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Ibovespa fecha em alta de 0,2% com ajuda de petroleiras, mas sob o peso da queda de bancos

Ibovespa fecha em alta de 0,2% com ajuda de petroleiras, mas sob o peso da queda de bancos

Desde o início do mês, índice acumula ganho de apenas 0,49%; saldo do ano é de alta de 7,29%

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Ajudado por dados de inflação em linha com o esperado e pela recuperação das ações das petroleiras, a Bolsa brasileira passou o dia rondando a estabilidade e fechou em leve alta, apesar da queda dos papéis de grandes bancos, reflexo da decepção do mercado com o balanço do Bradesco (BBDC4).

O Ibovespa, principal índice da Bolsa, encerrou o pregão desta quarta-feira (9) com avanço de 0,2%, aos 112.461 pontos, com R$ 25,9 bilhões em volume negociado. Desde o início de fevereiro, o Ibovespa acumula ganhos de 0,49%, enquanto o saldo do ano é de alta de 7,29%.

Petroleiras ajudam mais uma vez

Depois de amanhecer em queda, seguindo a afirmação do presidente francês Emmanuel Macron de que teria recebido garantias de Vladmir Putin, presidente da Rússia, de que não haveria uma escalada nas ações contra a Ucrânia, o preço do petróleo Brent voltou a subir e fechou em alta de 0,85%, a US$ 91,55.

Mais uma vez, a alta da commodity impulsionou as petroleiras brasileiras. Petrobras (PETR4) fechou com valorização de 0,38%, PetroRio (PRIO3) subiu 2,64% e 3R Petroleum (RRRP3) avançou 2,05%.

A alta da PetroRio relfletiu também o aumento de 2,1% na produção da empresa em janeiro em relação a dezembro, alcançando 34.897 barris de óleo equivalente por dia. O relatório de produção e vendas da Petrobras no quarto trimestre será divulgado ainda nesta quarta.

Os preços do minério de ferro, por sua vez, fecharam em queda, depois de o governo chinês prometer atuar contra o que considera ser “especulação” com a commodity, de acordo com a agência de notícias Reuters. Apesar disso, a Vale (VALE3) teve leve alta de 0,02%, a R$ 91,41.

Destaques do pregão

No fechamento do Ibovespa, as maiores altas partiram de Natura (NTCO3), Azul (AZUL4) e Minerva (BEEF3), que subiram 7,83%, 6,44% e 5,85%, respectivamente. Na outra ponta, Bradesco ON (BBDC3), Bradesco PN (BBDC4) e Itaú (ITUB4) lideraram as quedas, com perdas de 8,8%, 8,58% e 3,98%.

A alta nas ações de varejo, como a Natura, segue o exterior positivo e a divulgação do IPCA dentro das estimativas, segundo a equipe da Ativa Investimentos. Para o analista Gustavo Akamine, da Constância Investimentos, o movimento acompanha o fechamento da parte mais alta da curva de juros americana.

“As performances positivas hoje também se relacionam com a expectativa de crescimento que o setor tinha anteriormente, mas foi prejudicado pelo aumento da taxa aqui no Brasil. Quando você vê uma sinalização de fechamento de juros lá fora, ajuda o mercado interno”, pontuou Akamine.

A forte alta da Azul ocorreu em meio à divulgação de dados que mostram que seu tráfego de passageiros diminuiu em janeiro na comparação com dezembro – após a empresa ter sido obrigada a cancelar voos em função do afastamento de funcionários contaminados com Covid-19 -, mas cresceu ante igual período de 2021.

As empresas de shoppings subiram em bloco, depois de a Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers) informar que as vendas do setor mostraram uma recuperação relevante no ano passado, de 23,6%, na comparação com 2020. Os números, porém, seguem abaixo do nível anterior à chegada da pandemia. No setor, destaque para Aliansce Sonae (ALSO3) e brMalls (BRML3), com valorizações de 2,4% e 1,83%.

