O Tesouro Direto suspendeu a negociação dos títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) e prefixados após a forte alta das taxas diante do aumento do risco fiscal no Brasil. Por volta das 11h40, houve a suspensão da negociação desses papéis. Apenas a permissão para a compra de títulos pós-fixados atrelados à taxa Selic (Tesouro Selic) permaneceu.
Quando a volatilidade das taxas dos papéis sobe muito, o Tesouro suspende a negociação.
A alta das taxas é impulsionada por aumento da preocupação com a expansão de gastos no próximo governo. O governo negocia uma PEC (Proposta de Emenda Complementar) para abrir espaço no Orçamento de 2023 e acomodar despesas como a manutenção do Bolsa Auxílio em R$ 600 fora do teto de gastos (medida que limita a ampliação dos gastos do governo à inflação). O efeito esperado é de um gasto adicional de R$ 175 bilhões, acima do esperado pelo mercado.
Além disso, comentários do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ontem e nesta quinta-feira (10) sobre o privilégio que dará aos gastos sociais, que na visão dele são “investimentos”, também trouxeram a dúvida sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal.
Para Fábio Guarda, sócio e gestor da Galapagos Capital, essa política tem consequências negativas no médio prazo. “Lula fez um discurso inflamado, mostrando uma visão míope e de curto prazo. Os países que escolheram priorizar a estabilidade social ao invés do fiscal, como a Venezuela, sofrem consequências maiores”, diz.
Segundo ele, o mercado ainda está leniente com o novo governo, aguardando os detalhes da PEC da Transição e o anúncio da equipe econômica, principalmente do ministro da Fazenda, que só deve sair quando Lula voltar da COP 27, em dez dias.
Taxas do Tesouro IPCA+ atingem maior patamar desde julho
As taxas dos papéis Tesouro IPCA+ subiram para além de 6% nesta quinta-feira, alcançando o maior patamar desde julho. Na ocasião, o avanço ocorreu após a aprovação da PEC dos Benefícios e a incerteza sobre a política fiscal do governo que seria eleito.
A taxa do Tesouro IPCA+ para 2045 atingiu 6,27% ao ano, acima dos 5,92% no pregão anterior.
O retorno dos títulos do Tesouro IPCA+ é formado por uma taxa prefixada mais a variação da inflação. Quando a taxa do papel sobe, os preços dos títulos emitidos no mercado com um rendimento menor caem, mas o investidor só vai ter perda se vender nesses momentos de queda, antes do vencimento.
Já as taxas dos papéis prefixados subiram para perto de 13%. A do título para 2033 chegou a bater 12,98%, ante 12,17% do dia anterior, maior patamar desde agosto.
No caso dos papéis com prazos mais curtos, a alta acima do esperado do IPCA de outubro, que subiu 0,59%, contribuiu para acentuar o movimento de elevação.
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