Ao longo da semana, os investidores acompanharam principalmente os desdobramentos do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil, os indicadores de inflação e as tensões no Oriente Médio. O Ibovespa superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos, impulsionado pela reação do mercado ao resultado das urnas, enquanto as negociações entre Estados Unidos e Irã e a volatilidade dos preços do petróleo permaneceram no radar.
No cenário doméstico, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%, levando a disputa para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado provocou forte reação nos mercados, com o Ibovespa avançando 7,70% na segunda-feira (05), aos 206.912 pontos, no melhor pregão do ano. O dólar PTAX também registrou queda de 4,55%, encerrando a R$ 4,9859.
Entre os indicadores econômicos brasileiros, o IPCA avançou 0,82% em setembro, acima da expectativa de 0,73%, após recuar 0,32% em agosto. Em 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,58%, também superior à projeção de 4,50%. Todos os grupos registraram aumento de preços, com destaque para Habitação, que subiu 2,31%, impulsionado pela energia elétrica residencial. A balança comercial brasileira também ficou no radar, com superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro, acima da expectativa de US$ 7,19 bilhões, enquanto as exportações cresceram 12,9% e as importações recuaram 2,4% na comparação anual.
Nos Estados Unidos, os investidores acompanharam novos indicadores de atividade econômica e as perspectivas para a política monetária. O PMI de Serviços do ISM recuou para 54,9 pontos em setembro, abaixo da projeção de 55,1 pontos, mas permaneceu em território de expansão. Já a ata da última reunião do Federal Reserve mostrou maior preocupação com a inflação, após a autoridade monetária elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A maioria dos integrantes avaliou que uma nova elevação poderá ser apropriada ainda em 2026.
No cenário geopolítico, as tensões no Oriente Médio permaneceram entre os principais fatores de atenção. As negociações entre Estados Unidos e Irã continuaram em meio a divergências sobre um possível acordo, enquanto o Estreito de Ormuz permaneceu fechado. Novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita e um navio-tanque no Golfo Pérsico ampliaram as preocupações com a oferta de petróleo. O mercado também acompanhou a liberação planejada de reservas emergenciais pelo G7 e os impactos de um furacão no Golfo do México sobre a produção de petróleo e gás. Na reta final da semana, declarações de Donald Trump descartando novos ataques ao Irã antes das eleições legislativas americanas de novembro contribuíram para o recuo da commodity.
Maiores altas
A Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos da semana, com valorização de 60,58%, impulsionada pela queda dos juros futuros e pela alta das ações do setor varejista após o primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento foi favorecido pelo recuo das taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs), com destaque para o vencimento em janeiro de 2035, que acumulou queda de 153 pontos-base desde o resultado das urnas. O cenário de juros menores beneficiou empresas ligadas ao consumo e ao crédito, contribuindo para a forte valorização dos papéis da varejista.
A Vamos (VAMO3) disparou 44,73% na semana, impulsionada pela forte queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições presidenciais. A expectativa de um cenário fiscal mais restritivo contribuiu para a redução das taxas de longo prazo, favorecendo empresas com operações intensivas em capital e maior endividamento, como a locadora de caminhões, máquinas e equipamentos. O movimento também foi sustentado por perspectivas de melhora operacional, com maior utilização da frota, estabilização das retomadas de ativos e demanda por locação acima do esperado.
A Smart Fit (SMFT3) acumulou alta de 43,96% na semana, impulsionada pelo anúncio de um acordo para adquirir até 20% do Buddha Spa, com investimento de até R$ 32 milhões. A operação faz parte da estratégia da companhia de ampliar sua atuação no segmento de saúde e bem-estar, incorporando serviços complementares às academias e fortalecendo o ecossistema da TotalPass. A rede de spas possui mais de 150 unidades em 12 estados, e a parceria também poderá contribuir para sua expansão internacional. Além disso, os papéis foram favorecidos pela queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições presidenciais.
A MRV (MRVE3) registrou valorização de 38,90% na semana, impulsionada pela divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026. A companhia registrou vendas líquidas recordes de R$ 3,04 bilhões, alta de 29,6% na comparação anual, enquanto os lançamentos avançaram 12,4%, para R$ 2,65 bilhões. A geração de caixa consolidada somou R$ 456 milhões, impulsionada pela subsidiária americana Resia.
A Azzas 2154 (AZZA3) encerrou a semana com ganhos de 34,08%, acompanhando a valorização das ações ligadas ao consumo e ao varejo, favorecidas pela queda dos juros futuros após o primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento refletiu as expectativas de um cenário fiscal mais restritivo, que contribuíram para a redução das taxas de longo prazo. Os investidores também acompanharam os desdobramentos da reorganização societária da companhia, que prevê a separação dos negócios em duas empresas independentes, Arezzo&Co e SOMA.
Maiores quedas
A Embraer (EMBJ3) liderou as perdas da semana, com recuo de 9,20%, pressionada pela forte desvalorização do dólar frente ao real após o primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento cambial afetou as perspectivas para a fabricante, que possui receitas majoritariamente denominadas em dólar, enquanto parte de seus custos é contabilizada em reais. A queda ocorreu apesar de a companhia registrar 66 aeronaves entregues no terceiro trimestre de 2026, o maior volume para o período em sua história, representando crescimento de 6% na comparação anual.
A Vale (VALE3) apresentou desvalorização de 5,83% na semana, pressionada pela forte valorização do real frente ao dólar, pela queda dos preços do minério de ferro e pelas preocupações com a economia chinesa. A commodity atingiu US$ 91,05 por tonelada, o menor nível em aproximadamente dois anos, em meio à demanda enfraquecida do setor imobiliário chinês. As tensões geopolíticas no Oriente Médio também contribuíram para o cenário de cautela, enquanto a alta do petróleo elevou as preocupações com os custos logísticos. Além disso, projeções mais conservadoras para os resultados do terceiro trimestre aumentaram a pressão sobre os papéis da mineradora.
A Suzano (SUZB3) acumulou perdas de 3,79% na semana, pressionada pela forte desvalorização do dólar frente ao real após o primeiro turno das eleições presidenciais. Como a companhia possui parcela significativa de suas receitas provenientes de exportações, a valorização do real reduz o valor dessas receitas quando convertidas para a moeda brasileira, afetando as perspectivas para seus resultados.
A Vibra Energia (VBBR3) terminou a semana em baixa de 3,33%, em meio às preocupações com a sustentabilidade dos resultados das distribuidoras de combustíveis após a forte valorização acumulada pelo setor. O mercado repercutiu avaliações de que parte dos ganhos recentes já estaria refletida nos preços das ações, enquanto as margens de distribuição poderiam perder força em 2027. A expectativa de ajustes nos preços do diesel pela Petrobras e de normalização dos diferenciais de preços internacionais também trouxe cautela quanto à manutenção dos lucros elevados registrados em 2026.
A Klabin (KLBN11) registrou queda de 2,63% na semana, acompanhando a pressão sobre ações de exportadoras e empresas ligadas a commodities após o primeiro turno das eleições presidenciais. A forte valorização do real frente ao dólar e a migração de recursos para setores mais sensíveis à queda dos juros contribuíram para o desempenho negativo dos papéis.
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