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IPCA desacelera, e analistas veem chance de inflação abaixo de 10% em 2021

IPCA desacelera, e analistas veem chance de inflação abaixo de 10% em 2021

Apesar disso, analistas veem alta de preços muito espalhada pela economia, além de pressão de fatores internos e externos

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A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em dezembro, com avanço de 0,78%, mostrou forte desaceleração em relação ao mesmo período de novembro, quando a alta foi de 1,17%.

Veio ainda um pouco abaixo do esperado por analistas de mercado, que em média apostavam em expansão de 0,8%. Esse cenário faz com que parte deles acredite na possibilidade de um IPCA de um dígito em 2021 – analistas ouvidos pelo Boletim Focus acreditam em uma variação de preços maior, de 10,04%.

É o caso de Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos, que apontou que o fato de o índice ter vindo pouco abaixo da estimativa de mercado coloca na mesa a possibilidade de o IPCA fechar o ano abaixo de 10%.

Esse cenário inclusive teria implicações fiscais, abrindo espaço no Orçamento de 2023. “A inflação abaixo do esperado também tem implicações para a política fiscal. O teto de gastos de 2022 [mecanismo que limita as despesas à inflação] foi calculado com base no IPCA de 10,18%. Se ficar em 9,96%, o teto aprovado para 2022 no orçamento é R$ 3,4 bilhões acima do calculado pela nova regra. Essa diferença será incorporada ao limite de 2023”.

A equipe de análise do banco Inter também afirmou que trabalha com um viés de baixa para sua projeção de alta de 0,6% no IPCA fechado de dezembro.

“Todos os grupos tiveram redução nas variações, com destaque para alimentos, que variou 0,30% no período, e transportes, que desacelerou de 2,89% para 2,31% e que ainda tem tendência de cair mais com a redução recente dos preços dos combustíveis”, afirmou a equipe.

Inflação espalhada e sob pressão

Apesar desse ritmo mais lento da alta de preços, analistas apontam que a inflação está disseminada por diferentes segmentos, o que é uma má notícia.

“O índice mostra elevação desde passagens aéreas, por exemplo, passando por alta de carros novos e usados e energia. São itens que pertencem a categorias diferentes, o que mostra que a inflação não está concentrada num vilão só, que ela está espalhada”, aponta André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV (Fundação Getulio Vargas), que destacou que esse espalhamento maior já era esperado.

Analistas do BTG Pactual Digital apontaram que a expectativa é de desaceleração do índice no ano que vem, mas com uma inflação ainda bastante disseminada e sob pressão de fatores internos e externos.

A piora na sensação de risco fiscal e político no Brasil e um aperto monetário mais rápido nos Estados Unidos devem manter o dólar elevado, na avaliação da equipe do banco. “Além disso, a necessidade de medidas de isolamento social para conter o avanço da nova variante ômicron podem provocar a persistência das restrições de oferta global diante da elevada demanda”.

Caged surpreendeu com retomada dos escritórios

Já a criação de 234 mil vagas com carteira assinada em novembro revelada pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) veio bem acima do esperado pelo mercado, apontando para a possibilidade de criação de 3 milhões de vagas em 2021.

“Em parte, entendemos a leitura final tem relação com a retomada dos escritórios, visto que o segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas apresentou criação de vagas líquida muito expressiva, de 105 mil”, apontaram os analistas do BTG Pactual Digital.

Para a equipe do banco, a piora recente da atividade econômica ainda não está aparecendo nos dados de mercado de trabalho. “Os novos riscos fiscais, somados a uma maior inflação e a necessidade de uma taxa básica de juros em patamar ainda mais contracionista como resposta, podem prejudicar a realização de investimentos, impactando dados mais expressivos na criação de empregos no próximo ano”.

 

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