Com ajuda de petrolíferas, Ibovespa desafia pares estrangeiros e fecha em alta de 0,02%

Com perspectivas de corte de produção, petróleo sobe 4%, impulsionando as ações do setor

Foto: Shutterstock

Com as Bolsas estrangeiras ainda repercutindo as falas do presidente do banco central americano na última sexta-feira (26), o Ibovespa surfou na onda de valorização do petróleo e fechou o pregão em alta, desafiando seus pares estrangeiros.

O principal índice da B3 encerrou a sessão com avanço de 0,02%, aos 112.323 pontos, com R$ 16,07 bilhões em volume negociado. Com isso, o saldo do Ibovespa no mês de agosto passou para alta de 8,88%, enquanto a valorização acumulada desde o início do ano soma 7,16%.

O dia foi bem diferente para as Bolsas estrangeiras, que seguem repercutindo o discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell, na conferência de Jackson Hole na última sexta-feira.

Em Nova York, o S&P 500 teve baixa de 0,67%, o Dow Jones caiu 0,57% e o Nasdaq recuou 1,02%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,92%.

Política monetária em foco

Em fala curta e direta, Powell subiu o tom contra a alta de preços, e desiludiu os investidores ao indicar que os juros americanos ficarão em um patamar elevado por mais tempo para levar a inflação à meta de 2%.

Assim, a volatilidade deve se manter elevada nos mercados globais nos próximos dias, e a expectativa é que as apostas para as próximas decisões do Fed só devem se ajustar um pouco mais na próxima sexta-feira (2), quando será divulgado o payroll de agosto, com dados de criação de vagas de emprego e ganho médio por hora.

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No cenário doméstico, as perspectivas para a política monetária seguiram curso contrário após a divulgação do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) na manhã de hoje.

Os dados mostraram que o ritmo de criação de empregos no Brasil desacelerou em julho, com a economia criando 218,9 mil postos de trabalho com carteira assinada. Em junho, haviam sido criadas 278,7 mil vagas formais no país.

Para Larissa Quaresma, analista da Empiricus, o resultado indica que a alta dos juros promovida pelo BC desde o ano passado já se reflete na atividade econômica e sinaliza que o movimento de alta dos juros deve ser encerrado no atual patamar de 13,75% ao ano.

“Os dados de emprego vieram positivo, mas abaixo do esperado. Isso significa que o nosso Banco Central não pode ser mais agressivo na alta dos juros”, explica Quaresma.

Os analistas ouvidos semanalmente pelo BC (Banco Central) no Boletim Focus também mantiveram inalteradas suas expectativas para a Selic tanto para o final deste ano, em 13,75%, quando para o final do ano que vem, em 11%.

Em relação à inflação, os especialistas reduziram suas expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2023 para 5,3%, de 5,33% na semana anterior. Para 2022, as expectativas foram reduzidas de 6,82% para 6,7%.

As projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2022 foram elevadas para 2,1%, de 2,02% na semana passada, mas as apostas para o crescimento de 2023 foram reduzidas, de 0,39% para 0,37%. Os analistas continuam a esperar, em média, um câmbio de R$ 5,20 tanto para 2022 quanto para 2023.

Petróleo impulsiona Ibovespa

Divergindo do movimento das bolsas internacionais, os preços do petróleo Brent subiram 3,96% nesta segunda-feira, a US$ 102,93 por barril, em meio a receios de que países produtores diminuam a oferta da commodity.

As ameaças de corte de produção ficaram mais enfáticas na semana passada, quando o ministro de Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, disse que a Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) poderia diminuir a produção para amenizar a volatilidade dos preços. A mensagem continuou ecoando nos mercados nesta semana.

Os investidores também reagiram a notícia de mais conflitos internos na Líbia, país cuja exportação de petróleo chegou a ser interrompida por três meses por causa de desavenças entre grupos políticos opositores.

