de gastos, âncora fiscal do país, permitindo assim mais despesas no ano que vem.

Analistas ouvidos pelo Boletim Focus divulgado na última segunda-feira esperam que a Selic encerre 2022 em 11,25% e 2023 em a 8% ao ano. Para 2024, a previsão é de 7,00%. E a inflação estimada é 10,18% no fechamento de 2021. Os especialistas também disseram esperar o IPCA ligeiramente acima do teto da meta em 2022 (5,02%) e elevaram a expectativa de 3,42% para 3,50% em 2023.

Atividade fraca pode encurtar ciclo

O resultado fraco do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre e a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios no Senado retiraram a pressão dos juros futuros e vêm levando o mercado a apostar em um ciclo de alta menor da taxa básica por parte do Banco Central.

De julho a setembro, a atividade econômica caiu 0,1%, resultado pior do que o esperado. Além disso, a indústria teve em outubro a quinta queda consecutiva, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A aprovação da PEC pelos senadores também reduziu as incertezas em torno do Orçamento de 2022, abrindo espaço para uma queda dos prêmios de riscos refletidos nos ativos brasileiros.

Como ficam suas aplicações financeiras

Toda vez que o Banco Central decide elevar a taxa de juros, o retorno de aplicações financeiras indexadas à Selic ou ao CDI (referencial de investimentos de renda fixa que anda lado a lado com a taxa básica) também aumenta. 

Desta forma, um produto bancário do tipo CDB que pague 100% do CDI, por exemplo, vai render mais. Com os juros a 7,75%, esse investimento renderia ao investidor um retorno líquido (descontado o Imposto de Renda de 17,5% para aplicações a partir de um ano) de 6,39% em 12 meses. Com o aumento da Selic para 9,25%, esse mesmo produto passa a render 7,63%.

No caso da caderneta de poupança, com a nova Selic, a remuneração passa a ser fixa em 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), zerada desde outubro de 2017. Dessa forma, quanto mais a Selic suba, mais distante fica o rendimento da poupança de outras alternativas de investimento consideradas de baixo risco.

“A poupança não é um investimento atraente mesmo com a alta da Selic. A melhor alternativa é um Tesouro Selic ou um CDB de liquidez diária, além de fundos Tesouro Simples com zero taxa de administração”, diz Marcelo Lara, gestor da Journey Capital.

Uma taxa Selic mais alta também impõe maior desafio a investimentos de renda variável, diante de um custo de oportunidade mais alto. Com juros maiores, investidores voltam a analisar com mais atenção produtos de renda fixa, ainda que muitos sigam entregando um rendimento real negativo, ou seja, abaixo da inflação.

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