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Ata do Copom: piora da inflação, riscos fiscais e incertezas requerem cautela

Ata do Copom: piora da inflação, riscos fiscais e incertezas requerem cautela

Grande parte do impacto do atual ciclo de aperto monetário ainda não foi sentido, apontou colegiado

Copom decide taxa Selic

Foto: Agência Brasil

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A piora da inflação, o aumento dos riscos fiscais e as incertezas globais cada vez maiores com a guerra entre Rússia e Ucrânia requerem cautela. Nesse cenário, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que na quarta-feira da semana passada elevou os juros em 1 ponto, a 12,75% ao ano, optou por sinalizar “como provável” a possibilidade de mais uma alta na próxima reunião do colegiado, em junho.

A informação consta da ata da reunião, que detalha os assuntos debatidos pelos membros do comitê no encontro e que foi divulgada na manhã desta terça-feira (10).

“O Comitê optou, então, por sinalizar, como provável, uma extensão do ciclo, com um ajuste de menor magnitude na próxima reunião. Tal estratégia foi considerada a mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos, ao mesmo tempo que reflete o aperto monetário já empreendido, reforça a postura de cautela da política monetária e ressalta a incerteza do cenário”, afirmou o documento.

Além da piora das expectativas de inflação e da guerra entre Rússia e Ucrânia, a ata destacou as incertezas fiscais no Brasil, com os riscos de gastos públicos cada vez maiores elevando os juros pedidos por investidores.

“O Comitê julga que a incerteza em relação ao futuro do arcabouço fiscal atual resulta em elevação dos prêmios de risco e aumenta o risco de desancoragem das expectativas de inflação”, apontou o colegiado. “Esse movimento já é observado, em alguma medida, e já está parcialmente incorporado nas expectativas de inflação para prazos mais longos extraídas da pesquisa Focus, assim como nos preços de diversos ativos locais.”

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De acordo com o documento, o risco é que a ausência de reformas estruturais e alterações permanentes no ajuste das contas públicas – como as mudanças feitas no teto de gastos – possam elevar a taxa neutra brasileira (ou seja, os juros de equilíbrio da economia do Brasil).

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Grande parte do efeito ainda não foi sentido

A taxa básica já está no maior patamar desde fevereiro de 2017, e o aumento da semana passada foi o décimo consecutivo, em uma decisão unânime do colegiado.

De acordo com a ata, o Copom avalia que grande parte do efeito da alta de juros sobre a economia ainda não foi observado. “O Copom iniciou sua discussão com a avaliação do ciclo de ajuste empreendido até a presente reunião. Ressaltou-se que o ciclo de aperto monetário corrente foi bastante intenso e tempestivo e que, devido às defasagens de política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado bem como seu impacto sobre a inflação corrente”.

Mesmo assim, o colegiado apontou que as expectativas de inflação continuam piorando.

Sem compromisso com o fim do ciclo

No comunicado da decisão da semana passada, o Copom informou que a alta de juros continua, em menor grau, na próxima reunião, em junho.

Ao mesmo tempo, não se comprometeu com o final do ciclo atual. De março do ano passado para cá, a taxa básica subiu 10,75 pontos, o maior choque de juros de um ciclo de aperto monetário desde 1999, quando, em meio à crise cambial, o BC elevou a taxa em 20 pontos percentuais em uma só reunião.

Apesar de a decisão da semana passada não ter surpreendido quase ninguém, o comitê colocou de lado a ideia de que a inflação pode caminhar para a meta em 2023 sem um ajuste adicional de juros.

Os analistas ouvidos pelo Boletim Focus esperam uma taxa básica de 13,25% no final deste ano.

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