Novo subsídio ao diesel favorece Petrobras, mas divide analistas sobre distribuidoras
O Governo Federal anunciou na quarta-feira (9) um novo pacote de medidas voltado a suavizar os impactos dos preços internacionais mais altos dos combustíveis. O governo decidiu não prorrogar a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina, que venceu ontem, e passou a implementar uma desoneração de R$ 0,63 por litro em PIS/Cofins, impostos federais cobrados sobre o combustível.
Em relatório assinado pelos analistas Vicente Falanga e Ricardo França, o Bradesco BBI avalia as medidas como bastante positivas para a Petrobras, pois o novo subsídio de R$ 1,00 por litro para o diesel reduz significativamente a diferença em relação à política de preços da estatal.
Além do efeito financeiro, a dupla destaca que o pacote reduz as preocupações de que a companhia tenha abandonado sua política comercial.
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Segundo cálculos do BBI, o desconto dos preços praticados pela Petrobras em relação à paridade de exportação deve recuar para aproximadamente 21% na gasolina e 10% no diesel.
A analista Monique Greco, do Itaú BBA, também considera o anúncio positivo para a Petrobras, já que as medidas criam espaço para a empresa ajustar os preços e compensar o crescente déficit que tem sido motivo de preocupação para os investidores.
Em avaliação semelhante à do BBI, o Goldman Sachs destaca que o anúncio do governo abre espaço para que a Petrobras eleve em R$ 1,00 por litro o preço do diesel no mercado doméstico, sem repassar o aumento às distribuidoras. O reajuste seria integralmente compensado pelo novo subsídio concedido pelo governo. Com isso, a Petrobras se aproximaria mais da paridade de importação, mantendo os preços cobrados das distribuidoras.
O JPMorgan avalia que o novo pacote reduz o desconto do diesel da companhia em relação à paridade de importação de cerca de 30% para aproximadamente 15%. O banco calcula ainda que o chamado crack spread do diesel da Petrobras, uma referência para a margem de refino, sobe para cerca de US$ 70 por barril, ante aproximadamente US$ 40 por barril antes das medidas. Isso deve ajudar a sustentar margens de refino fortes e dar mais espaço para a companhia seguir sua política de preços em um cenário de petróleo elevado.
A XP Investimentos, por sua vez, avalia que o pacote anunciado pelo governo é neutro para a Petrobras. Segundo os analistas Regis Cardoso e Enzo Sozzi, o aumento da gasolina não altera a geração anualizada de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) da companhia, enquanto o novo subsídio ao diesel poderia acrescentar cerca de US$ 5,9 bilhões ao resultado, equivalente a um impacto de 4,8 pontos percentuais no yield.
Impacto para distribuidoras de combustíveis
Para as três maiores distribuidoras de combustíveis, na avaliação do BBI, o impacto também tende a ser positivo, uma vez que o preço efetivamente pago pelo setor deve permanecer relativamente estável, reduzindo o risco de que um reajuste da Petrobras diminua a vantagem competitiva do produto doméstico em relação ao combustível importado.
Para JPMorgan, o diesel importado ganhou competitividade com o aumento do subsídio, embora o produto fornecido pela Petrobras continue sendo consideravelmente mais atrativo. O banco avalia que o pacote também ajuda a reduzir os riscos de falta de combustível, ao melhorar a economia das importações e estimular a oferta.
Já o Goldman Sachs avalia o anúncio como negativo para as distribuidoras. Caso a Petrobras mantenha os preços do diesel, o aumento do subsídio tende a reduzir a diferença entre o produto doméstico e o diesel importado, diminuindo a vantagem competitiva das grandes distribuidoras.
Os maiores players do setor vinham se beneficiando do acesso direto ao diesel produzido localmente e subsidiado pelo governo. Antes do novo benefício, o diesel importado custava cerca de 35% mais do que o produto doméstico da Petrobras, mesmo com o subsídio de R$ 1,12 por litro aos importadores. Com o benefício elevado para R$ 2,12 por litro, o Goldman estima que essa diferença possa cair para cerca de 20%.



















