Em meio a temores de Selic mais alta, Ibovespa fecha em leve alta com alívio de Petrobras (PETR4)

Índice fechou com avanço de 0,21%, aos 112.234 pontos

Foto: Reprodução Facebook

Depois da divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central), temores de que a taxa básica de juros, a Selic, termine o ciclo em uma alta maior do que a prevista pressionaram o Ibovespa, mas o índice conseguiu fechar em território positivo com o apoio das ações da Petrobras, que devolveram parte das perdas que tiveram ao longo do dia.

O Ibovespa fechou o dia em alta de 0,21%, aos 112.234 pontos, com R$ 19,71 bilhões em volume negociado. No ano até aqui, o saldo é de alta de 7,07%, enquanto a variação de fevereiro é de ganho de 0,29%.

O petróleo teve forte queda no pregão de hoje, com o Brent fechando em baixa de 2,06%, a US$ 90,78 o barril, refletindo o avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, podendo chegar à retirada de sanções americanas sobre o país.

Apesar disso, a Petrobras (PETR4) conseguiu reverter parte das perdas registradas ao longo do dia, quando chegou a R$ 31,26 na mínima, e fechou em baixa de 1%, a R$ 31,83, ajudando a inverter o sinal do Ibovespa, que passou boa parte do pregão no negativo.

“Embora a negociação possa aumentar a oferta global, as negociações se arrastam por mais de um ano desde que o presidente Joe Biden assumiu o cargo, e conseguir que ambos os lados assinem um acordo será difícil”, afirma a XP Investimentos em relatório.

Do lado contrário, o minério de ferro disparou depois de o governo chinês dar mais cinco anos para o setor de siderurgia cumprir a meta de redução de emissão de carbono, segundo a agência de notícias Bloomberg. Com isso, hoje foi mais um dia em que a Vale (VALE3) ajudou a sustentar o Ibovespa perto da estabilidade. A mineradora fechou o pregão em alta de 1,4%.

Selic mais alta à frente?

A ata da última reunião do Copom, que na semana passada elevou a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual, a 10,75% ao ano, e indicou redução do ritmo de aumento dos juros, atesta que as incertezas em torno da inflação e o atual estágio do ciclo de aumento dos juros não permitem a sinalização da magnitude das próximas altas na Selic.

“A incerteza particularmente elevada sobre os preços de importantes ativos e commodities, assim como o estágio do ciclo, fez o comitê considerar mais adequado, neste momento, não sinalizar a magnitude dos seus próximos ajustes”, afirmou o colegiado no documento, divulgado na manhã de hoje.

Na avaliação de economistas, o BC depende de muitos fatores ainda indefinidos para determinar o tamanho das altas daqui para a frente. Além da inflação, a política monetária nos Estados Unidos, a política fiscal no Brasil e até conflitos geopolíticos que afetam a cotação do petróleo são alguns deles.

A ata veio em linha com o comunicado divulgado pelo comitê, mas as diferenças apontam para uma postura mais hawhisk (mais inclinado ao aperto monetário) do que havia sido precificado, na análise de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, citando a sinalização de que, para buscar a convergência das expectativas de inflação para a meta, a autoridade deveria ter um ciclo mais austero do que o precificado pelo Boletim Focus.

“Trata-se de um reconhecimento que visa restabelecer a credibilidade do regime de metas. De todo modo, avalio que o mercado hoje passará a precificar algo mais salgado do que tinha ontem para a reunião de maio”, afirmou o economista, em comentários ao mercado.

O que mais mexeu no mercado?

O mercado também opera na expectativa pelo balanço do Bradesco (BBDC4), que será publicado após o fechamento. A expectativa é que os resultados fiquem perto da estabilidade. Em meio à espera, a ação do banco fechou em baixa de 0,57%.

No campo político, a PEC dos Combustíveis segue no radar. A proposta que tramita no Senado abre caminho para gastos de até R$ 17,7 bilhões neste ano, o que foge das regras de sustentabilidade das contas públicas. Os recursos devem ser utilizados para criar um “vale diesel” para caminhoneiros, subsidiar tarifas de ônibus urbanos e ampliar o vale-gás.

