Ranking de investimentos de agosto de 2026
Agosto de 2026 inverteu o roteiro de julho: criptomoedas, ouro, ações de tecnologia americanas, BDRs e a bolsa chinesa lideraram os ganhos do mês, enquanto os principais ativos brasileiros, do MSCI Brasil ao Ibovespa, fecharam no vermelho.
No Brasil, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, sem sinalizar os próximos passos, e o IPCA-15 recuou 0,4% no mês, levando a inflação em 12 meses a 4,24%. Mesmo assim, o JPMorgan rebaixou as ações brasileiras para neutro na América Latina, e a proximidade da eleição presidencial de outubro, com novas pesquisas ao longo do mês, manteve os investidores em alerta.
No exterior, o resultado forte da Nvidia reacendeu o apetite por ativos de inteligência artificial após a correção de julho, enquanto o anúncio do Tesouro americano de ampliar as recompras de títulos de longo prazo turbinou o ouro e pressionou os Treasuries. Na China, PMI industrial melhor e novos estímulos ao setor imobiliário impulsionaram as ações locais. Já no fim do mês, o tom mais duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, e a retomada de ataques entre Estados Unidos e Irã voltaram a azedar o humor dos mercados globais.
Maiores rendimentos
Ethereum (+35,71%)
O Ethereum foi o destaque do mês, emendando sua melhor sequência em mais de um ano após a forte alta de julho. O movimento foi puxado pelo retorno consistente dos aportes em ETFs à vista de Ethereum, pelo apetite renovado por ativos de risco na esteira do anúncio de recompras do Tesouro americano e por um forte movimento de venda a descoberto sendo desfeito às pressas, que acelerou a alta na semana de maior volatilidade do mês.
Bitcoin – R$ (+28,22%)
O Bitcoin também surfou a onda de otimismo cripto, com a demanda institucional voltando a crescer e ações ligadas ao setor, como Robinhood e Coinbase, registrando fortes altas no período. Medido em reais, via ETFs de criptomoedas listados na B3, o ganho em dólar foi ainda ampliado pela valorização do dólar frente ao real ao longo do mês.
Ouro (+11,79%)
O metal precioso teve seu melhor mês em quase um ano, puxado pela fraqueza do dólar na maior parte do período, pela queda dos rendimentos dos Treasuries após o anúncio do Tesouro americano de dobrar o volume de recompras de títulos de longo prazo, por preocupações renovadas com a sustentabilidade da dívida dos Estados Unidos e pela manutenção das compras por bancos centrais.
BDRX (+6,04%)
O índice que mede o desempenho médio dos BDRs não patrocinados negociados na B3, fortemente concentrado em Nvidia, Apple e Microsoft, reverteu parte da queda registrada em julho. O resultado trimestral da Nvidia, com receita mais que dobrada e forte reação positiva das ações, foi o principal catalisador, dado o peso do papel na carteira teórica do índice, com a valorização do dólar frente ao real no período ampliando ainda mais o ganho medido em reais.
SSE Composite (+4,02%)
O principal índice da Bolsa de Xangai foi sustentado pela melhora do PMI industrial chinês e por novas medidas de estímulo ao mercado imobiliário anunciadas por Pequim, incluindo regras mais flexíveis para a liberação de hipotecas somente após a conclusão de projetos. Bancos estatais lideraram os ganhos, enquanto ações ligadas a semicondutores também atraíram fluxo de investidores globais em busca de diversificação frente às avaliações elevadas da bolsa americana.
Nasdaq Composite (+3,73%)
As ações de tecnologia americanas foram impulsionadas pelo resultado da Nvidia, que reportou receita mais que dobrada no trimestre e previsão de crescimento bem acima do consenso de mercado. Os ganhos, no entanto, foram limitados pelo discurso mais duro do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, que elevou as apostas em uma alta de juros em setembro, e pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no fim do mês, que devolveu parte dos ganhos acumulados.
Menores rendimentos
MSCI Brasil (-2,65%)
Referência para investidores estrangeiros e calculado em dólares, o MSCI Brasil sofreu com a combinação de queda das ações domésticas e a valorização do dólar frente ao real no mês, que reduz mecanicamente o retorno em dólar do índice. O cenário foi agravado pelo rebaixamento do JPMorgan, que citou crescimento mais fraco e deterioração das condições de crédito no país, e pelo enfraquecimento do fluxo de capital estrangeiro para a B3.
IDIV (-1,65%)
O índice de dividendos, com peso relevante de bancos, estatais e empresas de utilidade pública, teve o pior desempenho do mês entre os principais indicadores da B3. A Petrobras, maior pagadora de proventos do Ibovespa, decepcionou parte do mercado depois que seu CFO afirmou que a distribuição de dividendos extraordinários não é prioridade da companhia neste ano. Papéis como os do Banco do Brasil, sensíveis a notícias sobre a corrida presidencial e a possíveis mudanças de rumo em estatais, também pesaram sobre o indicador, somados ao ambiente de juros longos ainda pressionados.
IFIX (-1,47%)
O índice de fundos imobiliários foi penalizado pela persistência dos juros futuros de prazos mais longos em níveis elevados, mesmo após o corte da Selic pelo Copom. Sem sinalização de continuidade do ciclo de corte e em meio às incertezas fiscais e eleitorais, fundos mais sensíveis a taxas de longo prazo, como os de papel (CRI) e alguns de lajes corporativas, tiveram desempenho mais fraco no período.
Small Cap (-1,24%)
As empresas de menor capitalização, com maior exposição à economia doméstica e menor liquidez, foram as mais afetadas pela combinação de juros domésticos ainda elevados, por uma temporada de balanços do segundo trimestre marcada por surpresas negativas em alguns setores e pelo enfraquecimento do fluxo de capital estrangeiro, que reduz a liquidez disponível justamente para os papéis menores em meio à volatilidade eleitoral.
Ibovespa (-0,33%)
O principal índice da B3 fechou agosto no vermelho, mas terminou o mês bem distante do pior momento: chegou a acumular uma perda de mais de 7% em meados de agosto, pressionado pela sequência de pregões negativos do início do mês, pelo rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan e pela tensão em torno da corrida presidencial de outubro. Uma reação na reta final, puxada por bancos, Vale e Petrobras, com o petróleo em alta e o retorno pontual de fluxo estrangeiro, devolveu quase toda a perda acumulada e limitou a queda do mês a menos de 1%.
Agosto de 2026 marcou uma clara divergência entre os mercados brasileiro e internacional. Enquanto criptomoedas, ouro, Nasdaq, BDRX e a bolsa chinesa surfaram a retomada do apetite por risco global e o resultado forte da Nvidia, os ativos brasileiros amargaram perdas em bloco, pressionados pelo acirramento da disputa presidencial de outubro, pela cautela fiscal em torno do próximo governo, pelo corte de Selic sem sinalização de continuidade e pelo enfraquecimento do fluxo de capital estrangeiro para a B3 no mês. Fundos imobiliários, small caps e ações de dividendos foram os mais penalizados, enquanto o dólar voltou a se valorizar frente ao real ao longo do mês, encerrando agosto em R$ 5,1816, ante R$ 5,0773 no fechamento de julho.
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