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Títulos atrelados à Selic lideram ganhos do Tesouro Direto em janeiro; saiba quais papéis estão mais atrativos

Títulos atrelados à Selic lideram ganhos do Tesouro Direto em janeiro; saiba quais papéis estão mais atrativos

Expectativa é de que títulos indexados à Selic sigam interessantes com taxa básica de juros devendo atingir dois dígitos neste ano

Retorno de investimentos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Com o aumento da taxa básica de juros para 9,25% ao ano, títulos pós-fixados do Tesouro Direto, conhecidos como Tesouro Selic, voltaram a brilhar e lideraram os ganhos em janeiro. Para os próximos meses, esses papéis devem continuar atrativos com a Selic devendo alcançar dois dígitos neste ano — o que não acontecia desde 2017 –, com a volta do tão almejado retorno de 1% ao mês.

Já para quem tem um horizonte um pouco maior de investimento, acima de dois anos, os papéis atrelados à inflação, Tesouro IPCA+, podem ser uma oportunidade interessante para proteger o poder de compra da carteira e garantir um ganho real acima de 5% ao ano, apontam especialistas ouvidos pela Agência Trademap.

“Títulos Tesouro Selic vão render 11% a 12% ao ano em 2022 e são uma opção interessante para o investidor que tem um horizonte de mais curto prazo”, afirma Renato Iversson, gestor da Taler Gestão de Patrimônio.

A média das projeções dos analistas para a Selic, no último Boletim Focus, era de 11,75% para o fim de 2022.

A Órama espera que a taxa Selic suba para 11,50% neste ano. “Já há casas trabalhando com uma projeção para a Selic entre 12% e 12,50%, acreditando que o Banco Central pode ir além no aumento da taxa básica de juros por causa da inflação elevada devido às mudanças climáticas, à política monetária nos EUA e à alta dos preços de commodities, principalmente do petróleo”, diz Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama.

Para os investidores com um prazo maior de investimento, apesar de achar que os títulos Tesouro prefixados estão pagando um retorno interessante no curto prazo, Iversson prefere papéis atrelados à inflação. “É sempre bom esperar o fim do ciclo de alta de juros ou quando ele estiver próximo do fim para alocar em títulos prefixados”, afirma.

A estrategista-chefe da Órama também vê oportunidade de investimentos nos papéis prefixados mais à frente. “É preciso ter um pouco mais de convicção de quando e em que patamar a taxa Selic deve se estabilizar para, talvez, começar a cair no fim do ano.”

Nos papéis atrelados à inflação, o gestor da Taler vê os títulos Tesouro IPCA com vencimento entre cinco e dez anos como os mais interessantes. “Os papéis com vencimento entre 2028 e 2035 estão pagando taxas bastante atrativas, com juro real acima de 5%, mas podem ter volatilidade no mês a mês”, diz Iversson.

O mercado espera IPCA de 5,38% para este ano e de 3,50% para 2023, segundo a média das projeções no último Boletim Focus.

Já o banco BTG Pactual está com recomendação de compra para os títulos atrelados à Selic com prazos inferiores a três anos e vê oportunidade de ganho nos papéis indexados ao IPCA com vencimentos entre três e cinco anos, apontam os analistas do banco em relatório quinzenal publicado em 17 de janeiro, sobre estratégia em renda fixa e crédito privado.

A estrategista da Órama recomenda os papéis do Tesouro IPCA+ com prazos mais curtos, com vencimento em 2026, por exemplo, que pagavam nesta terça (1º) uma taxa de 5,25% ao ano mais a variação da inflação. “É melhor investir em papéis com prazos mais curtos, que têm menor volatilidade, para não elevar muito o risco da carteira”, diz. Quanto mais longo o prazo do papel, maior é a volatilidade.

O retorno dos papéis Tesouro IPCA+ é composto por uma taxa prefixada mais a variação da inflação. Quando as taxas de juros no mercado sobem, os papéis emitidos com taxas menores sofrem desvalorização. Foi o que aconteceu com esses títulos em janeiro.

