Influenciada pela queda no preço da energia elétrica, a inflação desacelerou nas duas primeiras semanas de maio, avançando 0,59%, de acordo com dados do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados há pouco pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar da perda de ritmo, o número veio acima do esperado por analistas de mercado ouvidos pela Reuters, que esperavam uma alta de 0,45% no índice. O IPCA-15 de abril mostrou alta de 1,73%.
No acumulado em 12 meses, a inflação sobe 12,20%, acima dos 12,03% registrados em abril.
“Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento nos preços, exceto habitação (-3,85%), influenciado pela queda de 14,09% na energia elétrica”, afirmou o IBGE em nota de divulgação da pesquisa.
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De acordo com o instituto de pesquisas, a maior alta veio de saúde e cuidados pessoais (aumento de 2,19%), que contribuiu com 0,27 p.p. no índice de maio.
“O item de maior influência no grupo e no IPCA-15 de maio foi produtos farmacêuticos, com aumento de 5,24% nos preços (e 0,17 p.p. de impacto no resultado), registrado após o reajuste de até 10,89% autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Também pressionaram o resultado do grupo os itens de higiene pessoal, que apresentaram alta de 3,03%, com impacto de 0,11 p.p. no índice do mês, o segundo maior”, informou o IBGE.
Entre os grupos pesquisados a única queda de preços, segundo o instituto, foi em habitação (queda de 3,85%), puxada pela energia elétrica (-14,09%). Em 16 de abril, passou a vigorar a bandeira verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz.
BC sob pressão
Após considerar a possibilidade de parar de subir juros, o Banco Central reconheceu pressões inflacionárias maiores do que era esperado e sinalizou no comunicado da última reunião, no início deste mês — a Selic subiu 1 ponto, a 12,75% ao ano— que a alta de juros continua, em menor grau, na próxima reunião, em junho.
Ao mesmo tempo, não se comprometeu com o final do ciclo atual. De março do ano passado para cá, a taxa básica subiu 10,75 pontos, o maior choque de juros de um ciclo de aperto monetário desde 1999, quando, em meio à crise cambial, o BC elevou a taxa em 20 pontos percentuais em uma só reunião.
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Apesar de a decisão não ter surpreendido quase ninguém — a maior parte dos analistas acreditava em um aumento dessa magnitude –, o Copom colocou de lado a ideia de que a inflação pode caminhar para a meta em 2023 sem um ajuste adicional de juros.