O secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, afirmou que a paralisação de dois dias dos servidores do Tesouro Nacional por reajuste salarial gera preocupação, até porque o órgão é responsável por uma série de serviços essenciais, como leilões e pagamento da dívida pública, repasses de recursos e operações de créditos a estados e municípios.
Afirmou, entretanto, que o órgão possui um plano de contingência para situações como essa.
“Como toda a instituição mais estruturada, o Tesouro tem um plano de contingência, temos compromisso com os serviços essenciais”, afirmou. “Temos atividades importantes, como leilões da dívida pública, pagamento da dívida pública, programação financeira, repasses de recursos e relacionamento de operações de crédito com estados e municípios”.
O secretário apresentou nesta quarta-feira (30) o relatório do Tesouro de fevereiro – os dados mostraram déficit primário de R$ 20,6 bilhões no mês, um pouco acima do rombo esperado por analistas de mercado.
Valle defendeu que o governo trabalhe com uma solução única para todo o funcionalismo. “O importante é ter uma solução que não gere desalinhamento entre carreiras. Sempre que uma carreira é mais beneficiada que a outra, o movimento tende a ficar mais radical”.
A mobilização dos servidores públicos começou após o governo prometer utilizar a folga existente no Orçamento de 2022, de R$ 1,7 bilhão, para reajustar somente os salários de uma categoria: os policiais federais.
Dois dias de paralisação
Os servidores do Tesouro Nacional aprovaram, em assembleia realizada nesta terça-feira (29), dois dias de paralisação das atividades: o primeiro na sexta (1º) e o segundo na terça-feira da semana que vem (5). A categoria, que reivindica aumento salarial, também decidiu intensificar a chama “operação padrão”, que resulta em morosidade nos processos internos.
Nesses dois dias, haverá greve geral. Na terça da semana que vem, os servidores irão votar a possibilidade de uma paralisação definitiva, de acordo com o Unacon Sindical (Sindicato Nacional dos Auditores e Técnicos Federais de Finanças e Controle).
“Na última sexta, 25, houve, ainda, atraso no pagamento dos títulos vencidos do Tesouro Direto. A medida motivou a abertura de vários chamados na Subsecretaria da Dívida Pública”, afirmou o sindicato, por meio de nota.
O Tesouro negou, por meio de sua assessoria imprensa, que tenha havido atrasos nesses pagamentos.
Servidores do BC entrarão em greve
No final da tarde desta segunda (28), os funcionários do Banco Central aprovaram greve por tempo indeterminado a partir de 1º de abril. A reivindicação acontece após o governo conceder um aumento de R$ 1,7 bilhão somente aos policiais federais.
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A operação padrão que vem sendo realizada já vem forçando o órgão a adiar e cancelar a divulgação de dados importantes que estavam previstos para esta semana.
Se o governo decidir conceder um aumento de 5% a todo o funcionalismo, os custos para os cofres públicos seriam de R$ 20 bilhões ao ano, segundo cálculos da IFI (Instituição Fiscal Independente).