A manutenção dos juros elevados e a inflação cedendo de forma lenta dão força para a espiral negativa que derrubam as ações da BRF (BRFS3) desde o ano passado.
Nesta quinta-feira (19), por volta de 16h50, a ação ordinária da empresa tinha queda de 1,89%, a R$ 7,78. Com isso, os papéis do frigorífico somam queda de 15,2% desde o início do ano, enquanto a desvalorização em 12 meses se aproxima de 70%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.
Atualmente, a empresa tem um valor de mercado na ordem de R$ 9 bilhões, cerca de R$ 24 bilhões a menos do que valia em meados de 2021.
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A corrosão dos números é explicada em parte pelo alto nível de alavancagem da empresa, ou seja, a tomada de mais dinheiro do que se tem disponível para arcar com a operação do negócio.
Com o aumento da Selic ao atual patamar de 13,75% ao ano, os juros da dívida ficam ainda mais pesados, comprometendo a já combalida situação financeira.
Em paralelo aos juros, a empresa viu a sua rentabilidade diminuir nos últimos anos com a disparada da inflação, sobretudo dos alimentos. Com preços mais elevados, os consumidores passam a comprar menos, derrubando as margens de lucro da empresa.
“Também tivemos eventos climáticos que levaram a quebra de safra, e isso trouxe mais pressão de custos para a BRF. E a perda de rentabilidade nos últimos meses afetou muito os resultados, e, obviamente, o mercado acabou batendo nisso”, explica Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos.
A Terra Investimentos também destaca a situação negativa da BRF ante outras empresas do setor. A Marfrig (MRFG3) registra queda de 1,66% desde o início do ano, enquanto a JBS (JBSS3) soma alta de 18,75%.
“Entre seus pares, a BRF é a empresa com maior alavancagem e teve seus resultados pressionados nos últimos trimestres pelas despesas financeiras”, destacam os analistas Régis Chinchila e Luis Novaes.