Ibovespa ensaia recuperação, mas acompanha EUA e fecha em baixa de 0,68%

Bolsa brasileira seguiu o exterior, com os investidores avaliando o risco de recessão

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock

Depois de amargar fortes perdas no pregão de segunda-feira, o Ibovespa passou boa parte da sessão desta terça (27) em território positivo, mas perdeu força ao longo da tarde e fechou em baixa de 0,68%, aos 108.376 pontos, com R$ 21,87 bilhões em volume negociado.

O mesmo movimento ocorreu nas Bolsas estrangeiras, que chegaram a subir parte do pregão, mas encerraram o dia em baixa. Em Nova York, o Nasdaq teve alta de 0,25%, mas o S&P 500 caiu 0,21% e o Dow Jones recuou 0,43%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 somou perdas de 0,42%.

Com a queda de hoje, o saldo do Ibovespa para o mês de setembro passou para baixa de 1,05%, enquanto a valorização acumulada desde o início do ano agora soma 3,39%.

Ao redor do mundo, os mercados permanecem em clima de tensão, enquanto os investidores avaliam o risco de recessão econômica global.

Política e economia

O Ibovespa sofre ainda com o clima de cautela antes do primeiro turno das eleições, que irá ocorrer neste domingo (2). De acordo com a mais recente pesquisa do Ipec, divulgada ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança, com 52% das intenções de voto ante 31% do presidente Jair Bolsonaro.

Caso o cenário se confirme, Lula venceria a disputa já na primeira etapa das eleições, e os investidores temem a possível reação dos eleitores de Bolsonaro. Ontem, o presidente afirmou que é impossível uma vitória do rival já na semana que vem, e voltou a dizer que reconhecerá o resultado somente se as eleições forem “limpas”.

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Na frente econômica, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), divulgada nesta terça-feira, reforçou que o BC está vigilante com a inflação e que o colegiado não hesitará em retomar o ciclo de alta da Selic se necessário.

Na última reunião, na semana passada, o comitê decidiu manter a Selic nos atuais 13,75% ao ano, encerrando um ciclo de aperto nos juros iniciado em março de 2021, com a taxa no piso histórico de 2% ao ano.

Além disso, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caiu 0,37% em setembro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça. Em agosto, o indicador também havia recuado, em 0,73%.

No acumulado do ano, o IPCA-15 registra alta de 4,63%, enquanto nos últimos 12 meses a taxa desacelerou para 7,96%, abaixo dos 9,6% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. O resultado mostrou uma queda mensal ligeiramente maior que a esperada pelo mercado, que previa recuo de 0,2%, segundo o consenso da Refinitiv.

Commodities se destacam

No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de Gerdau (GGBR4), BTG Pactual (BPAC11) e Suzano (SUZB3), com avanços de 2,59%, 2,18% e 2,05%, respectivamente. As principais baixas, por sua vez, foram de Alpargatas (ALPA4), Positivo (POSI3), e Dexco (DXCO3), com recuos de 4,84%, 4,82% e 4,6%, nesta ordem.

As commodities se beneficiaram de uma pausa no rali do dólar, que registrou valorização recente diante do sentimento de aversão ao risco. Assim, o petróleo Brent teve alta de 2,43%, a US$ 84,87 por barril, ajudado também pela notícia de vazamentos nos gasodutos Nord Stream.

O minério de ferro, por sua vez, subiu 1,13% em Dalian, na China, a US$ 100,23 por tonelada, impulsionado ainda pelo otimismo em relação à demanda da China.

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Os papéis de mineradoras e siderúrgicas brasileiras, porém, não resistiram ao sentimento de aversão ao risco, e recuaram em bloco, com exceção para Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4). Entre as quedas, destaque para CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5), com recuos de 1,79% e 0,83%, respectivamente.

Já a Suzano, que acumula queda de mais de 20% no ano, foi tema de um relatório publicado nesta terça pelo Itaú BBA.

Nele, os analistas avaliam que, mesmo que os investidores estejam preocupados com possíveis quedas nos preços de celulose no curto prazo, os recuos recentes do papel podem ser um “bom ponto de entrada para ações do setor”.

Criptomoedas

O mercado cripto acompanhou o movimento das principais Bolsas globais de ensaio de recuperação e nova queda ao longo do dia, enquanto os investidores seguem à espera de dados da economia e da inflação americana que serão divulgados nesta semana.

Por volta das 16h50, o Bitcoin (BTC) registrava baixa de 3,7%, negociado a US$ 19.059, segundo dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

Na mesma hora, o Ethereum (ETH) tinha queda de 3%, vendido a US$ 1.322, conforme informações da Binance.

O movimento de gangorra reflete o forte temor dos investidores após nova alta dos juros americanos, combinado com o sentimento de fuga de ativos no Reino Unido após a forte desvalorização da libra no mercado internacional.

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