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Commodities garantem mais uma alta para o Ibovespa; Petrobras sobe mais de 3%

Commodities garantem mais uma alta para o Ibovespa; Petrobras sobe mais de 3%

Petróleo teve avanço de 7%, impulsionando ações de empresas do setor

Foto de tanque da Petrobras, com logo

Foto: Shutterstock

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A disparada nos preços das commodities, impulsionadas por notícias desanimadoras sobre a guerra na Ucrânia, ajudou o Ibovespa a engatar mais uma alta – a quarta seguida -, depois de acumular valorização de 4,9% na semana passada.

O principal índice da Bolsa de valores brasileira fechou o pregão desta segunda-feira (21) em alta de 0,73%, aos 116.155 pontos, com R$ 5,62 bilhões em volume negociado. No ano até aqui, o saldo é de valorização de 10,81%, enquanto os ganhos desde o início de março somam 2,66%.

As Bolsas do exterior tiveram desempenho oposto. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,04%, o Dow Jones teve baixa de 0,58% e o Nasdaq perdeu 0,40%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve recuo de 0,53%.

Fim da guerra parece distante

No leste europeu, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia não dá sinais de trégua. Nesta segunda-feira, o Kremlin afirmou que as negociações ainda não tiveram nenhum progresso significativo. De um lado, segundo a agência de notícias Reuters, a Rússia diz que a Ucrânia tem paralisado as conversas ao fazer propostas inaceitáveis. De outro, a Ucrânia diz que não se renderá ou aceitará ultimatos.

Enquanto isso, no campo de batalha, a severidade da guerra aumentou. A Rússia passou a bombardear a Ucrânia com mais frequência e com equipamentos mais sofisticados – inclusive mísseis hipersônicos.

O petróleo voltou a disparar em meio a notícias de que a União Europeia estaria considerando impor sanções ao petróleo russo. O Brent terminou o dia em alta de 7,12%, a US$ 115,62.

Nesta segunda-feira, os ministros das Relações Exteriores da Lituânia e a Irlanda afirmaram, antes de uma reunião entre autoridades da UE, que o bloco econômico deve intensificar as sanções à Rússia para atingir seu setor de energia. Outros ministros confirmaram que estão ocorrendo discussões sobre o tema.

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Outro fator que pesou sobre o mercado da commodity foi o ataque de rebeldes do Iêmen a uma refinaria de petróleo saudita, que teve suas atividades temporariamente suspensas.

A Petrobras, porém, não escapou dos debates de que vem sendo alvo nas últimas semanas. Agora, uma matéria do jornal Valor Econômico indica que especialistas vêm questionando a independência do novo conselho da estatal, depois de o governo ter apresentado uma lista com indicações de oito nomes que se dizem “neutros”.

“Embora não acreditemos num real impacto nas ações em função da colocação em xeque da independência dos nomes de conselheiros indicados, tal situação é negativa para a companhia, que já é negociada atualmente com desconto devido ao risco político, que pode ficar maior com a condução de menos membros independentes ao conselho”, afirmam os analistas da Ativa Investimentos em comentários ao mercado.

Em outra frente, o presidente Jair Bolsonaro voltou a rechaçar a possibilidade de interferência na petroleira e culpou corrupção dentro da empresa, somada ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), pelo aumento nos preços dos combustíveis. As declarações foram feitas em entrevista à Jovem Pan.

O minério de ferro, por sua vez, teve alta de 1% na bolsa de Dalian, com os ganhos limitados pelo recente surto de Covid-19 na China, que afetou o pico da demanda sazonal e interrompeu a produção.

Com a alta das duas commodities, as maiores altas do Ibovespa no fechamento eram de Petrobras (PETR4), 3R Petroleum (RRRP3) e Bradespar (BRAP4), com ganhos de 3,76%, 3,7% e 3,49%, respectivamente.

Inflação e juros permanecem em cena

Outro assunto que ficou no radar foi a política monetária dos Estados Unidos, depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter aumentado os juros do país em 0,25 ponto percentual. Na tarde de hoje, o presidente da instituição, Jerome Powell, afirmou que o Fed pode subir os juros mais rapidamente para conter a inflação, o que mandou as Bolsas americanas para o vermelho.

Por aqui, o mercado está à espera da ata da última reunião do Copom, que será publicada na terça-feira. Depois de o colegiado ter elevado a taxa básica de juros a 11,75% na semana passada, analistas de mercado consultados para o Boletim Focus elevaram suas projeções para a Selic de 2023 para 9% ao ano. Na semana anterior, a expectativa era de 8,75%. Para 2022, os especialistas ouvidos apostam em uma taxa básica de 13% ao ano, ante projeção anterior de 12,75%.

Para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), os economistas agora projetam 6,59% no final de 2022 (ante estimativa anterior de 6,45%) e 3,75% no final de 2023 (a expectativa média anterior era de 3,70%).

Além disso, as medidas fiscais do ministério da Economia seguem gerando debate. O ministro Paulo Guedes disse que a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) poderá sofrer uma nova redução, com o corte passando de 25% para 35%.

Outras iniciativas no radar do ministério são a redução da tributação sobre o frete marítimo, o corte do Imposto de Renda sobre investimentos de estrangeiros em títulos privados de renda fixa e a eliminação da Cida de remessas ao exterior. De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o impacto fiscal destas três medidas é estimado em R$ 6 bilhões.

Por outro lado, as quedas de ações de techs e varejistas caíram em bloco diante da possibilidade de inflação e juros mais altos – o que foi acentuado pelas falas de Powell nesta tarde. As maiores quedas do índice foram de Banco Inter (BIDI11), Dexco (DXCO3) e Braskem (BRKM5), com recuos de 8,88%, 4,42% e 4,22%.

Finalmente, estarão em foco os balanços de JBS (JBSS3), Eneva e Unidas (LCAM3), que serão publicados após o fechamento de hoje.

 

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