Governo Lula apresenta orçamento de 2027 com meta fiscal questionada pelo mercado
O governo divulgou sua proposta de orçamento para 2027, comprometendo-se a alcançar um superávit fiscal, enquanto os investidores questionam se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá controlar os gastos e a dívida pública caso seja reeleito.O governo tem como meta um superávit primário equivalente a 0,5% do PIB no próximo ano, ou cerca de R$ 73 bilhões, de acordo com o plano orçamentário apresentado nesta segunda-feira (31). ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.O governo espera um superávit primário de R$ 83,4 bilhões. No entanto, como alguns gastos estão excluídos da meta, o resultado efetivo é um superávit de R$ 18,6 bilhões.A proposta visa sinalizar maior disciplina fiscal antes das eleições de outubro, no momento em que as pesquisas indicam Lula como favorito. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem procurado acalmar as preocupações sobre as perspectivas fiscais do país antes da votação, destacando o compromisso do governo com um fortalecimento gradual das finanças públicas.Leia também: Mercado exagera no grau de favoritismo de Lula na eleição, diz EurasiaNo entanto, convencer os mercados de que a meta representa um ajuste fiscal significativo pode se revelar difícil. Ao cumprir essa meta, o governo tem permissão para excluir até R$ 65,7 bilhões em despesas, incluindo pagamentos determinados pela Justiça e certos gastos com defesa, saúde e educação. Os investidores também têm dado, recentemente, mais atenção aos déficits nominais do Brasil — que cresceram para quase 10% do Produto Interno Bruto — e aos níveis crescentes da dívida pública, em vez de seus resultados primários. Espera-se que os gastos obrigatórios representem uma parcela ligeiramente menor dos gastos primários, caindo de 92,4% em 2026 para 91,7% em 2027, oferecendo algum alívio a um orçamento que continua fortemente limitado por despesas não discricionárias.Durigan afirmou, em 24 de agosto, que a proposta orçamentária fixaria o salário mínimo mensal em R$ 1.741 em 2027, acima dos 1.621 reais deste ano. Isso terá repercussões nos gastos federais, pois as aposentadorias e vários benefícios sociais são indexados ao salário-base, mas Durigan afirmou que o governo pode acomodar esses aumentos e, ao mesmo tempo, manter um superávit orçamentário primário. "Estamos falando de um governo comprometido com o povo", disse ele a repórteres após se reunir com Lula para finalizar a proposta. O Congresso tem dado algum apoio ao governo. Os legisladores aprovaram recentemente medidas destinadas a conter o crescimento dos gastos obrigatórios, criando mecanismos que devem reduzir os gastos em cerca de R$ 10 bilhões no próximo ano.A proposta de orçamento de 2027 também marcará o início da transição do Brasil para seu novo sistema de tributação sobre o consumo. Ele incorporará a receita projetada proveniente da Contribuição sobre Bens e Serviços, conhecida como CBS, e do Imposto Seletivo criado no âmbito da reforma tributária.A proposta surge em um momento crucial para a agenda econômica de Lula. Os investidores têm se concentrado cada vez mais em como seria a política fiscal em um possível quarto mandato de Lula, com atenção especial para saber se o presidente aceitaria limites mais rígidos ao crescimento dos gastos após a eleição.-- Com a colaboração de Giovanna Serafim.Veja mais em bloomberg.com Leia também Lula mantém liderança sobre Flávio Bolsonaro, mas vantagem diminui, mostra AtlasIntelInadimplência dispara no Brasil e acende alerta para campanha de Lula pela reeleição




















