Outubro de 2026 foi marcado pela forte volatilidade dos mercados brasileiros, com as eleições presidenciais no centro das atenções. Após o primeiro turno, a expectativa de mudança na condução da política econômica impulsionou a bolsa e fortaleceu o real. O movimento, porém, foi revertido com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 25, que provocou uma onda de vendas de ações brasileiras e uma forte valorização do dólar, diante das preocupações dos investidores com o cenário fiscal.
A reação foi intensa no primeiro pregão após o segundo turno, quando o Ibovespa despencou 13,88%, aos 176.608 pontos, levando a B3 a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. Na mesma sessão, o dólar PTAX avançou 9,19%, enquanto a disparada dos juros futuros ampliou a pressão sobre empresas mais dependentes de crédito e financiamento.
No exterior, as bolsas europeias e o Dow Jones conseguiram avançar, apesar das incertezas sobre a política monetária e das oscilações das ações de tecnologia. A valorização das moedas estrangeiras frente ao real também favoreceu o dólar e o euro no ranking, enquanto as criptomoedas enfrentaram maior aversão ao risco.
Maiores rendimentos
Dólar Ptax (+4,64%)
O dólar Ptax liderou o ranking de outubro, impulsionado pela forte mudança nas expectativas dos investidores após as eleições presidenciais. A moeda americana começou o mês pressionada pelo otimismo com o resultado do primeiro turno, mas reverteu a trajetória após a reeleição de Lula, que aumentou as preocupações com a política fiscal e provocou uma busca por proteção cambial. No dia 26, a Ptax disparou 9,19%, registrando sua terceira maior alta diária desde o início do Plano Real. A valorização foi parcialmente reduzida nos pregões seguintes, mas a moeda encerrou o mês no campo positivo.
Euro (+2,97%)
O euro também se valorizou frente ao real em outubro, beneficiado principalmente pelo enfraquecimento da moeda brasileira após o segundo turno das eleições. A reação dos investidores ao resultado eleitoral aumentou a procura por ativos denominados em moedas estrangeiras, enquanto as preocupações fiscais e a alta dos juros futuros pressionaram o real. No cenário internacional, os investidores acompanharam a decisão do Banco Central Europeu de manter os juros inalterados e os riscos inflacionários associados aos preços da energia.
Stoxx 600 (+1,87%)
O Stoxx 600 encerrou outubro em alta, sustentado pela temporada de balanços corporativos e pelo desempenho positivo de empresas de diferentes setores. Os resultados financeiros favoreceram o apetite por ações europeias, apesar das incertezas sobre a política monetária e os preços da energia. O movimento perdeu força na reta final do mês, diante das preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial e seus retornos financeiros, que pressionaram as ações de tecnologia. As incertezas políticas e fiscais na França também limitaram os ganhos do índice.
Dow Jones (+1,52%)
O Dow Jones encerrou outubro em alta, favorecido pelo desempenho de ações de setores tradicionais da economia americana e pela temporada de balanços corporativos. O índice apresentou maior resistência às oscilações das empresas de tecnologia, que enfrentaram pressão diante das preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial. Ainda assim, as incertezas sobre a política monetária do Federal Reserve e a alta dos preços do petróleo limitaram os ganhos ao longo do mês.
IGP-M (+1,47%)
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 1,47% em outubro, abaixo da alta de 1,57% registrada em setembro. O resultado foi influenciado pela elevação dos preços ao produtor, embora os produtos agropecuários tenham apresentado desaceleração. Entre os preços ao consumidor, a queda das tarifas de energia elétrica residencial ajudou a conter o avanço do indicador. Com o resultado, o IGP-M acumulou valorização de 4,97% no ano e de 5,24% em 12 meses.
Menores rendimentos
Small Cap (-17,42%)
As empresas de menor capitalização registraram o pior desempenho do ranking, pressionadas pela disparada dos juros futuros e pelo aumento da aversão ao risco após as eleições presidenciais. O índice chegou a se beneficiar do otimismo após o primeiro turno, mas sofreu uma forte reversão com a reeleição de Lula. A perspectiva de custos de financiamento mais elevados atingiu principalmente empresas ligadas à economia doméstica, como varejistas e construtoras, que dependem mais de crédito e são mais sensíveis às oscilações das taxas de juros.
Ethereum (-12,74%)
O Ethereum registrou forte desvalorização em outubro, pressionado pela redução do apetite por ativos de risco e pelas incertezas em relação à política monetária americana. As liquidações de posições alavancadas ampliaram a volatilidade no mercado de criptomoedas, enquanto o enfraquecimento da demanda dificultou a recuperação dos preços. Na reta final do mês, notícias sobre problemas de segurança envolvendo a Binance intensificaram a cautela dos investidores e aumentaram a pressão sobre o setor.
MSCI Brasil (-12,35%)
O MSCI Brasil, calculado em dólares e utilizado como referência por investidores estrangeiros, sofreu com a combinação de queda das ações brasileiras e desvalorização do real em outubro. O índice começou o mês favorecido pelo otimismo após o primeiro turno, mas perdeu força com a reeleição de Lula, que desencadeou uma forte venda de ativos brasileiros. A disparada dos juros futuros e as preocupações com a trajetória fiscal ampliaram a pressão sobre o mercado acionário, enquanto a valorização do dólar acentuou as perdas medidas em moeda americana.
Ibovespa (-9,88%)
O Ibovespa encerrou outubro em forte queda, após um mês marcado pela volatilidade em torno das eleições presidenciais. O índice começou o período em alta, impulsionado pelas expectativas de mudança na política econômica após o primeiro turno, mas sofreu uma reversão expressiva com a reeleição de Lula. Em 26 de outubro, a bolsa despencou 13,88%, aos 176.608 pontos, levando a B3 a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. A disparada dos juros futuros e as preocupações com a política fiscal do novo mandato ampliaram a pressão sobre as ações brasileiras, apagando os ganhos acumulados no início do mês.
IDIV (-9,87%)
O Índice de Dividendos (IDIV), que reúne ações de empresas com destaque na distribuição de proventos, também foi pressionado pela forte queda da bolsa brasileira após as eleições presidenciais. A disparada dos juros futuros aumentou a atratividade da renda fixa em relação às ações pagadoras de dividendos, enquanto as preocupações fiscais e a deterioração do apetite por risco afetaram o mercado acionário.
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