O índice IMA-B, que acompanha o desempenho dos títulos do Tesouro atrelados ao IPCA, acumulou queda de 0,73% mês passado. O impacto negativo foi maior nos papéis com prazos mais longos, com o Tesouro IPCA+ com vencimento para 2045 registrando a pior performance entre os títulos no Tesouro Direto, com queda de 11,35%. O investidor, contudo, só terá perda na carteira se vender o título antes do vencimento em momentos de queda no mercado.

Confira a seguir o desempenho de todos os títulos públicos, disponíveis ou não para compra, no Tesouro Direto, em janeiro.

Fonte: Tesouro Direto
Título Vencimento Retorno em janeiro (em %)
Tesouro Selic 01/03/2027 0,87
Tesouro Selic 01/03/2025 0,85
Tesouro Selic 01/09/2024 0,83
Tesouro Selic 01/03/2023 0,79
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2023 0,48
Tesouro Prefixado 01/01/2023 0,41
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2024 -0,1
Tesouro IPCA+ 15/08/2024 -0,19
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2026 -0,51
Tesouro IPCA+ 15/08/2026 -0,67
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2025 -0,92
Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 01/01/2031 -1,08
Tesouro Prefixado 01/07/2024 -1,1
Tesouro Prefixado 01/01/2025 -1,36
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2027 -1,88
Tesouro Prefixado 01/01/2026 -2,27
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2030 -2,56
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2029 -3,36
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2031 -3,5
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2035 -4
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2045 -4,04
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2040 -4,24
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2050 -4,34
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2055 -4,76
Tesouro IPCA+ 15/05/2035 -6,18
Tesouro IPCA+ 15/05/2045 -11,35

O desempenho dos títulos do Tesouro prefixados e atrelados à inflação foi afetado em janeiro pela alta das taxas de juros no mercado. As taxas com prazos mais curtos subiram refletindo as revisões para cima para a Selic neste ano, diante do aumento das pressões inflacionárias.

Já as taxas de juros dos papéis com vencimentos mais longos foram afetadas pela recente escalada dos juros com prazos mais longos nos Estados Unidos, em meio à expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central do país) possa subir a taxa de juros mais cedo e em ritmo mais acelerado que o esperado pelo mercado.

“Além do cenário externo, os desdobramentos do cenário político e a reabertura do Congresso tendem a trazer maior volatilidade para o mercado de juros ao longo nas próximas semanas”, apontaram os analistas do BTG, em relatório.

Fed e eleições são riscos para alocação em títulos públicos

Apesar de os títulos públicos já estarem com prêmios mais altos, refletindo o aumento do risco no cenário doméstico com o ano eleitoral, uma surpresa na política monetária americana ou uma aceleração da inflação são riscos para o desempenho desses papéis neste ano. “O mercado de juros iniciou 2022 com maior volatilidade, porém, o carrego dos ativos já precifica uma parcela relevante do risco político e fiscal”, destaca o BTG.

Para o gestor da Taler, o aumento dos preços dos combustíveis por causa do petróleo e por dinâmicas de oferta e demanda no mercado interno pode trazer um risco para a inflação neste ano e afetar o desempenho dos títulos públicos, com a possibilidade de o mercado apostar em uma alta maior para taxa Selic neste ano. “Estamos vendo algumas pressões na inflação neste ano”, diz Iversson.

Quais os custos para aplicar nos títulos do Tesouro Direto?

A aplicação mínima nos papéis do Tesouro Direto é de R$ 30. Os investimentos possuem dois encargos: um cobrado pela B3 e outro pela instituição financeira.

A taxa de custódia da CBLC, paga à B3, é de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos.

Desde agosto de 2020, o Tesouro Selic passou a ser isento da taxa de custódia para aplicações até o saldo de R$ 10 mil.

Já a taxa de corretagem cobrada pela instituição financeira é livremente acordada com o investidor e, em grande parte do mercado, é nula.

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