A inflação de serviços é o principal desafio para que os preços no Brasil fiquem dentro das metas de inflação, segundo avaliação de Bruno Serra, diretor de Política Monetária do Banco Central (BC).
“A inflação de serviços de 8,5% não é condizente com uma meta ancorada em 3% ao ano. Esse é o desafio mais duro”, disse Serra, durante participação no Fórum de Estratégias de Investimentos da Bradesco Asset Management.
Na visão de Serra, a inflação de serviços precisa recuar para os níveis registrados antes da pandemia da Covid-19 para que as expectativas para o IPCA fiquem dentro da meta para 2024.
A meta de inflação de 2022 é de 3,5%, caindo para 3,35% no ano seguinte e chegando a 3%, em 2024.
As projeções do Boletim Focus do BC, no entanto, estão um pouco acima desses patamares: 5,61% (2022), 4,94% (2023) e 3,50% (2024).
Apesar da deflação registrada pelo IPCA nos últimos três meses (julho a setembro), a inflação do setor de serviços cedeu muito pouco. A inflação medida pelo IPCA nos 12 meses encerrados em setembro está em 7,17% – o pico foi em abril, quando atingiu 12,1%. Já a de serviços está, no mesmo período, em 8,5%.
Essa alta de serviços está espalhada por diferentes itens, como preços de ingressos para o cinema (11,6%), atividades recreativas (13,6%), passagens áreas (77,7%) e serviços de streaming (20,5%).
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Para Serra, esse patamar mais elevado nos preços de serviços está atrelado à inércia inflacionária, que nada mais é do que um processo de reajuste quase automático dos preços, que refletem a inflação passada.
Antes da pandemia da Covid-19, a inflação de serviços estava em torno de 3,5% no acumulado de 12 meses.
Apesar do desafio com o setor de serviços, Serra avalia que o pico da inflação no Brasil já ficou para trás não só no Brasil, mas globalmente. Isso é importante para reduzir o risco dw o Brasil “importar” inflação do exterior – como a oriunda dos preços das commodities.
Economia global
O diretor do BC vê um cenário desafiador para a economia global devido à desaceleração esperada nos Estados Unidos, na Europa e na China.
E diferentemente de outros momentos de crise, Serra ressalta de que as principais economias passaram por um momento de expansão fiscal (mais gastos e mais dívida) para lidar com a pandemia da Covid-19. No entanto, para enfrentar a inflação causada pelos estímulos, precisam elevar os juros.
“Os mercados estavam meio anabolizados em relação ao risco fiscal, mas agora o juro não está mais próximo de zero. Pode chegar a 5% nos Estados Unidos e 4% no Reino Unido. (…) Os mercados já não vão aceitar tão fácil assim essa expansão fiscal”, diz.