Neste contexto, as ações de petrolíferas brasileiras dispararam nesta segunda, ajudando a sustentar a alta do Ibovespa. No fechamento, Petrobras ON (PETR3) tinha alta de 2,16%, Petrobras PN (PETR4) subia 2,5%, Prio (PRIO3) ganhava 2,52% e 3R Petroleum (RRRP3) avançava 1,94%.

Na noite de ontem, a Petrobras comunicou que não recusou nenhuma proposta feita pelo BTG Pactual (BPAC11) para adquirir a Braskem (BRKM5), em resposta a uma nota divulgada pelo colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim.

A estatal reafirmou que sua participação na Braskem ainda faz parte da lista de ativos que estão à venda, conforme plano estratégico para os anos de 2022 a 2026.

Além disso, a estatal informou, na tarde de hoje, que vai reduzir em 15,7% o preço da gasolina de aviação para as distribuidoras. Esta é a segunda redução consecutiva que a estatal faz no preço do combustível, que havia tido uma queda de 5,7% no início de agosto.

Outros destaques do pregão

Ainda que as petrolíferas tenham sido as principais responsáveis por sustentar a alta do Ibovespa, as ações que mais subiram no pregão foram as de Banco Pan (BPAN4), Vibra (VBBR3) e CVC (CVCB3), com avanços de 10,74%, 2,88% e 2,62%, respectivamente.

Na ponta negativa, os papéis que mais caíram foram os de IRB (IRBR3), Usiminas (USIM5) e Hapvida (HAPV3), com recuos de 5,58%, 5,19% e 4,84%, nesta ordem.

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As siderúrgicas e as mineradoras recuaram em bloco, seguindo a desvalorização de 1,38% do minério negociado na Bolsa de Dalian, fechando a US$103,2 por tonelada. A queda da commodity é reflexo de novos temores em relação à desaceleração econômica na China.

Além da Usiminas, destaque para CSN (CSNA3) e Vale (VALE3), com quedas de 3,4% e 1,94%, respectivamente.

A queda da Hapvida, por sua vez, reflete a retomada no Senado do debate sobre o projeto de lei que obriga planos de saúde a cobrirem tratamentos não previstos pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

O projeto dá à lista de procedimentos cobertos pelos planos de saúde um caráter exemplificativo, e não taxativo, como defendem as empresas. Para as associações ligadas a pacientes que utilizam remédios e procedimentos ainda não incorporados à lista, a adoção do rol taxativo significa deixar os doentes sem tratamento.

Criptomoedas

O Bitcoin (BTC) recuperou a faixa dos US$ 20 mil nesta segunda-feira após estender para o fim de semana o clima de perdas desencadeado na sexta-feira (26), na esteira do discurso mais duro do presidente do Fed.

O freio na queda vai na contramão das principais Bolsas globais, que voltaram a fechar no vermelho neste início de semana.

Para Edward Moya, analista sênior de mercados da Oanda, o descolamento de Wall Street será um sinal de forte resistência para o mercado.

“Os touros de criptografia serão testados aqui, pois as chances de maior aversão ao risco são altas, dada a trajetória da economia global”, escreveu Moya, em relatório.

O alívio, no entanto, deve ser momentâneo. Para analistas, os próximos dias serão de muita volatilidade para as criptos por conta da divulgação de importantes indicadores econômicos.

A taxa de desemprego americana, que será publicada na próxima sexta, é o principal deles por dar sinais da saúde da maior economia do mundo – e se a alta dos juros mais agressiva realmente se faz necessária.

Por volta das 16h50, o BTC operava próximo da estabilidade, com leve alta de 0,4%, negociado a US$ 20.180, conforme dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

O Ethereum (ETH) seguia com recuperação ainda mais forte, de 2,2%, negociado a US$ 1.535.

A segunda maior moeda do mercado retomou parte do fluxo positivo das últimas semanas com a expectativa do mercado pela atualização da blockchain, confirmado para o próximo dia 15.

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