A aposta na alta das taxas de juros diante do cenário de maior pressão inflacionária ajudou o fundo multimercado SPX Nimitz, gerido pela SPX Capital do gestor Rogério Xavier, a alcançar um ganho de 7,34% em março contra 0,93% do CDI, a melhor performance mensal da história do portfólio.
Com isso, o fundo acumula ganho de 13,15% no ano, contra 2,42% do CDI.
A posição de aposta na alta das taxas de juros globais foi o que mais contribuiu para a valorização da carteira em março, garantindo um ganho de 5,99%.
“Acreditamos que a persistência da dinâmica inflacionária atual exige taxas de juros globais elevadas. Mantemos posições favoráveis à alta nos países onde acreditamos ainda existir grande desequilíbrio entre as condições econômicas e os preços de mercado”, apontou a gestora na carta do fundo de março.
No Brasil, a SPX tem buscado ganhar com a alta das taxas de juros reais, descontada a inflação, principalmente dos papéis com vencimento intermediário.
Riscos das cadeias de produção
Segundo a gestora, a guerra na Ucrânia intensificou as pressões inflacionárias, com a inflação global de fevereiro medida pela SPX atingindo nível de 5,4% ano contra ano, o nível mais alto da série histórica acompanhada pela gestora.
“Esperamos algum arrefecimento da inflação global à frente. No entanto, não retornaremos à realidade de inflação baixa da última década”, aponta a gestora na carta de março.
Na avaliação da SPX, as interrupções na cadeia de fornecimento com a guerra na Ucrânia devem levar as empresas e países a repensarem a relação entre custos e riscos de suas cadeias de produção extremamente globalizadas.
“Essa mudança, por ser proveniente de uma nova avaliação de risco, em vez de uma avaliação de eficiência econômica, provavelmente irá reduzir as margens de lucro das empresas e aumentará o repasse da pressão dos custos para os preços. Portanto, essa mudança pode gerar mais inflação e menos crescimento”, destaca a gestora em carta.
Dessa forma, os riscos para o crescimento aumentam ainda mais e uma desaceleração econômica mais significativa se torna uma possível realidade em algumas economias ao redor do mundo. “O continente europeu será o mais afetado, seguido pela Ásia. Os Estados Unidos e as economias latino-americanas exportadoras de commodities continuarão um pouco mais resilientes”, destaca a gestora.
Brasil está protegido com alta de commodities
No caso do Brasil, por ser um exportador de commodities, o país está parcialmente protegido dos riscos de crescimento levantados acima, segundo a SPX. “A melhora dos termos de troca do Brasil gera uma melhora fiscal e de contas externas, fazendo com que o país tenha um amortecedor momentâneo para os choques, fato que já sustenta algum crescimento atualmente”, diz.
Nesse cenário, a gestora segue com posições vendidas (apostando na queda) em ações de fintechs e do setor de mineração e compradas (apostando na alta) em papéis do segmento de transporte contra o Ibovespa, além de ter alocações relativas (ou seja, apostando na diferença de desempenho entre ativos ou setores) em transportes e consumo.
A SPX vê a possibilidade de uma vitória de um candidato da terceira via como baixa, e acredita que, embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja o favorito, algumas empresas estatais precificam uma probabilidade demasiadamente baixa de o presidente Jair Bolsonaro se reeleger, especialmente considerando a melhora dele nas pesquisas.
“Temos aproveitado essas oportunidades para montar posições em empresas estatais em que a relação risco-retorno pareça atrativa”, diz a gestora na carta do fundo de ações de março.
No exterior, setores defensivos
No mercado internacional, a SPX tem se concentrado em setores mais defensivos nos EUA, em contraponto aos mais cíclicos, e na Europa tem buscado se posicionar em papéis que devem se beneficiar da exposição ao tema de transição energética e no setor de defesa, além de seguir apostando na alta das bolsas chinesas.
Na parte de commodities, a gestora segue comprada em metais industriais, preciosos e em ativos ligados a energia e crédito carbono, e encerrou a posição em grãos.
Apesar da valorização do real frente ao dólar, a SPX segue com posição comprada na moeda americana frente a uma cesta de moedas.
No mercado de crédito, a gestora aumentou o investimento em títulos de dívida com grau de investimento, de menor risco, e tem buscado papeis da América Latina de empresas com exposição a commodities.