Em assalto-relâmpago, ladrões invadem museu e roubam tesouro milenar de R$ 10,37 milhões em 4 minutos
O chamado Tesouro de Vilhena é uma das mais impressionantes coleções de artefatos preciosos produzidos durante a Idade do Bronze na Europa. Além de dezenas de pulseiras e tigelas de ouro, o acervo contém itens feitos de prata, ferro e âmbar. Corrigindo o tempo verbal, continha.
Por volta das 5h20 da manhã da última quinta-feira, 27 de agosto, um grupo de ladrões invadiu o Museu de Vilhena e fugiu com a maior parte do tesouro.
Entre a invasão e a fuga, os bandidos precisaram de apenas quatro minutos. Elkes levaran consigo itens avaliados em cerca de US$ 2 milhões. O montante equivale a R$ 10,37 milhões. O valor histórico, no entanto, é incalculável.
“É impossível atribuir um preço a um conjunto funerário de 3 mil anos”, disse David Cérdan, porta-voz da prefeitura de Vilhena, na segunda-feira (31), quando a notícia do roubo veio à tona.
À imprensa local, ele descreveu o roubo como “super-rápido e superprofissional”.
Pouco antes da invasão, um alarme foi acionado no centro esportivo da cidade. Autoridades investigam agora se o incidente teve relação com o furto.
“Eles levaram a maior parte do tesouro”, disse Fulgencio Cerdán, prefeito de Vilhena.
“Estamos absolutamente devastados. Estou até tremendo. A verdade é que, para nós de Vilhena, isso nos destrói. Faz parte do nosso patrimônio, da nossa riqueza.”
Relatos iniciais indicam que os ladrões só não levaram embora algumas poucas peças do acervo do museu.
Restaram apenas três recipientes de prata, uma pulseira e partes de um bastão cerimonial pré-histórico. Eles também deixaram para trás uma das coroas históricas do museu, que foi encontrada no local.
O que é o Tesouro de Vilhena
O Tesouro de Vilhena foi descoberto pelo arqueólogo José María Soler em 1963. Ele foi chamado para analisar o local depois que operários encontraram uma pulseira de ouro em uma obra na cidade de pouco mais de 30 mil habitantes situada a cerca de 120 quilômetros de Valência.
Desde a descoberta, o acervo tornou-se a principal atração do museu arqueológico de Vilhena e rodou o mundo em exposições sobre a Idade do Bronze. De acordo com análises de especialistas, a coleção data de aproximadamente 1000 a.C.
Além dos itens de ouro e prata, pesquisas recentes sugerem que dois artefatos específicos teriam sido confeccionados a partir de ferro meteorítico. Segundo estudiosos, esses objetos são os exemplos mais antigos de que se tem registro de uso de ferro na Europa Ocidental.
Gabriel García Atiénzar, historiador da Universidade de Alicante, qualifica o tesouro como um dos mais excepcionais conjuntos de ouro pré-histórico descobertos na Europa.
"Na minha opinião, é uma das descobertas arqueológicas fundamentais para compreender as sociedades da fase final da Idade do Bronze na Península Ibérica", disse ele.
Roubar museus está em alta na Europa
O roubo do Tesouro de Vilhena ocorre apenas alguns dias depois de a Europol, agência policial da União Europeia, publicar um relatório sobre roubos e furtos em museus do continente.
Entre as conclusões do documento estão o aumento do uso de métodos violentos em invasões, o foco em artefatos de alto valor financeiro e cultural e o surgimento de grupos criminosos recrutados por meio das redes sociais.
Ao longo dos últimos meses, uma série de roubos de grande repercussão ganhou as manchetes.
No início de agosto, autoridades italianas anunciaram a recuperação de três pinturas de Pierre-Auguste Renoir, Paul Cézanne e Henri Matisse. Elas foram roubadas em março.
Logo em seguida, porém, ladrões levaram quatro obras do mestre renascentista Antonello da Messina de um museu na Sicília.
No mesmo período, autoridades informaram que 210 miniestátuas de Mozart desapareceram de uma instalação pública em Salzburgo. Elas estavam expostas para homenagear o compositor em seu 270º aniversário de nascimento.
Em julho, joias e obras de arte avaliadas em aproximadamente US$ 5 milhões foram roubadas do Museu Lalique, na França.
Vale lembrar que o país ainda se recupera do histórico assalto ao Museu do Louvre ocorrido no ano passado. Na ocasião, ladrões levaram joias da coroa avaliadas em mais de US$ 100 milhões.
*Com informações de agências de notícias internacionais.
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