Não conseguiu entrar nos fundos Dynamo Cougar ou Verde? Veja alternativas para investir nesses produtos

Fundos que oferecem uma carteira diversificada com vários gestores são alternativa para investir no Dynamo Cougar ou no Verde a partir de R$ 100

O fundo de ações Dynamo Cougar FIC FIA e o multimercado Verde AM 60, da gestora Verde Asset, de Luis Stuhlberger, abriram para captação neste início do ano e fecharam rapidamente após levantarem os volumes pretendidos. Mas se você perdeu a oportunidade, saiba que existem alternativas no mercado que oferecem exposição a esses fundos, mesmo com eles fechados para captação.

Alguns bancos e plataformas de investimentos oferecem fundos com uma carteira diversificada, que alocam em portfólios de gestoras renomadas como Dynamo, Verde Asset, Bogari e Atmos, que hoje estão fechadas para novas aplicações, a custo mais acessível que o exigido para entrar diretamente nesses portfólios.

O fundo da Dynamo abriu para captação em 31 de janeiro para os atuais cotistas, levantando R$ 450 milhões apenas 1 minuto e 24 segundos após a abertura. Em 2 de fevereiro, a carteira foi aberta para aportes de novos cotistas e levantou R$ 650 milhões em meros 46 segundos.

A aplicação mínima no fundo é de R$ 300 mil e apenas para investidores qualificados, que são aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos.

A grande demanda reflete o histórico de ganhos da carteira. Desde seu início, em 1º de setembro de 1993, até 31 de janeiro, o fundo acumulou valorização de 3.881.117% , o que representa uma variação anualizada de 45%, bem acima da média anualizada de 27,9% do Ibovespa.

O fundo de ações Bogari Value, por sua vez, tem aplicação mínima de R$ 150 mil e também é voltado apenas para investidores qualificados. Desde seu início até 8 de fevereiro, a carteira acumulou ganho de 698%, contra 88,5% do Ibovespa.

Já o Atmos Ações tem aplicação mínima de R$ 50 mil, embora também só possa ser acessado por investidores com patrimônio de ao menos R$ 1 milhão. O fundo acumulou retorno positivo de 773,3% desde o início até janeiro de 2022, contra alta de 68,12% do Ibovespa.

Entre os multimercados, o Verde, gerido pelo conhecido gestor Luis Stuhlberger, e o SPX Raptor, da SPX Capital, que tem Rogério Xavier entre os sócios, estão entre os mais demandados no mercado.

No caso do Verde, apesar da perda de 1,13% em 2021, a segunda da história do fundo, a carteira acumulou ganho de 18.666% desde seu início até janeiro contra 2.344% do CDI.

Já o SPX Raptor bateu de longe o CDI em 2021, acumulando alta de 20,75%, contra 4,40% do benchmark. Desde sua criação até janeiro, o fundo rendeu 546%, contra alta de 153% do CDI. A carteira, que também está fechada para captação, é voltada apenas para investidores profissionais (com patrimônio a partir de R$ 10 milhões) e exige R$ 1 milhão de aplicação mínima.

Veja a seguir os fundos que investem no Dynamo Cougar e no Verde.

Nome do fundoInstituiçãoTaxa de administraçãoTaxa de Performance Aplicação mínimaExposição ao Dynamo CougarExposição ao Verde
Seleção Guide Mult. FIC FIMGuide Gestão de Recursos0,75%20% sobre o CDIR$ 100 Sim
Seleção Guide Ações Qualificado FIC FIAGuide Gestão de Recursos1%20% sobre o IbovespaR$ 100Sim 
FoF Melhores FundosVitreo0,75%10% sobre o CDIR$ 1.000SimSim
Selection Multimercado Plus FIC FIMXP Asset0,85%20% sobre o CDIR$ 100 Sim
Selection Ações FIC FIAXP Asset2%20% sobre o IbovespaR$ 100Sim 
Itaú Seleção Multifundos PlusItaú Unibanco1,20%Não háR$ 10.000 Sim
Itaú Seleção Multifundos Aquila AçõesItaú Unibanco1%10%R$ 100Sim 
Itaú Private Aquila AçõesItaú Unibanco1%10%R$ 50.000Sim 
Itaú Multi Hedge Fund 30Itaú Unibanco1%Não háR$ 5.000 Sim
Itaú Managed Portfólio 3 FIC FIMItaú Unibanco0,75%Não háR$ 50.000 Sim
Bradesco DiversificadoBradesco1% R$ 100.000SimSim
Bradesco MultigestoresBradesco1%Não háR$ 500 SimSim
Fontes: Plataformas e bancos

Carteira diversificada a um custo acessível

A grande vantagem de investir nesses fundos de fundos é a possibilidade de ter uma carteira diversificada com produtos de grandes gestoras a um custo mais acessível. “Com R$ 100, o investidor terá uma carteira balanceada, enquanto gastaria R$ 1 milhão ou R$ 3 milhões para montar se fosse alocar diretamente nesses fundos”, afirma Nelson Muscari, coordenador de fundos da Guide Investimentos.

A carteira Guide Seleção Ações, por exemplo, investe em dez fundos, entre eles Atmos Ações, Bogari Value e Truxt Long Bias. Em janeiro, ainda tinha uma exposição de 20,8% ao fundo Dynamo Cougar.

