Depois de seis altas consecutivas, o Ibovespa voltou a fechar no vermelho nesta quinta-feira (12), dia em que o rombo de R$ 20 bilhões nas contas da Americanas (AMER3) monopolizou o noticiário do mercado financeiro.
Na seara política, os investidores digerem os primeiros anúncios do Ministério da Fazenda para a sustentabilidade das contas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo um novo plano para a negociação de dívidas pelas empresas.
Diante disso, o principal indicador da Bolsa brasileira encerrou o pregão em queda de 0,59%, aos 111.850 pontos e R$ 21,76 bilhões em volume negociado.
O desempenho faz o Ibovespa acumular alta de 2,64% na semana, enquanto desde o começo do ano, a valorização é de 1,02%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.
Americanas implode
Como já era esperado, as ações da Americanas (AMER3) derreteram 77,33% em repercussão à descoberta de “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões nos balanços da varejista, conforme nota divulgada ao mercado na véspera.
O rombo levou ao pedido de renúncia do CEO, Sergio Rial, que havia assumido a cadeira há menos de 11 dias, além da revisão de recomendações de aquisição dos papéis por uma série de corretoras e bancos.
Os papéis da varejista ficaram em leilão durante a maior parte do dia, e retornaram definitivamente para o pregão por volta das 15h50, com desvalorização de quase 80%, a R$ 2,80.
A inconsistência dos números significa que o endividamento real da Americanas é substancialmente maior do que o reportado, e a expectativa é de que a empresa precise captar bilhões de reais para se manter solvente.
Saiba mais:
O ex-presidente da companhia disse em teleconferência com os investidores que a forma como a Americanas reportava as dívidas era uma prática de décadas – por isso o valor elevado – e que não necessariamente o método está errado.
A bomba da Americanas rebateu em diversas outras empresas que têm participação direta ou indireta com a questão, sendo correlacionadas ao setor varejista e ao e-commerce.
A Méliuz (CASH3), perdeu 5,83%, enquanto Hapvida (HAPV3) caiu 5,44% e a Via Varejo (VIIA3) fechou com desvalorização de 5,39%.
Haddad anuncia primeiras medidas da Fazenda
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou as primeiras diretrizes da pasta para questões tributárias e revisões de gastos. As medidas visam o aumento da arrecadação e queda das despesas, que, juntamente com a revisão das receitas previstas para 2023, permitiria um superávit primário de R$ 11,13 bilhões neste ano – o Orçamento prevê um rombo de R$ 231,5 bilhões.
“Não são propostas, são medidas. As primeiras medidas deste governo na área econômica para endereçar um problema que temos que enfrentar”, declarou o ministro, se referindo ao déficit primário projetado para 2022. O novo comandante da economia apresentou as medidas ao lado da ministra do Planejamento, Simone Tebet.
De acordo com o ministério, as decisões, que serão tomadas através de medidas provisórias e decretos presidenciais, permitirão elevar a arrecadação permanente em R$ 83,28 bilhões em 2022 e em R$ 120,93 bilhões em 2024.
Também foi apresentado o programa “Litígio Zero”, com descontos em multas, juros e valor do tributo, com direito a parcelamento em até 12 meses. O “Refis” do novo governo Lula procura reduzir o volume de processos nas instâncias recursais.
Altas do dia
As ações da Magazine Luiza (MGLU3) lideraram o pregão, com alta de 5,28%. Após abrirem em queda, os papéis passaram para o campo positivo com a percepção do mercado de que os aportes retirados da Americanas sejam direcionados à concorrente.
O mesmo efeito colocou a Lojas Renner (LREN3) entre os maiores ganhos do dia, com avanço de 2,02%. Também no grupo de alta, destaque para a CRR (CCRO3), com avanço de 2,55% e Energisa (ENGI11), que subiu 2,31%.
Mercado global e criptos
Lá fora, os mercados globais fecharam em alta, repercutindo uma inflação em queda nos Estados Unidos. Em Wall Street, o Dow Jones ganhou 0,64%, enquanto o S&P 500 subiu 0,34% e a Nasdaq subiu 0,64%. Na Europa, o Euro Stoxx 50 fechou em alta de 0,66%.
A inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) recuou 0,1% em dezembro, em um cenário um pouco melhor do que a estabilidade esperada pelo mercado, dando sinais de que a maior economia do mundo começa a esfriar.
Na comparação anual, a alta foi de 6,5%, também em linha com a expectativa da mediana dos investidores, o menor aumento na comparação em 12 meses desde outubro de 2021.
Os investidores têm precificado que o Federal Reserve diminua o ritmo de seus aumentos nas taxas de juros na próxima reunião no início de fevereiro, mas os formuladores de políticas têm feito questão de deixar claro que tal decisão depende de dados sobre inflação e emprego no país.
A expectativa de juros menos agressivos também deu novo gás para as criptomoedas, que passaram pelo maior dia de valorização de 2023.
Por volta das 17h15, o Bitcoin (BTC) subia 7,6% em comparação as últimas 24 horas, negociado a US$ 18,864, segundo dados da plataforma CoinGecko. Na mesma hora, o Ethereum (ETH) tinha valorização de 6,3%, a US$ 1,426.