Uma entidade que representa quase todas as principais montadoras com atuação nos Estados Unidos pediu, nesta segunda-feira (2), que o Congresso americano aprove uma proibição permanente à venda de veículos chineses no país. O apelo foi feito pela Aliança para a Inovação Automotiva (Alliance for Automotive Innovation), que reúne empresas como General Motors, Toyota e Volkswagen, e tem como alvo a próxima sessão legislativa, prevista para depois das eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (3), segundo a Reuters.
O presidente da entidade, John Bozzella, argumentou que o mercado americano precisa ser protegido de uma possível onda de importações chinesas, que, segundo ele, representam riscos de vigilância e prejudicam fabricantes que investem há gerações no país. Bozzella também citou o avanço das montadoras chinesas na Europa: nos oito primeiros meses de 2026, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China, volume superior ao registrado em todo o ano de 2025, segundo dados mencionados pela entidade e reproduzidos pela Reuters.
Tramitação no Congresso
O projeto que busca restringir a entrada de veículos chineses conta com apoio bipartidário. Uma comissão do Senado aprovou a proposta em julho, enquanto a versão em tramitação na Câmara já reúne mais de 100 copatrocinadores. Em setembro, porém, os autores da proposta no Senado concordaram em adiar para novembro uma tentativa de acelerar a votação, apesar do apoio à medida.
Montadoras e assessores legislativos esperam que a proposta seja aprovada ainda neste ano. Parte dos assessores e lobistas do setor avalia, no entanto, que uma eventual mudança no controle do Congresso, caso os democratas conquistem a maioria nas eleições desta terça-feira, poderá reduzir o tempo disponível para votar a medida antes do encerramento da sessão legislativa, em dezembro, segundo a Reuters.
Restrições já em vigor
Os veículos chineses já enfrentam barreiras para entrar no mercado americano. Uma regulamentação adotada pelo governo de Joe Biden no início de 2025 restringiu, na prática, a atuação de montadoras chinesas no segmento de veículos de passeio, ao limitar o uso de softwares e hardwares conectados associados à China. A medida foi justificada por preocupações com a possibilidade de transferência de dados dos motoristas ao governo chinês. Washington também mantém tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos fabricados na China.
A pressão das montadoras ocorre após o presidente Donald Trump afirmar, em setembro, em entrevista à Fox News, que aceitaria que empresas chinesas fabricassem veículos nos Estados Unidos. A declaração preocupou o setor automotivo americano, de acordo com a Reuters.
O Ministério das Relações Exteriores da China já havia pedido que os Estados Unidos respeitassem as regras de mercado e a concorrência leal, classificando propostas anteriores contra empresas chinesas como uma forma de repressão irracional.
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