As bordas de pizza que sobravam no prato inspiraram a criação de uma rede de franquias de R$ 60 milhões

Às vezes, uma ideia de negócio aparece onde menos se espera. No caso de Arnaldo Di Blasi, foi em um chá de bebê, em 2012. Ele reparou que os convidados comiam a pizza, mas deixavam as bordas no prato.
A cena chamou sua atenção para uma característica que poderia virar negócio: uma pizza de massa super fina e leve, quase sem bordas.
Na época, Di Blasi tinha 30 anos e trabalhava no mercado de tecnologia da informação. Já havia passado por diferentes empregos desde os 15 anos, quando começou como entregador de farmácia no Rio de Janeiro, até construir uma carreira de 12 anos em TI e chegar a um cargo em um banco de investimentos.
A ideia da pizza veio também de uma inspiração próxima. Seu chefe complementava a renda vendendo pizzas artesanais.
Di Blasi então propôs criar um buffet de pizzas finas e leves para eventos. O negócio começou como uma atividade paralela, apenas aos fins de semana, para gerar renda extra.
A demanda cresceu e ele decidiu abandonar a carreira em tecnologia para se dedicar à empresa. O sócio, porém, preferiu continuar no emprego formal e deixou a sociedade. Di Blasi seguiu sozinho e, nos primeiros anos, chegou a fazer até 40 eventos por mês.
Di Blasi investiu forte na pizza por delivery
A virada para o modelo atual veio em 2017. A Di Blasi Pizzas foi convidada para participar do Rock in Rio, e a experiência serviu para mostrar ao empreendedor que o produto poderia chegar a mais gente. O próximo passo seria levar aquela pizza fina para o delivery.
Entre 2018 e 2019, a empresa precisou adaptar receitas, testar embalagens, treinar equipes e reorganizar toda a operação para que a pizza chegasse ao consumidor em boas condições. Também foi necessário aumentar um pouco o tamanho das bordas para reduzir o risco de o recheio escorrer durante o transporte.
Por isso, o cliente pode escolher entre dois formatos: a borda fina e crocante, mais discreta e suficiente para conter o recheio, ou a borda aerada, mais alta e macia, para quem prefere uma estrutura mais tradicional.
A fase de adaptação custou caro. Para manter o negócio funcionando e pagar os funcionários, Di Blasi vendeu carro, moto e até o videogame.
Em meio à crise enfrentada por bares e restaurantes durante a pandemia do coronavírus, a Di Blasi enxergou uma oportunidade para levar o negócio adiante por meio das franquias.
A primeira unidade franqueada foi aberta em 2021, no Recreio, no Rio de Janeiro. Outra veio na sequência, na Freguesia.
Pizza de queijo brie com geleia de pimenta da Di Blasi Pizzas
A pizza muda conforme o endereço
Hoje, a Di Blasi Pizzas tem 50 unidades nas cinco regiões do país, sendo 46 em operação e quatro em implantação.
O faturamento foi de R$ 60 milhões e a meta é chegar a R$ 120 milhões em 2026, com 100 lojas funcionando.
Para crescer, a rede não tenta vender exatamente a mesma pizza em todos os lugares. A aposta é adaptar parte do cardápio aos hábitos e gostos de cada região.
No Sul, por exemplo, a pizza de coração de galinha é o carro-chefe. No Nordeste, a aposta é a Sertaneja, com carne seca e queijo coalho. Em Manaus, a carne de sol domina os pedidos.
A estratégia tenta conciliar a identidade criada no Rio de Janeiro com as preferências de consumidores de outras partes do país. A operação também foi pensada para ser mais enxuta, com foco em delivery e lojas de rua.
O faturamento médio mensal informado pela empresa é de R$ 190 mil por unidade, e o retorno do investimento é estimado em até 24 meses.
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