Fundador do PagBank (PAGS34), Luiz Frias dá adeus ao conselho da dona da ‘moderninha’; o que muda para a empresa?

Depois de nove anos à frente do conselho do PagBank (PAGS34), Luiz Frias, fundador da empresa que nasceu com as maquininhas, deu adeus ao cargo. Quem assume a presidência é Maria Judith de Brito, que faz parte do grupo Folha há 36 anos e do braço financeiro desde 2017.
O vice-presidente do conselho, Eduardo Alcaro, continua normalmente em seu cargo, assim como os ourtros diretores: Artur Gaulke Schunck, Alexandre Magnani, Marcia Nogueira de Mello, Maria Carolina Ferreira Lacerda e Cleveland Prates Teixeira.
Nesta segunda-feira (24), a ação listada em Nova York opera em alta de 2,38%.
O histórico de Frias no PagBank
Luiz Frias é filho de um dos nomes mais importantes da imprensa brasileira, Octávio Frias de Oliveira, dono da Folha de S.Paulo. Formado em Economia pela USP, Frias começou a trabalhar na empresa do pai na década de 1980, poucos anos antes de a Folha se tornar o jornal de maior circulação do país, e assumiu a presidência do grupo nos anos 1990.
Com a liderança de Frias, o grupo Folha lançou o UOL em 1996 e, em 2006, surgiu a PagSeguro, com o objetivo de servir de meio de pagamento para transações realizadas na internet, e que acabou chegando ao mundo físico.
Frias foi responsável por um movimento que mudou o mercado brasileiro de meio de pagamentos, com o lançamento da “moderninha”, a primeira maquininha de cartão voltada para autônomos e microempresários do varejo.
A empresa começou a vender as maquininhas em uma época em que os concorrentes apenas alugavam os aparelhos e estavam focados em negócios maiores.
A mudança permitiu que o vendedor de cachorro quente da esquina, por exemplo, aceitasse pagamentos em cartão.
Até então, não existiam outras companhias que ofereciam maquininhas de cartão de forma acessível, o que fez a PagSeguro crescer de forma acelerada e abrir o capital em Nova York em 2018.
No ano seguinte, o grupo também lançou o PagBank para oferecer outros serviços de um banco digital, como cartão, crédito, investimentos e outros serviços bancários. Em 2023, houve uma fusão das marcas e a PagSeguro foi incorporada pela instituição financeira.
Em comunicado publicado na última sexta-feira (21), o PagBank agradeceu Frias por "sua visão, liderança e contribuições para o crescimento da PagSeguro ao longo dos últimos nove anos como membro e presidente do conselho".
Cabe destacar que, desde o IPO, a ação PAGS acumula queda de 69,82%. A empresa também tem BDRs (Recibo de Depósito Bancário) negociados na B3 desde 2021, sob o ticker PAGS34. Do lançamento até agora, os ativos desvalorizaram 85%.
O que muda agora para a companhia
O Citi, que tem recomendação de compra para a ação do PagBank, defendeu que, apesar da relevância simbólica, o movimento não tem impactos significativos para a estratégia ou para os fundamentos da companhia.
Segundo os analistas, a mudança de cadeiras é “marginalmente positiva” do ponto de vista da governança corporativa, mas não deve alterar os resultados do banco digital.
O PagBank destaca que Frias continuará como acionista controlador indireto da companhia por meio do UOL, e o executivo deve manter cerca de 88,7% do poder de voto.
“A saída do conselho não representa uma mudança de controle. Vemos o movimento principalmente como uma evolução da estrutura de governança da companhia, e não como uma alteração de estratégia”, afirmaram os analistas.
O Citi também ressalta que Judith de Brito possui longa trajetória dentro do grupo, atuando como vice-presidente do conselho do UOL, superintendente do grupo Folha e membro do conselho do PagBank há quase uma década, o que reforça a percepção de continuidade.
Para os analistas do Citi, fatores como crescimento da carteira de crédito, rentabilidade, eficiência operacional, margem financeira e qualidade dos ativos continuam sendo os principais direcionadores da tese de investimento.
O banco tem preço-alvo de US$ 13 para o papel PAGS. Em relação ao fechamento da última sexta, há espaço para valorização de até 51%.
O 2T26 do PagBank
No início de agosto, o PagBank reportou lucro líquido recorrente de R$ 576 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 1,9% na comparação anual e acima da expectativa média de R$ 528,5 milhões apurada pela LSEG.
A receita líquida avançou 1,7%, para R$ 3,38 bilhões, enquanto a carteira de crédito cresceu 31%, alcançando R$ 5,1 bilhões.
*Com informações do Money Times
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