Americanas (AMER3) formaliza pedido de recuperação judicial alegando R$ 43 bilhões em dívidas

Os acionistas de referência da empresa informaram que "pretendem manter a liquidez" da companhia

Foto: Shutterstock/ImagensstockBR

A Americanas (AMER3) formalizou há pouco, em fato relevante arquivado na CVM, seu pedido de recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro. A negociação das ações está suspensa inicialmente até 14h16 (a última ocorreu às 13h55).

A Americanas alega R$ 43 bilhões em créditos listados que serão alvo de reorganização nos próximos anos.  

Há uma semana, a companhia revelava ao mercado a descoberta de R$ 20 bilhões em incosistências contábeis, que teriam sido registradas em contas incorretas nos balanços dos últimos exercícios.

No princípio, o ex-CEO, Sergio Rial, que puxou a comunicação junto aos investidores, disse que tudo havia passado pelos balanços nos últimos anos, mas que os valores apenas tinham sido contabilizados em lugares diferentes, o que acabou mitigando a real dívida bancária da companhia durante todo esse tempo. 

Agora, a empresa possui dívidas na ordem de R$ 43 bilhões, diferentemente do endividamento bruto reportado em setembro de 2022, quando estava na casa dos R$ 19 bilhões. São 16,3 mil credores. 

Com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de pouco mais de R$ 3 bilhões nos 12 meses anteriores ao terceiro trimestre do ano passado, nesses moldes, a dívida é impagável.

A empresa argumenta, no fato relevante, que o pedido de RJ considera os desafios da empresa junto aos credores; a necessidade de entendimento de todas as partes envolvidas; a redução abrupta do montante em caixa; e a necessidade da continuidade das operações. 

Os acionistas de referência da empresa — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, da 3G Capital — informaram ao conselho de administração que “pretendem manter a liquidez” da companhia para garantir o funcionamento dos negócios. 

A fintech Ame não entrou no pedido de recuperação judicial, com a varejista alegando que sua controlada é um dos “maiores vetores de renda” do grupo. Com isso, a Americanas poderia, em tese, continuar abastecendo o caixa da fintech e usar os recursos gerados pela Ame.

De acordo com o art. nº 61 da Lei nº 11.101/2005, a recuperação judicial deverá ter o prazo máximo de dois anos. Na prática, esse prazo pode ser estendido com autorização da Justiça.

Esse é o quarto maior pedido de RJ da história do Brasil, ficando atrás de Odebrecht (R$ 98,5 bilhões), Oi (R$ 65,4 bilhões) e Samarco (R$ 50 bilhões).

De imediato, a empresa deve ser retirada de todos os índices que faz parte, como o Ibovespa e o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial).

Antes de terem as negociações paralisadas, as ações da Americanas registravam queda de 24,7% na Bolsa, a R$ 1,31. Nos últimos 12 meses, os papéis perderam 95,9% de seu valor.

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