A semana foi marcada pelo primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno, marcado para 25 de outubro. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. No primeiro pregão após a votação, o Ibovespa avançou 7,70% e fechou acima dos 200 mil pontos pela primeira vez na história. A sessão também registrou a maior entrada diária de capital estrangeiro desde o início de 2023 e forte queda do dólar. No campo econômico, o IPCA de setembro avançou 0,82%, acima da projeção do mercado, pressionado pelo fim do Bônus de Itaipu na conta de energia. As primeiras pesquisas presidenciais realizadas após o primeiro turno mostraram Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno, segundo levantamentos do Datafolha, PoderData/Aya e AtlasIntel/Bloomberg.
💵 Dólar Ptax (venda): R$ 4,9892 | Na semana: -4,49% | Em outubro: -3,70% | Em 2026: -9,33% | Em 12 meses: -6,81%
💶 Euro Ptax (venda): R$ 5,5844 | Na semana: -5,05% | Em outubro: -4,99% | Em 2026: -13,68% | Em 12 meses: -9,77%
Fechamento semanal – em %
Ibovespa renova recorde histórico no primeiro pregão após o primeiro turno: O Ibovespa avançou 7,70% e fechou aos 206.912 pontos, encerrando pela primeira vez na história acima dos 200 mil pontos. O recorde de fechamento anterior havia sido registrado em 14 de abril, aos 198.657 pontos. A sessão foi a melhor do ano, a terceira melhor dos últimos dez anos e a maior alta desde 13 de março de 2020, quando o índice subiu 13,91%. O dólar recuou 4,55% em relação ao pregão anterior, fechando a R$ 4,9859. Entre as maiores altas, Magazine Luiza (MGLU3) subiu 24,18%, Cosan (CSAN3), 23,79%, B3 (B3SA3), 22,63%, BTG Pactual (BPAC11), 22,52%, e Vamos (VAMO3), 21,31%. Apenas sete ações fecharam em queda, lideradas por Suzano (SUZB3), com recuo de 5,39%, e Embraer (EMBJ3), com queda de 3,31%.
Bancos lideram as altas da bolsa após o primeiro turno: Quatro dos cinco maiores bancos do país em valor de mercado fecharam em alta superior a 10%. O BTG Pactual (BPAC11) avançou 22,52%, seguido por Bradesco (BBDC4), com 13,57%, Banco do Brasil (BBAS3), com 11,00%, e Itaú (ITUB4), com 10,37%. O Santander (SANB11) foi a exceção, com alta de 2,63%, e era o único dos cinco a acumular queda em 2026, de 10,33%. No ano, o BTG sobe 56,09%, o Itaú, 28,86%, o Bradesco, 25,65%, e o Banco do Brasil, 23,10%.
Empresas do Ibovespa ampliam valor de mercado após o primeiro turno: As empresas que compõem o índice ganharam R$ 348,28 bilhões em valor de mercado e passaram a valer R$ 5,16 trilhões. O maior ganho foi o do Itaú Unibanco, com R$ 54,34 bilhões, levando seu valor de mercado a R$ 571,43 bilhões. Na sequência, a Petrobras ganhou R$ 50,95 bilhões e se manteve como a empresa mais valiosa da Bolsa, com R$ 751,03 bilhões. BTG Pactual, com R$ 39,70 bilhões, Bradesco, com R$ 27,17 bilhões, e B3, com R$ 21,49 bilhões, completaram os cinco maiores ganhos. O BTG ultrapassou a Vale e assumiu o terceiro lugar entre as maiores empresas da Bolsa, com R$ 314,44 bilhões, enquanto a mineradora passou ao quarto, com R$ 303,86 bilhões. Apenas oito das 75 empresas do índice perderam valor, com destaque para as exportadoras afetadas pela queda do dólar: Vale, com perda de R$ 2,98 bilhões, Suzano, com R$ 2,95 bilhões, e Embraer, com R$ 2,31 bilhões.
Estrangeiros fazem aporte recorde na B3 após o primeiro turno: Os investidores estrangeiros aportaram R$ 10,06 bilhões na Bolsa no primeiro pregão após a votação, a maior entrada diária desde o início de 2023, acima dos R$ 8,40 bilhões registrados em 9 de abril deste ano. O volume respondeu por 22,5% de todo o saldo estrangeiro de 2026, que passou de R$ 34,58 bilhões para R$ 44,64 bilhões, superando os resultados de todo o ano de 2021, de R$ 41,54 bilhões, e de 2025, de R$ 26,87 bilhões. Em outubro, o fluxo soma R$ 12,61 bilhões em três pregões, o terceiro melhor resultado mensal do ano. No primeiro pregão após o primeiro turno de 2022, os estrangeiros haviam aportado R$ 2,38 bilhões.
