Inditex, dona da Zara, supera estimativas de vendas, mas custos pressionam lucro
O forte crescimento das vendas da Inditex não foi suficiente para que a proprietária da Zara atendesse às expectativas de lucro operacional, à medida que as despesas aumentavam. O lucro antes de juros e impostos no segundo trimestre ficou ligeiramente abaixo das expectativas, mesmo com as vendas superando as estimativas dos analistas e continuando a crescer nas primeiras semanas do trimestre atual. A Inditex, que investiu € 1,8 bilhão (US$ 2,1 bilhões) em suas instalações logísticas nos últimos dois anos, aumentou os gastos de capital em € 200 milhões para modernizar sua sede.As ações caíram até 4,9% no início do pregão em Madri. Antes desta quarta-feira, elas apresentavam poucas variações neste ano.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.O crescimento das vendas "não foi suficiente para absorver a depreciação adicional decorrente do investimento logístico concluído de € 1,8 bilhão", afirmou o analista da Bloomberg Intelligence, Charles Allen, em uma nota, acrescentando que o lucro operacional do segundo semestre precisará crescer 11% — acima dos 8% registrados no primeiro semestre — para que a empresa evite revisões para baixo nas estimativas do consenso. O lucro operacional foi afetado por custos mais elevados relacionados a transporte, atendimento de pedidos online e distribuição, informou a Inditex durante sua teleconferência sobre os resultados. Leia também: Inditex retoma expansão no Brasil com nova Zara em Porto Alegre e Bershka, em BrasíliaO diretor executivo, Óscar García Maceiras, afirmou que os gastos de capital adicionais se destinam a uma nova sede em Barcelona.As despesas com depreciação da empresa decorrem, em grande parte, de investimentos em plataformas logísticas, todas elas já construídas e em operação. Essas despesas estão sendo contabilizadas na demonstração de resultados e aumentando as despesas operacionais, que crescem mais rapidamente do que as vendas.Esses custos estão pesando nas margens, e os novos gastos de capital podem resultar em novas despesas de depreciação, afirmaram em uma nota os analistas do Deutsche Bank AG, liderados por Adam Cochrane.As dificuldades com os lucros ofuscaram o forte crescimento das vendas da Inditex. A receita, excluindo oscilações cambiais, aumentou 9% entre 1º de agosto e 7 de setembro, informou a varejista espanhola em comunicado na quarta-feira, sinalizando que está atraindo consumidores mesmo com o aumento do custo de vida pressionando os gastos dos consumidores.Os números de vendas mostraram que o crescimento da Inditex continua a superar o do setor e de concorrentes como a H&M, mesmo com as tensões geopolíticas e o aumento dos preços da energia pesando sobre a confiança do consumidor. Sob a liderança da presidente Marta Ortega, a Inditex tem buscado elevar sua principal marca, a Zara, por meio de lojas-âncoras de luxo e colaborações com designers e fotógrafos de renome. No início deste ano, a Zara contratou John Galliano, ex-diretor criativo da Dior, como “designer convidado” para “reinterpretar os arquivos da marca”, com a primeira coleção prevista para ser lançada neste mês.Leia também: Como o histórico da dona da Zara pode ajudar a explicar queda de valor da SheinAinda assim, a maioria dos produtos da Zara permanece abaixo da marca de € 50, de acordo com uma pesquisa do Barclays, em linha com seu princípio fundador de disponibilizar moda acessível para as massas. A Lefties, marca de custo ultrabaixo da Inditex, continuou sendo a única marca do grupo a abrir novas lojas. A marca de moda econômica concorre com empresas como a Shein e a Primark e abriu recentemente sua primeira loja em Liverpool. Lançada na década de 90 como um ponto de venda de pechinchas para os estoques excedentes da Zara, passou posteriormente a criar suas próprias coleções e se expandiu globalmente. Por outro lado, a Inditex, que abriu recentemente sua primeira loja da Bershka nos EUA, afirmou que está avaliando a possibilidade de levar outras marcas — entre as quais Stradivarius, Pull&Bear e Oysho — para o país, seu segundo maior mercado depois da Espanha.Veja mais em bloomberg.com

















