Desde o início do ano, as ações das produtoras de papel e celulose Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11) acumulam desvalorização de 29% – na contramão dos preços da celulose de fibra curta (hardwood) na China, que somam alta de 50% no mesmo período.
Com isso, a avaliação de analistas do Itaú BBA é que as ações já precificam uma potencial queda no preço da commodity – e que, nos níveis atuais, os papéis se encontram em um ponto de entrada atrativo.
Por volta das 15h, Suzano operava em alta de 2,29% e registrava uma das maiores altas entre os componentes do Ibovespa. Klabin subia 0,28%.
“Enquanto investidores estão preocupados com potenciais declínios nos preços da celulose no curto prazo, achamos que este movimento está ao menos parcialmente precificado, e vemos um bom ponto de entrada para ambas as ações”, escreveram Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares, Edgard Pinto de Souza e Barbara Soares, analistas do BBA, em relatório distribuído nesta terça-feira (27).
Analisando o valor total da companhia sobre as toneladas produzidas (métrica conhecida como EV/tonelada), o Itaú BBA aponta que, no caso da Suzano, os US$ 1.640 por tonelada de celulose estão um desvio padrão abaixo da média histórica, nível alcançado pela última vez em março de 2020, quando o preço da celulose era de US$ 460 por tonelada – contra US$ 860 hoje.
Assim, para que a métrica retorne para a média, a ação deveria ser cotada a R$ 52, valor 25% superior ao patamar atual de preço do papel, de acordo com o banco.
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As ações da Klabin, por sua vez, deveriam enfrentar menor volatilidade, considerando a resiliência de suas operações de papel e conversão, mas este não tem sido o caso, na avaliação do BBA.
Por outro lado, a companhia também tem uma maior exposição à celulose de fibra longa (softwood), que acumula alta de 21% no ano, menor do que a valorização da celulose de fibra longa.
Os analistas do Itaú BBA têm classificação de outperfom para ambas as ações – ou seja, projetam um desempenho superior à média do mercado. No caso da Suzano, o preço-alvo fixado pelo banco é de R$ 63, o que representa alta de 48% em relação ao valor do papel no fechamento da última segunda-feira (26), de R$ 42,46.
Já o preço-alvo dos analistas para a ação da Klabin é de R$ 24 – potencial de alta de 33% na comparação com o valor do último fechamento, de R$ 18,04.