IPCA de setembro vem acima das expectativas do mercado: O IPCA subiu 0,82% em setembro, acima da projeção de 0,73%, e acelerou em relação à queda de 0,32% registrada em agosto. No acumulado em 12 meses, o índice avançou para 4,58%, acima da projeção de 4,50% e do teto da meta, também de 4,50%. Todos os grupos tiveram alta no mês, com destaque para Habitação (+2,31%), puxada pela energia elétrica residencial, que subiu 7,98% após o fim do Bônus de Itaipu. Transportes avançaram 0,89%, com passagens aéreas em alta de 9,66%, enquanto Alimentação e bebidas subiu 0,83%, interrompendo três recuos consecutivos, com o tomate em alta de 37,76%.
Eleições 2026
A primeira semana após o primeiro turno foi marcada pela definição das disputas estaduais que seguirão para o segundo turno e pela divulgação das primeiras pesquisas presidenciais realizadas após a votação. Os levantamentos de Datafolha, PoderData/Aya e AtlasIntel/Bloomberg mostraram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em eventuais confrontos no segundo turno.
Sete disputas para governador vão ao segundo turno: Inicialmente, sete unidades da Federação tinham disputas previstas para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, enquanto outras 20 já haviam definido seus governadores no primeiro turno. No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) teve 49,93% dos votos válidos e enfrentará Leandro Grass (PT), com 34,47%. No Acre, Mailza Assis (PP) somou 49,76%, contra 32,27% de Alan Rick (Republicanos), e, no Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) obteve 49,65%, ante 34,06% de Ricardo Ferraço (MDB). As disputas mais apertadas ocorreram no Rio Grande do Norte, onde Allyson (União) teve 36,94% e Cadu de Lula (PT), 36,16%, e no Tocantins, onde a professora Dorinha (União) somou 45,52%, contra 43,94% de Vicentinho Júnior (PSDB). No Amazonas, Omar Aziz (PSD) teve 40,63% e disputará o segundo turno com Maria do Carmo (PL), que recebeu 24,49%. No Rio de Janeiro, o resultado ainda dependia de decisão do TSE sobre os votos de Anthony Garotinho (Republicanos).
PL elege 121 deputados e terá a maior bancada da Câmara: O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Casa a partir de 1º de fevereiro de 2027. A federação PT-PCdoB-PV ficará em segundo lugar, com 88 deputados. União Brasil e PSD elegeram 46 e 43 parlamentares, respectivamente, enquanto PP e Republicanos conquistaram 41 cadeiras cada, seguidos pelo MDB, com 36. O Novo também ampliou sua bancada, passando de cinco para dez deputados. Ao todo, 20 partidos terão representação na próxima legislatura.
TSE anula votos de Garotinho, e Douglas Ruas pode vencer no primeiro turno no Rio: O TSE decidiu, por cinco votos a dois, anular os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que teve o registro de candidatura negado pelo TRE-RJ. Com a decisão, o deputado estadual Douglas Ruas (PL), que havia recebido 49,27% dos votos válidos na apuração inicial, poderá superar 50% após a retotalização e ser eleito governador sem segundo turno. Eduardo Paes (PSD), que recebeu 42,76%, contestou a decisão e busca manter a disputa prevista para 25 de outubro. A retotalização pelo TRE-RJ está prevista para 10 de outubro. Caso o resultado seja confirmado, as disputas estaduais de segundo turno ficarão concentradas no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal.
PoderData/Aya: Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula no segundo turno: O primeiro levantamento do PoderData/Aya após o primeiro turno aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de cinco pontos percentuais supera a margem de erro de 1,8 ponto. Na rodada anterior, realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro, os dois estavam empatados, com 46% cada. Nos votos válidos, Flávio tem 53%, e Lula, 47%. O mesmo levantamento mostrou queda de três pontos na rejeição ao senador, de 46% para 43%, enquanto a de Lula passou de 47% para 46%, variação dentro da margem de erro. A pesquisa ouviu 3.000 eleitores em 705 municípios entre 5 e 7 de outubro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-08134/2026.