Em mais um capítulo da novela envolvendo a Oi, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, com restrições, a compra da Oi Móvel por Claro, Vivo e Tim. As compradoras terão de cumprir uma série de medidas, como o aluguel de uma parcela do espectro adquirido no negócio, segundo informações do Estado de S. Paulo. A notícia é positiva para todas as operadoras envolvidas: TIM (TIMS3) ganhou 5,06% e Vivo (VIVT3) teve alta de 2,72%.

Na direção oposta, os grandes bancos caíram em bloco, limitando a alta do Ibovespa, depois do balanço do Bradesco (BBDC4), que ficou abaixo das estimativas do mercado, devido à queda na receita com tarifas e ao nível elevado de despesas para se proteger de perdas com empréstimo.

O banco encerrou o último trimestre do ano passado com lucro líquido recorrente de R$ 6,6 bilhões, queda de 2,8% em relação a igual período do ano anterior. Além de Bradesco e Itaú, Santander (SANB11) teve baixa de 2,13% e Banco do Brasil (BBAS3), de 0,87%.

A Klabin (KLBN11) ainda caiu 0,56% depois de registrar lucro líquido consolidado de R$ 1,05 bilhão no quarto trimestre de 2021, queda de 21% no comparativo com o mesmo período do ano anterior, quando o valor alcançou R$ 1,32 bilhão. A baixa no lucro se deve ao resultado financeiro da empresa, que foi influenciado negativamente pelas despesas operacionais e pela variação cambial líquida.

Inflação dentro do esperado ajuda a segurar o índice

Indicador oficial da variação de preços no Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou o ritmo de alta e avançou 0,54% em janeiro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira. Em dezembro, o índice havia subido 0,73%.

O resultado ficou em linha com o esperado por analistas, mas o aumento foi o maior para meses de janeiro desde 2016.

Esse dado é extremamente importante para o mercado, porque o principal objetivo do Banco Central (BC) ao aumentar ou reduzir a taxa básica de juros da economia é controlar os preços, e a autoridade monetária olha principalmente para o IPCA.

O BC vem subindo rapidamente os juros desde março de 2021 e indicou, na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que continuará a elevar a taxa, ainda que em ritmo menor.

Apesar de ver surpresa baixista no número final, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, chama atenção para os núcleos que compõem o IPCA, que surpreenderam para cima, “denotando que a dinâmica inflacionária segue ruim”.

Depois da divulgação do IPCA, o presidente Jair Bolsonaro prometeu mais uma vez empenho do governo contra a inflação durante discurso no Rio Grande do Norte. O presidente também voltou a criticar a política de preços da Petrobras e a culpar os governadores pelo preço dos combustíveis.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, deu declarações contraditórias às de Bolsonaro em entrevista à CNN Brasil nesta quarta. Mourão afirmou que a alta dos preços do combustível se deve à desvalorização do real e ao aumento do preço do petróleo, e não à política da Petrobras.

Fiscal, por outro lado, continua a preocupar

A polêmica em torno da PEC dos Combustíveis não perde fôlego. Na terça-feira (8), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que, por enquanto, trabalhará apenas com o projeto que cria um fundo de estabilização dos preços e com o projeto sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aprovado na Câmara, sem olhar para a PEC.

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, afirmou que o governo não deve enviar uma proposta com intenção de diminuir ou zerar impostos sobre os combustíveis, de modo que o projeto deve ser assumido pelo congresso.

O relator de dois projetos sobre o tema, o senador Jean Raul Prates (PT-RN), afirmou que as tratativas e negociações em torno de uma solução para diminuir o preço dos combustíveis seguem avançando no Congresso, segundo reportagem da Agência Senado. A expectativa dele é que um pacote de medidas sobre o tema seja apresentando em até dez dias.

A ideia, diz o senador, é aprovar um pacote de medidas e garantir redução de ao menos R$ 0,50 no custo do diesel e da gasolina nas bombas e de até R$ 10 no gás de cozinha.

Ainda no âmbito fiscal, o Ministério da Economia informou que os projetos para redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aguardarão a tramitação dos projetos sobre combustíveis, que, como têm impacto fiscal relevante, são vistos como prioridade pelo legislativo, segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico.

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