Bancos defendem que Brasil faça lição de casa para enfrentar mundo mais complexo

Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 24 Ago (Reuters) – A poucos meses das eleições no Brasil, presidentes de vários dos principais bancos do país defenderam nesta segunda-feira o equilíbrio das contas públicas e uma agenda para melhorar a produtividade, ressaltando um ambiente externo mais complexo.
‘O que nós queremos ver efetivamente é equilíbrio fiscal, é um equilíbrio dessa dívida para que ela não suba nessa proporção em relação ao PIB’, ressaltou o presidente-executivo do Bradesco (BBDC3), Marcelo Noronha, em painel durante evento de tecnologia no setor financeiro organizado pela federação de bancos, Febraban, em São Paulo. ‘É preciso haver vontade política para fazer isso’, acrescentou o executivo.
A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou junho em 81,9%, contra 81,0% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 68,5%, de 67,9%. O Tesouro Nacional projeta que o indicador seguirá em alta até 2029.
Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo, em janeiro de 2023, a dívida bruta do Brasil, considerada o principal indicador da solvência do país, aumentou 10,2 pontos percentuais do PIB.
O presidente-executivo do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, afirmou que é preciso olhar a questão do endividamento público. ‘A trajetória da dívida nesse ritmo é insustentável’, afirmou, reforçando que o país deve parar de falar de superávit primário e déficit primário e falar de déficit nominal.
‘Com uma dívida de R$10 trilhões com juros a 14%, essa conta no longo prazo é muito complexa, não tem nenhuma economia que resista a um juro real no nível que estamos vivendo’, afirmou. Maluhy Filho lembrou que os juros no nível atual prejudicam o principal negócio dos bancos, a concessão de crédito, uma vez que em cenários restritivos com o atual a inadimplência cresce e o setor é forçado a emprestar menos.
O déficit nominal do Brasil subiu para quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses até junho, de acordo com dados divulgados no final de julho pelo Banco Central, atingindo o nível mais alto desde 2021 sob o impacto da conta de juros.
O rombo aumentou para R$1,318 trilhão, o equivalente a 9,99% do PIB, ante 9,61% até maio e 7,27% um ano antes. Na próxima semana, uma atualização dos números vai ser divulgada pelo Banco Central.
O presidente-executivo do Santander Brasil (SANB11), Gilson Finkelsztain, reforçou o discurso afirmando que o Brasil precisa se ajustar rápido porque o cenário global vai ser mais difícil, em meio a uma ‘competição por capital’ em que outras economias também estão elevando os juros. ‘Toda esta agenda local precisa ter o dobro de esforço para botar ordem na casa porque o mundo está mais complexo’, afirmou.
O presidente-executivo do BTG Pactual (BPAC11), Roberto Sallouti, chamou atenção para questões como custo de capital, governança fiscal e produtividade. ‘Nós não podemos contar com o crescimento populacional para aumentar o nosso próprio potencial. Nós temos que ganhar produtividade. Educação, uso de tecnologia, infraestrutura e assim por diante’, afirmou, destacando a inteligência artificial.
‘Nós estamos vivendo uma revolução tecnológica, que primeiro está levando um capex (investimento) enorme que está pressionando os mercados, e depois vai gerar ganhos de produtividade inimagináveis’, disse Sallouti.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)




























