Galípolo alerta para aumento do endividamento com estímulo ao crédito e ao consumo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou para o aumento do endividamento das famílias e para riscos de mais estímulo ao crédito e ao consumo, enquanto o governo implementa bilhões de dólares em medidas de estímulo. "Não dá para ficar contente com a notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu", disse Galípolo em um evento em São Paulo nesta segunda-feira (24). “O crédito que uma instituição financeira dá é a dívida que alguém tomou.”O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou medidas para ampliar o acesso a financiamento mais barato, impulsionando o consumo enquanto ele busca um quarto mandato nas eleições de outubro. De forma mais ampla, o governo brasileiro tenta sustentar o crescimento enquanto a autoridade monetária trabalha para levar a inflação à meta de 3%.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Os comentários de Galípolo refletem uma preocupação que o Banco Central tem manifestado repetidamente: a de que estímulos à demanda agregada possam manter a atividade econômica acima de seu potencial e reduzir a eficácia de uma política monetária restritiva.Galípolo disse que o aumento do endividamento das famílias é, até certo ponto, uma consequência natural da maior oferta de financiamento.“Se você promoveu de alguma maneira a elevação do crédito, é normal esperar que o endividamento também cresça”, afirmou.Leia também: Inadimplência sobe no sistema financeiro, mas não atinge carteiras do Itaú, diz CEONem todo endividamento é necessariamente um problema, disse ele, citando financiamentos que permitem às famílias adquirir imóveis, por exemplo. A preocupação maior é com empréstimos usados para viabilizar o consumo no curto prazo, especialmente quando as pessoas recorrem a linhas de crédito caras ou inadequadas.O presidente do Banco Central destacou os cartões de crédito como uma fonte particular de preocupação. Programas de inclusão financeira e a rápida expansão do uso de cartões levaram dezenas de milhões de brasileiros ao sistema financeiro, mas uma grande parcela desses consumidores hoje carrega saldos no crédito rotativo ou em parcelamentos com juros elevados.As taxas de algumas dessas linhas estão em torno de 15% ao mês, disse Galípolo. Ele já havia destacado empréstimos sem garantia, como o crédito rotativo e os cartões de crédito, como uma das partes mais vulneráveis do balanço financeiro das famílias e relativamente pouco sensível a mudanças na taxa básica Selic.Leia também: Bancos veem melhoria no crédito no Brasil neste ano como improvávelO alerta ocorre mesmo em um momento em que vários aspectos do cenário mais amplo continuam favoráveis aos consumidores. A renda vem aumentando e o desemprego caiu, enquanto o crédito se expandiu em segmentos que incluem financiamento de veículos, crédito pessoal e empréstimos consignados.Em sua última reunião de política monetária, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14%, mas continuou destacando riscos de alta para a inflação. Entre eles, o BC citou estímulos à demanda — particularmente medidas que impulsionam o consumo.Veja mais em bloomberg.com

