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Além do aumento de gastos, a equipe de analistas da Genial Investimentos aponta outra possível consequência da PEC: a desvalorização cambial. “Com a aprovação da PEC, teremos um aumento de déficit primário do setor público e aumento da dívida como proporção do PIB. Com isto, o risco fiscal aumentará, o que deverá levar a mais desvalorização do real frente ao dólar, pressão inflacionária e aumento das taxas de juros acima do já projetado neste momento”, disse a Genial em comentários ao mercado.

Destaques do pregão

No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de Banco Inter (BIDI11), Banco Pan (BPAN4) e Natura (NTCO3), que subiram 8,13%, 7,88% e 5,36%, respectivamente. Na ponta oposta, Hapvida (HAPV3), brMalls (BRML3) e Petz (PETZ3) lideraram as perdas, com recuos de 3,97%, 3,64% e 3,37%.

A disparada do Banco Pan vem depois da divulgação do balanço, que mostrou que o lucro do banco aumentou 11% no quarto trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 190 milhões, refletindo o crescimento da margem financeira e a expansão dos negócios da companhia.

A alta na Natura, por sua vez, segue análise positiva da gestora Verde Asset. Em documento enviado a clientes nesta terça-feira, citado por matéria do portal Money Times, a gestora disse ver a empresa com bons olhos, apesar das expectativas pessimistas para o resultado de curto prazo.

“Acreditamos que a Natura ainda está no estágio inicial de uma profunda transformação, calcada, principalmente, em dois pilares. As mesmas lideranças que comandaram a renovação da Natura Brasil a partir de 2016 estão à frente da reestruturação da Avon, empresa adquirida em 2020”, aponta o Verde, segundo o portal.

Fora do Ibovespa, outra empresa que surfou na divulgação do balanço foi a Porto Seguro (PSSA3), que fechou em alta de 3,58%. Apesar de ter reportado resultados mistos no quarto trimestre, com queda anual no lucro líquido, o crescimento de receita anotado pela companhia animou o mercado e deixou analistas otimistas com a ação no longo prazo.

Os frigoríficos subiram na esteira de bons resultados da americana Tyson Foods, o que aumenta as perspectivas para os balanços das brasileiras, que são expostas ao mercado dos EUA. Destaque para JBS (JBSS3), que subiu 4,62%, e Marfrig (MRFG3), com alta de 4,98%.

A forte queda da ação da brMalls, por outro lado, veio um dia depois de circular na imprensa a notícia de que a empresa retomou negociações para comprar a fatia da Ancar em alguns shoppings, em troca de participação acionária. Segundo apuração do site Pipeline, do Valor Econômico, a brMalls tem interesse em comprar a participação da Ancar em cinco ou seis shoppings.

Segundo uma fonte disse ao Pipeline, o negócio seria de cerca de R$ 2,5 bilhões. Se o negócio for realizado via participação acionária na brMalls, os donos da Ancar – Ivanhoé (do fundo canadense CDPQ) e a família Carvalho – poderiam chegar a ter uma fatia de 25%, na cotação atual.

Hapvida e Intermédica, que perderam 3,97% e 3,15%, respectivamente, deram sequência às quedas do pregão anterior, ainda refletindo a decepção do mercado com a divulgação das empresas das sinergias esperadas de seu processo de fusão.

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A novela do caso da Oi Móvel segue como um dos principais destaques corporativos. Segundo reportagem do jornal O Globo, os diretores da Oi (OIBR3) estão receosos com o desenrolar da venda dos ativos para Tim (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Claro. De acordo com o jornal, os executivos também se questionam sobre as consequências que a possível não aprovação da operação poderia ter para a venda de outros ativos.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aprovou em janeiro a venda da Oi Móvel para a aliança formada por Vivo, Tim e Claro, vai revisar a aprovação dos negócios, de acordo com informações do jornal O Globo. A agência foi acionada pela Copel Telecom, que alegou ilegalidade na decisão prévia.

A agência ainda não estabeleceu uma data para a reunião de seu Conselho Diretor que deverá revisar a venda. Mas, de acordo com o Globo, o processo pode se arrastar até depois do primeiro trimestre. A operação também precisa de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que está em processo de análise da negociação e deverá deliberar na quarta-feira (9).

O dia foi positivo no exterior. Em Nova York, o Nasdaq avançou 1,28%, o Dow Jones subiu 1,06% e o S&P 500 teve ganhos de 0,84%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 registrou alta de 0,21%.

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