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Inflação acima do esperado pesa e Ibovespa cai, fechando semana no negativo

Inflação acima do esperado pesa e Ibovespa cai, fechando semana no negativo

Com recuo de 1,72%, saldo da semana é de baixa de 2,44%

Gráficos de ações

Foto: Shutterstock

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Depois de ensaiar uma recuperação durante a manhã, o Ibovespa não resistiu aos dados de inflação piores do que o esperado, que elevam as projeções para o IPCA e para a taxa Selic ao fim de 2022.

No último pregão com fechamento às 18h, o Ibovespa teve queda de 1,72%, aos 111.713 pontos, com R$ 22,1 bilhões em volume negociado. Com isso, o índice encerrou a semana com recuo de 2,44%. O saldo para março foi para queda de 1,24%, enquanto o balanço de 2022 segue no positivo, com alta de 6,57%.

A partir de segunda-feira, o horário de encerramento das negociações voltará a ser às 17h, e também haverá a retomada do after-market. A abertura da sessão continuará sendo às 10h.

A alta do Ibovespa durante a manhã seguiu a tendência positiva do exterior, com os mercados reagindo às falas do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de que houve progressos nas negociações com a Ucrânia. Porém, o ânimo externo também não durou.

Em Nova York, o Nasdaq fechou em baixa de 2,18%, o S&P 500 caiu 1,29% e o Dow Jones recuou 0,69%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve ganhos de 0,97%.

Mais inflação à vista

O bom humor matinal do mercado brasileiro foi posto em xeque pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de fevereiro, que subiu 1,01%, a maior alta para o mês desde 2015. A alta representa uma aceleração em relação a janeiro, quando o avanço havia sido de 0,54%, e veio acima do esperado por analistas de mercado – a expectativa de especialistas consultados pela Reuters era de um aumento de 0,96%.

Vale ressaltar que a última leitura de inflação ainda não incorpora a disparada recente das commodities e os reajustes anunciados ontem pela Petrobras, o que significa que a pressão de preços deve se intensificar entre março e abril.

O salto de matérias primas essenciais como petróleo, trigo e aço faz com que algumas instituições financeiras já esperem um cenário que era pouco provável antes do agravamento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, projetando alta de preços de 7% e uma taxa Selic de mais de 13% no final de 2022.

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Em meio a preocupações com a inflação, o governo começou a agir para controlar os preços dos combustíveis, tema que vinha sendo discutido há semanas.

Na noite de ontem, o Senado e a Câmara aprovaram o projeto de lei que altera a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis e permite a desoneração do PIS/Cofins cobrado sobre diesel, biodiesel, gás natural e querosene de aviação. O texto ainda precisa ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.

A avaliação da Ativa Investimentos, em comentários ao mercado, é que isso seria positivo para a Petrobras. “Reduções de ICMS e PIS/Cofins teriam condições de mitigar dois terços do repasse protelado ontem pela companhia, mitigando assim maiores pressões quanto à política de paridade e sem alterá-la”, apontam.

Ainda ontem, o Senado aprovou um projeto de lei que cria uma conta de estabilização de preços por meio de um fundo que será alimentado pelos dividendos da estatal. O projeto envolve também um auxílio-gasolina que deve custar R$ 3 bilhões. Esta medida, por sua vez, ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados, além de pelo presidente.

Na sequência desta aprovação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que a criação de um subsídio para o diesel poderia ser possível em caso de um prolongamento na guerra entre Rússia e Ucrânia.

A visão de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, é que esta ainda é uma medida distante. “Para tal seria necessário decretar calamidade pública, mas para isso seria necessário tê-la, efetivamente, o que ainda parece distante”, explica.

Em meio à alta do petróleo, ao reajuste de preços e aos debates em torno do preço dos combustíveis, as ações da Petrobras fecharam o pregão em baixa: os papéis ON (PETR3) caíram 2,36% e os PN (PETR4), 3,59%.

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Diante do banho de sangue no Ibovespa, nem mesmo as mineradoras e siderúrgicas foram capaz de se salvar, ainda que o minério de ferro tenha subido 5,9% no pregão e 1,2% na semana. Vale (VALE3) fechou em baixa de 0,52%.

Instituições de pagamento sob ameaça

Em outra decisão importante, o Banco Central divulgou um conjunto de novas regras para instituições de pagamento prevendo menos requisitos regulatórios para empresas de pequeno porte e mais exigências para companhias de grande porte.

Na prática, as novas regras estendem para os conglomerados liderados por instituições de pagamento exigências que hoje existem para conglomerados de instituições financeiras, o que afeta companhias como Cielo (CIEL3) e GetNet (GETT11), que caíram 0,8% e 4,35%, respectivamente.

Em linhas gerais, estas exigências determinam que, quanto maior for o conglomerado, mais reservas de capital deve possuir. Além disso, impedem que ativos com baixa liquidez ou difíceis de precificar – como créditos tributários – sejam contabilizados como reservas.

Destaques do pregão

No fechamento, as maiores quedas do Ibovespa eram de MRV (MRVE3), Méliuz (CASH3) e Marfrig (MRFG3), com perdas de 11,89%, 8,37% e 6,85%, nesta ordem.

O tombo da MRV vem acompanhado de seus pares do setor de construção, que caiu em bloco, refletindo os resultados da Tenda (TEND3) para o quarto trimestre de 2021, considerados fracos. Fora do Ibovespa, a Tenda despencou X%.

“O resultado foi impactado pela inflação de custos e a desaceleração da receita líquida, em consequência de menor andamento de obras decorrente de revisão orçamentária”, disseram analistas da Ativa Investimentos em comentários ao mercado.

No setor, outros destaques negativos foram Eztec (EZTC3), que caiu 6,44%, e Direcional (DIRR3), com perdas de 6,8%.

Fora do Ibovespa, o Grupo Mateus (GMAT3) despencou 13,7% na sequência dos resultados do quarto trimestre, em que registrou lucro líquido de R$ 208 milhões, alta de 7,6% em relação ao mesmo período de 2020. No acumulado do ano, o lucro foi 5,9% superior ao reportado no ano anterior, em R$ 769 milhões.

Outro tombo foi de Lojas Quero-Quero (LJQQ3), que registrou lucro líquido de R$ 25,1 milhões no trimestre, valor 28% inferior ao anotado um ano antes. Em 2021, o resultado foi de R$ 68,2 milhões, leve alta anual de 0,5%. A ação caiu 13,12%.

Em dia negativo para todos os setores, poucas empresas foram capazes de fechar o pregão no verde. Destas, as maiores altas foram de Vivo (VIVT3), Tim (TIMS3) e Klabin (KLBN11), com avanços de 1,16%, 0,95% e 0,87%, respectivamente.

As altas de Vivo e Tim são reflexo da sessão de julgamento de ontem no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que analisou embargos de declaração contra a venda da Oi Móvel – a venda foi mantida, com remédios.

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