Americanas (AMER3) revela inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões; Rial pede para sair

Companhia instaurou conselho independente para apurar circunstâncias; executivo ficou 11 dias no cargo

Foto: Shutterstock/thiago bacelar

A Americanas (AMER3) anunciou na noite desta quarta-feira (11) a saída de Sergio Rial, recém-empossado diretor-presidente da companhia, após a descoberta de inconsistências contábeis na conta fornecedores em exercícios anteriores, incluindo o exercício de 2022, na ordem de R$ 20 bilhões.

Rial deixou a presidência do Santander Brasil no ano passado e assumiu o cargo na varejista no início deste ano.

Com a decisão, o conselho de administração nomeou interinamente para os dois cargos João Guerra, executivo de carreira da Americanas nas áreas de tecnologia e recursos humanos. Segundo a companhia, Guerra não tem envolvimento anterior na gestão contábil ou financeira.

A Americanas disse ainda que a “análise preliminar” que estima o valor de R$ 20 bilhões é datada de 30 de setembro do ano passado.

“A companhia estima que o efeito caixa dessas inconsistências seja imaterial. Neste momento, não é possível determinar todos os impactos de tais inconsistências na demonstração de resultado e no balanço patrimonial da companhia”, informou a Americanas.

Entre as inconsistências detectadas, a contabilidade da varejista identificou a existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem de R$ 20 bilhões, nas quais a empresa é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta fornecedores.

“As estimativas acima estão sujeitas a confirmações e ajustes decorrentes da conclusão de trabalhos de apuração e dos trabalhos a serem realizados pelos auditores independentes, após o que será possível determinar adequadamente todos os impactos que tais inconsistências terão nas demonstrações financeiras da companhia”, diz o comunicado.

Os próximos passos

Em comunicado enviado ao mercado, a Americanas explicou que, diante disso, foi instaurado um comitê independente para apurar as circunstâncias. Além do executivo, André Covre, que tinha chegado junto com Rial, também deixou o cargo de diretor de relações com investidores.

“Os acionistas de referência da Americanas, presentes no quadro acionário há mais de 40 anos, informaram ao conselho de administração que pretendem continuar suportando a companhia, tendo Sergio Rial como seu assessor nesse processo, prestando apoio na condução dos trabalhos”.

 

 

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