Datafolha: Celina Leão lidera o segundo turno no Distrito Federal: A governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, tem 55% das intenções de voto no segundo turno, contra 37% de Leandro Grass (PT). A diferença de 18 pontos percentuais supera a margem de erro de três pontos. Na rodada anterior, realizada em 2 e 3 de outubro, Celina tinha 56%, e Grass, 31%. Nos votos válidos, a governadora tem 60%, e o petista, 40%. A pesquisa ouviu 910 eleitores entre 6 e 8 de outubro e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo DF-03365/2026.
Datafolha: Flávio Bolsonaro fica à frente de Lula no segundo turno, no limite do dobro da margem de erro: O primeiro levantamento do Datafolha após o primeiro turno aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de quatro pontos está no limite do dobro da margem de erro, de dois pontos percentuais, configurando empate técnico. Na rodada anterior, divulgada em 3 de outubro, Lula tinha 47%, e Flávio, 46%. Nos votos válidos, o senador tem 52%, e o presidente, 48%. A pesquisa ouviu 2.520 eleitores entre 6 e 7 de outubro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-02949/2026.
AtlasIntel/Bloomberg: Flávio Bolsonaro abre vantagem sobre Lula no segundo turno: O primeiro levantamento da AtlasIntel/Bloomberg após o primeiro turno aponta o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51,1% das intenções de voto no segundo turno, contra 45,7% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de 5,4 pontos percentuais supera a margem de erro de um ponto. Na rodada anterior, divulgada em 3 de outubro, Lula tinha 47,6%, e Flávio, 47,4%. Nos votos válidos, o senador tem 52,8%, e o presidente, 47,2%. A pesquisa ouviu 5.026 eleitores entre 3 e 8 de outubro e está registrada no TSE sob o protocolo BR-03663/2026.
Balanço do primeiro turno das eleições de 2026
Presidência: Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno: O primeiro turno, realizado em 4 de outubro, terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como nenhum dos candidatos superou a metade dos votos válidos, a disputa será decidida em 25 de outubro. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a cerca de 2,23 milhões de votos.
Câmara dos Deputados: PL amplia sua bancada e mantém a liderança: O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. A federação PT-PCdoB-PV ficou em segundo lugar, com 88 deputados. O resultado reforça a posição do PL como a maior força individual da Casa, enquanto a federação reúne o segundo maior grupo parlamentar.
Senado: PL elege 19 parlamentares e terá a maior bancada: O PL elegeu 19 senadores nas eleições de 2026. Somados aos nove que já exercem mandato e permanecem na Casa, o partido terá 28 representantes a partir de 2027. A federação União-Progressistas terá 11 senadores, enquanto PT e MDB contarão com nove e oito integrantes, respectivamente.
Governos estaduais: 20 estados definiram seus governadores no primeiro turno: A votação de 4 de outubro definiu os governadores de 20 estados, o maior número desde o início da série histórica em 1990. Entre os eleitos estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais, e Sergio Moro (PL), no Paraná. Após a decisão do TSE de anular os votos de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro, a retotalização prevista para 10 de outubro poderá confirmar a eleição de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno. Com isso, as disputas que seguem previstas para 25 de outubro ficam concentradas no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal.
Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana
Maiores Altas
Maiores Baixas
Análise dos Destaques da Semana
Melhor Desempenho: Magazine Luiza (MGLU3)
Preço de Fechamento (09/10/2026): R$ 12,22 | Variação Semanal: +60,58% – A valorização foi impulsionada pela queda dos juros futuros e pela alta das ações do setor varejista após o primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento foi favorecido pelo recuo das taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs), com destaque para o vencimento em janeiro de 2035, que acumulou queda de 153 pontos-base desde o resultado das urnas. O cenário de juros menores beneficiou empresas ligadas ao consumo e ao crédito, contribuindo para a forte valorização dos papéis da varejista.
Pior Desempenho: Embraer (EMBJ3)
Preço de Fechamento (09/10/2026): R$ 89,21 | Variação Semanal: – 9,20% – A queda foi pressionada pela forte desvalorização do dólar frente ao real após o primeiro turno. O movimento cambial afetou as perspectivas para a fabricante, que possui receitas majoritariamente denominadas em dólar, enquanto parte de seus custos é contabilizada em reais. A queda ocorreu apesar de a companhia ter entregue 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, o maior volume para o período em sua história, com crescimento de 6% na comparação anual.
Nota: As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.
Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.