O fundo de ações da Guide tem aplicação mínima de R$ 100 e é voltado para investidores qualificados. A carteira acumula um ganho anualizado de 17,74% desde seu início, contra alta média de 10% do Ibovespa.

Já o multimercado da Guide tem dez fundos em carteira, entre eles o Verde, com exposição de 9,8%, e o SPX Nimitiz, que responde por 8,1% do portfólio.

O fundo tem aplicação mínima de R$ 100 e é voltado para o público em geral.  Desde o início, o portfólio teve um retorno de 206% do CDI.

“Os fundos têm uma gestão ativa, em que são considerados critérios como equipe de gestão das carteiras investidas e os fundamentos, e pode haver uma mudança na composição de acordo com o cenário”, diz Muscari.

Já o Vitreo Melhores Fundos tem uma carteira diversificada, tanto em termos de gestores quanto de estratégias, e inclui desde fundos de renda fixa, como de ações e multimercado.

A gestora entrou na nova oferta do Dynamo Cougar, que deve passar a representar 3% da carteira. “Reservamos R$ 30 milhões, o máximo permitido na oferta”, diz Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo.

A carteira da Vitreo ainda conta com o multimercado Verde, por meio do veículo espelho VTR Verde AM 60 FICFIM, que responde por 9,5% do portfólio, e com o SPX Raptor, via espelho VTR SR FICFIM CrPr IE, com 3,63% da carteira. Desde o início até 7 de fevereiro, o fundo acumulou ganho de 23,99%, contra 12,81% do CDI.

A XP Asset também aproveitou a janela de captação do Dynamo Cougar para elevar a participação do produto na carteira do Selection Ações para 16%. “Hoje esse fundo é a maior posição do portfólio”, conta Samuel Ponsoni, gestor de fundos de fundos na XP Asset.

O fundo da XP ainda tem alocação em fundos de ações de gestoras como Squadra, Brasil Capital, Tork Capital, Bogari e Moat Capital, que representam, junto com o Dynamo Cougar, cerca de 80% da carteira. O restante está em fundos classificados como Ibovespa ativo, que acompanham o desempenho do índice e têm mais liquidez.

“Nosso fundo só investe em carteiras de ações long only, para investidores com horizonte de no mínimo três a quatro anos”, diz Ponsoni.

A XP também conta com outro fundo, o Selection Multimercado Plus, que aloca em portfólios de renomados gestores que seguem diferentes estratégias, entre eles o Verde, que responde por cerca de 5% do portfólio, o Zeta, da Kapitalo, e o Kadima High Vol. Esses dois últimos são voltados para investidores qualificados e estão fechados para captação.

“Temos uma carteira pulverizada com 14 fundos e, em geral, procuramos não ter uma posição maior que 15% em nenhum deles”, diz Ponsoni.

Além do acesso a carteiras que estão fechadas a um custo mais acessível, Ponsoni destaca a vantagem de os fundos da XP terem um prazo menor para resgate, de D+ 32 dias no caso do Selection Multimercado Plus, e de D+13 no caso do Selection Ações. O Squadra Long Only, por exemplo, tem um prazo de resgate de D+60, compara.

Gestão ativa sem Imposto de Renda

“A vantagem do fundo de fundos é que o investidor tem acesso a uma carteira diversificada em que o gestor pode trocar de fundo e o cotista não paga Imposto de Renda com essa mudança”, afirma a planejadora financeira Leticia Camargo.

Ela destaca que, para ter acesso a esse benefício em fundo exclusivo, montado de acordo com o perfil do investidor, o volume de investimento para compensar os custos seria bem mais elevado, acima de R$ 10 milhões. “Há até alguns family offices com carteiras diversificadas de fundos que alocam em outros gestores, que o investidor pode acessar”, diz Camargo.

A planejadora destaca, no entanto, que a alocação em determinados fundos pode ser diluída, conforme o patrimônio dessas carteiras cresce.

Pela regra da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os fundos destinados a investidores em geral podem aplicar até 20% da carteira em portfólios destinados a investidores qualificados, lembra Knudsen, da Vitreo.

Para não diluir muito as posições, a ideia da Vitreo é captar mais pelo menos R$ 300 milhões no FOF Melhores Fundos, que soma cerca de R$ 890 milhões de patrimônio, afirma Knudsen.

Fundos de fundos podem ter custo maior

Quando o investidor opta por aplicar via fundo de fundos, é importante ficar atento aos custos. Além das taxas de administração e algumas vezes de performance cobradas pelas carteiras, há os custos de administração que os fundos pagam para os gestores nos quais investem.

É uma prática comum na indústria os gestores devolverem parte do valor cobrado de taxas de administração e performance para os fundos que investem neles, o chamado rebate. “É como se fosse um cashback, em que o dinheiro que é devolvido fica para o fundo de fundos”, diz Knudsen.

Há portfólios, porém, como o Dynamo Cougar, que não costumam aderir a essa prática, o que pode elevar o custo de um fundo de fundos para os investidores finais.

Por exemplo, no fundo Selection Ações, da XP, a taxa de administração é de 1%, mas o custo efetivo total para o cotista, em 7 de fevereiro, estava em 2,3%. Já no caso do Selection Multimercado Plus, a taxa de administração era de 0,85%, com custo efetivo total de 2,11%. Outros fundos de fundos também têm um custo efetivo maior que a taxa de administração,  que depende de quanto de rebate eles conseguem nas carteiras que eles investem.

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