Ibovespa segue em baixa com perda de fôlego no exterior

Aceleração na disseminação da Ômicron assusta bolsas internacionais

Foto: Amanda Perobelli

O Ibovespa tinha baixa de 0,48% por volta das 13h15 desta quarta-feira, dia 29, aos 104.364 pontos. A maioria das ações que compõe o índice seguia a toada, operando no vermelho.

O índice brasileiro acompanha a movimentação do exterior, onde as bolsas perderam fôlego, quebrando o famoso “rali do Papai Noel”, diante do aumento da preocupação com a disseminação da variante Ômicron do coronavírus.

Os Estados Unidos registraram recorde no número médio de casos diários de Covid-19 nos últimos sete dias, em 258.312, de acordo com levantamento da Reuters.

Em Wall Street, o Nasdaq tinha baixa de 0,46%, enquanto S&P 500 e Dow Jones se seguravam em leves altas de 0,04% a 0,13%, respectivamente. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 caía 0,65%, o DAX, da Alemanha, perdia 0,69%, e o FTSE 100, de Londres, subia 0,65% no primeiro dia de negociação depois do feriado de Natal.

No cenário econômico, a principal divulgação do dia foi o IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado) de dezembro, que teve alta de 0,87%, fechando o ano em alta acumulada de 17,78%. O número veio acima do esperado pelo mercado – os analistas ouvidos pelo Banco Central (BC) que mais acertam as projeções apostavam em elevação de 0,8%.

A alta foi puxada por commodities, em especial a aceleração dos preços da carne bovina, café e cana-de-açúcar.

Na avaliação dos analistas do BTG Pactual Digital, o IGP-M deve fechar 2022 em alta de 6,3%. “Esperamos a manutenção dos preços dos combustíveis nos patamares atuais, mas alguma pressão de queda nos preços para o setor agrícola, visto que, segundo estimativa da Conab [Companhia Nacional de Abastecimento], podemos ter uma safra brasileira de grãos recorde”.

Apesar da expectativa de perda de ímpeto do índice, a avaliação é que há desafios à frente. “Novos choques climáticos, gargalos produtivos e o real desvalorizado podem impactar negativamente a inflação ao produtor.”

Em ações, a B3 divulgou a terceira e última prévia da carteira do Ibovespa válida para os meses de janeiro a abril de 2022. A novidade em relação às prévias anteriores é a entrada das ações da 3R Petroleum (RRRP3) no índice. Os papéis da Positivo (POSI3), que haviam sido incluídos na primeira prévia, e os ativos da CSN Mineração (CMIN3), adicionados na segunda, foram mantidos.

Grupo Soma (SOMA3), Iguatemi (IGTI11) e Vibra Energia (VBBR3) também estão entre os novos integrantes. Por outro lado, as units da Getnet (GETT11) e as ações preferenciais do Banco Inter (BIDI4) saíram do principal índice da bolsa brasileira.

A nova composição do Ibovespa conta com 93 ativos, de 91 na carteira de agosto a dezembro. Também houve alteração no peso de alguns componentes.

Destaques do pregão

As maiores baixas do Ibovespa eram de Gol (GOLL4), Qualicorp (QUAL3) e Azul (AZUL4), com perdas de 5,15%, 4,82% e 4,62%, respectivamente. Na outra ponta, BR Malls (BRML3), Banco Pan (BPAN4) e Tim (TIMS3) registravam as maiores altas, ganhando 1,72%, 0,86% e 0,86%.

BR Malls e Aliansce Sonae (ALSO3) subiam depois de confirmarem o início de conversas preliminares para uma potencial combinação de negócios. O papel da Aliansce tinha alta de 1,93%, a R$ 21,61.

Em comunicado ao mercado, a Aliansce disse que sua estratégia é “seguir buscando oportunidades de crescimento, fortalecendo seu portfólio com ativos complementares, por meio de combinações de negócios e aquisições de shoppings líderes em suas regiões de atuação”.

Segundo a Genial Investimentos, no caso de uma fusão, a nova empresa seria a maior do setor de shoppings do Brasil, com valor de mercado de R$ 13 bilhões e área bruta locável própria de 1,6 milhão de metros quadrados, quase 10% do total de área de shoppings no país.

Iguatemi (IGTI11), Multiplan (MULT3) e JHSF (JHSF3), por sua vez, caíam em reação à possível combinação de negócios de suas concorrentes. Iguatemi tinha baixa de 3,46%, a R$ 18,12, Multiplan perdia 1,33%, a R$ 18,5, e JHSF recuava 1,43%, a R$ 5,51.

Em outro setor, a Vale (VALE3) esclareceu, após dias de rumores, que não existe qualquer decisão, acordo com compromisso sobre uma possível aquisição de participação no sistema Minas-Rio, da Anglo American. A ação da blue chip tinha alta de 0,94%, a R$ 77,52, recuperando-se da forte queda no dia anterior.

Ainda entre as mineradoras, a Mineração Usiminas, controlada da Usiminas (USIM5), informou que produziu o nível recorde de mais de 9 milhões de toneladas de minério de ferro em 2021. O papel da Usiminas operava em alta de 0,14%, a R$ 14,77.

Outra importante notícia diz respeito ao avanço dos planos de Movida (MOVI3) para incorporar a unidade de gestão de frotas de veículos da CS Participações, com a aprovação da operação pelos acionistas das duas companhias. A transação, anunciada em fevereiro, já havia sido considerada positiva por especialistas.

Segundo a XP, a incorporação da CS Frotas deve transformar a Movida na segunda maior locadora de frotas do Brasil. A Genial Investimentos, por sua vez, destacou que a reorganização administrativa tem como objetivo a transferência da linha de GTF leves – veículos automotores leves sem condutor – da CS para a Movida, o que deve fazer a companhia crescer.

Apesar da notícia, a ação da Movida caía 2,37%, a R$ 16,06.

A Petrobras (PETR4), por sua vez, tinha recuo de 0,17%, a R$ 28,73, depois de informar que irá recorrer da decisão da Justiça do Rio de Janeiro que suspendeu o reajuste de 50% no preço do gás fornecido à distribuidora Naturgy. Segundo a estatal, o reajuste está de acordo com contratos firmados com as distribuidoras e segue a alta demanda e as limitações da oferta internacional, que resultaram em um aumento de preço.

A MRV (MRVE3) também aparece entre as baixas do índice, com queda de 0,25%, a R$ 11,76, mesmo depois de anunciar a mais recente venda de um empreendimento nos Estados Unidos, com lucro bruto de US$ 27,4 milhões. Com a venda da vez, a empresa acumula receita de US$ 149 milhões em propriedades vendidas nos EUA neste trimestre, com lucro bruto de US$ 63 milhões ao todo.

Na análise do BTG Pactual, em relatório distribuído nesta quarta-feira, as vendas feitas pela MRV nos EUA devem gerar ganhos de cerca de R$ 350 milhões no trimestre e têm potencial para ajudar a MRV a diminuir sua dívida. A empresa tem uma dívida líquida de 39% em relação ao seu patrimônio, estima o BTG.

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