Após três altas consecutivas, Ibovespa recua no pregão que marca a despedida da Americanas (AMER3)

Por volta das 13h35 o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,62% e operava aos 112.219 pontos

Foto: Shutterstock/Bigc Studio

Após três altas consecutivas, o Ibovespa opera em baixa no último pregão da semana, descolando do movimento no exterior, pressionado pela baixa de Petrobras (PETR4) e ações do setor bancário, que possuem grande peso no índice, além de indefinições na política econômica.

Por volta das 13h35 o principal índice da Bolsa brasileira caía 0,62% e operava aos 112.219 pontos.

Na ponta negativa, a ação da Americanas (AMER3) perdia 12% e liderava as perdas em sua despedida do Ibovespa. A B3 (B3SA3), dona da Bolsa brasileira, informou o mercado nesta quinta-feira (19) que o papel da varejista será excluído de todos os índices. A medida entrará em vigor após o fechamento do pregão desta sexta-feira (20).

A medida foi tomada após a Americanas entrar com seu pedido de recuperação judicial com uma dívida de R$ 43 bilhões na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. Pedido este que foi aceito pela justiça também na quinta.

Os índices que a empresa deixará de fazer parte são: Ibovespa (IBOV), IGCX, ICO2, ICON, IBXX, IGCT, IGNM, IBRA, IVBX, ISEE, ITAG, SMLL, IBXL e GPTW.

Inclusive, em nota enviado ao mercado nesta manhã, a B3 informou que excepcionalmente o fechamento dos ativos AMER3 e AMER3F, pertencentes a Americanas, vão iniciar às 17h30.

Na opinião de Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos, o que mais impacta e preocupa os investidores nesse imbróglio é que “ninguém sabe o que vai acontecer por conta da recuperação judicial”.

Na véspera, os papéis da empresa recuaram 42,5% e atingiram o valor de R$ 1. Desde quinta passada, quando o pesadelo começou, os papéis já caíram mais de 90%.

Ainda no destaque de baixas, a Rede D’Or (RDOR3) perdia 5%, após subir muito ontem, enquanto Cosan (CSAN3) recuava 4,18% e Raízen (RAIZ4) caía 3%.

Dentre as ações de maior peso, os bancos recuavam praticamente em bloco. Itaú (ITUB4) perdia 1,43%, Bradesco (BBDC4) caía 0,61% e Santander (SANB11) apontava em 1% para baixo.

Cena política no radar

Além dos fatos setoriais relacionados a empresas, o mercado também está de olho no cenário político, segundo Cohen.

Na última quarta-feira (18), o presidente Lula questionou a independência do BC (Banco Central) e a meta de inflação. Contudo, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, acalmou os ânimos do mercado e declarou que o Executivo não tem planos para mudar as relações com a autoridade monetária.

“O mercado está apreensivo também aguardando possíveis novas falas de Lula após encontro dele com o presidente da Fiesp. Temos que acompanhar também o desenrolar do discurso de Lula que o mercado não gostou”, afirma o analista.

Altas da Bolsa

A ação da BRF (BRFS3) recuperava parte das perdas vistas ontem e avançava 3,78% nesta sexta. Os papéis do frigorífico, vale ressaltar, somam queda de cerca de 15% desde o início do ano, enquanto a desvalorização em 12 meses se aproxima de 70%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

A corrosão dos números vista desde ano passado é explicada em parte pelo alto nível de alavancagem da empresa, ou seja, a tomada de mais dinheiro do que se tem disponível para arcar com a operação do negócio. Em paralelo aos juros, a empresa viu a sua rentabilidade diminuir nos últimos anos com a disparada da inflação, sobretudo dos alimentos.

Depois do frigorífico, a CSN (CSNA3) avançava 2,70%. O BofA aumentou os preços-alvo para os papéis da companhia e da CSN Mineração (CMIN3) ao projetar maior rentabilidade para as empresas, em meio a preços em alta do minério de ferro e do aço. A mineradora avançava 1,50%.

O preço-alvo do banco para CSNA3 subiu em 25%, para R$ 20 ao fim de 2023, o que embute uma valorização da ordem de 15% frente ao valor de fechamento de quinta-feira (19). Para o papel CMIN3, o preço-alvo aumentou em quase 24%, para R$ 4,70, mesmo valor do fechamento de quinta.

Para a CSN, os analistas veem perspectivas de retorno de caixa “mais atraentes” em 2023, e vislumbram um dividend yield de 15% neste ano, além de um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) maior no quarto trimestre de 2022.

No caso da CSN Mineração, a empresa projeta um Ebitda de R$ 1,5 bilhão no último trimestre do ano passado, um valor 69% maior frente ao visto no terceiro trimestre, impulsionado por “melhores preços do minério de ferro”.

O minério, vale ressaltar, apresentou um movimento de forte alta desde o começo do último trimestre de 2022. Em outubro, era cotado na faixa de US$ 80. Nesta sexta, a tonelada do minério negociado na bolsa de Dalian, na China, teve alta de 1,76%, cotada a US$ 127,61. 

Segundo o analista e co-fundador da Escola de Investimentos, essa alta do minério também contribui para o movimento positivo de mineradoras e siderúrgicas. Além da CSN e da CSN Mineração, Usiminas (USIM5) subia 1,85% e Vale (VALE3) apontava em 0,51% para cima.

O papel do Banco do Brasil (BBAS3) se descolava do movimento negativo dos seus pares setoriais e subia 2,53%. A instituição divulgou na noite desta quinta que seu conselho de administração aprovou o payout, ou seja, a porcentagem do lucro que será distribuído aos acionistas via juros sobre o capital próprio (JCP) ou dividendos. O banco pagará 40% do que lucrar em 2023 para seus investidores.

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Bolsas internacionais

Lá fora, os mercados operam no campo positivo. Nos Estados Unidos, o mercado ainda digere discursos feitos ao longo da semana por autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que acabaram alimentando temores de uma recessão no país.

Na véspera, a vice-presidente do órgão, Lael Brainard, disse que as taxas de juros precisam permanecer elevadas por um período prolongado para desaquecer a inflação.

Ainda em solo americano, o mercado recebeu com bons olhos o balanço da Netflix (NFLX34) divulgado na noite de ontem. O faturamento da empresa de streaming atingiu US$ 7,85 bilhões, exatamente o estimado por Wall Street, alta de 1,9% na comparação anual. O lucro por ação da Netflix, na mesma base comparativa, caiu de US$ 1,33 para US$ 0,12.

A perda nos ganhos por ação foi mais do que compensada pela adição líquida de usuários pagantes em todo o mundo. Ao todo, foram 7,66 milhões, ante 4,57 milhões de adições esperadas pelos investidores. Atualmente, são 231 milhões de assinaturas.

Veja a performance dos mercados externos:

Índice Local Desempenho
Dow Jones EUA +0,40%
Nasaq EUA +0,89%
S&P 500 EUA +1,44%
Euro Stoxx 50* Zona do Euro +0,28%

*O índice europeu opera próximo ao fechamento.

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