O que alívio nos Treasuries pode representar para tese para mercado de ações?
A estabilização das altas dos rendimentos dos títulos globais, a partir da intervenção do Tesouro dos EUA nessa semana, pareceu durar apenas na quarta-feira (19), dia do anúncio das medidas por Scott Bessent, Secretário do Tesouro. Já nesta quinta, os títulos voltaram a subir. Mesmo nos momentos de arrefecimento, os índices não pareceram demonstrar sinais de que recuariam.
Segundo dados do USB, o Nasdaq 100 e o índice Philadelphia Semiconductor já acumulam quedas de 2% e 5,5%, respectivamente, enquanto o STOXX 600 europeu recua 1%.
Na Ásia, o Kospi, índice da Coreia do Sul que é fortemente concentrado em empresas de tecnologia, caiu 2,3% na semana, com as perdas diminuindo após uma recuperação parcial no início da quarta-feira. Somando-se a esse cenário, o petróleo Brent voltou a ser negociado próximo de US$ 92,20 por barril em meio às persistentes tensões no Oriente Médio.
Os ativos de risco, segundo a casa, seguem apertados pelos rendimentos mais altos dos títulos, por preços mais elevados do petróleo e pela fraqueza observada nas ações de tecnologia e ligadas à inteligência artificial.
“As preocupações com a monetização da IA, o debate contínuo sobre as estruturas de financiamento do setor e os questionamentos sobre a sustentabilidade dos gastos com investimentos aumentaram a incerteza em torno de um dos temas mais importantes para os mercados”, afirma o relatório.
Fundamentos se mantém para ações
Mesmo assim, a tese do UBS favorável às ações se mantém e as ações seguem atrativas. A casa considera que os fundamentos de IA seguem intactos. As liquidações recentes seriam motivadas muito mais por realização de lucros e reversão de posições impulsionadas pelo momentum. Não representaria, para o UBS, demonstração de deterioração ampla de fundamentos.
“Empresas relacionadas à inteligência artificial continuam reportando tendências robustas de demanda, com as principais hyperscalers registrando crescimento médio de 48% nas receitas de computação em nuvem no segundo trimestre, acima dos 40% observados no 1º tri”, dizem os analistas.
Além disso, o UBS destaca que o crescimento dos lucros continuaria sendo a principal âncora do mercado. O avanço nos resultados de empresas do S&P 500 foi de cerca de 35% na comparação anual no segundo trimestre. Quatro em cada cinco companhias superaram as expectativas. Por isso, o UBS defende que a força dos lucros não está mais concentrada em um grupo de empresas de tecnologia, mas sim pulverizada entre setores como indústria, financeiro e consumo discricionário.
Até mesmo o cenário para a inflação não é visto como risco, uma vez que o choque inflacionário ainda não aparece nos dados. Ao contrário do que os movimentos recentes do mercado sugerem, o quadro mais amplo da inflação estaria mais equilibrado que o esperado.
A BlackRock não partilha da mesma visão sobre os riscos inflacionários. A curva de juros mais inclinada demonstra, para a gestora, que os riscos inflacionários de longo prazo continuam presentes. A expectativa ainda é pelos dados de inflação, que mostrarão se a desaceleração das contratações e dos salários também já é refletida nos preços.
Não há oposição, para a casa, entre os rendimentos dos títulos públicos subirem e as projeções de lucro corporativos também. “Pelo contrário, ambos refletem mudanças estruturais que estão remodelando os mercados financeiros”, afirma.
A visão da gestora é que o forte crescimento dos lucros corporativos é sustentável, considerando as premissas da BlackRock para o mercado de capitais. A projeção é de crescimento de 11,6% ao ano nos próximos cinco anos.
“Esse cenário não é garantido e depende da hipótese de que a adoção da inteligência artificial aumente a produtividade e as margens de lucro das empresas. Ainda assim, o fato de esse resultado ser plausível reforça nossa visão de que não é possível aplicar a tradicional lógica dos ciclos econômicos à construção de portfólios de longo prazo no ambiente atual”, diz a BlackRock.
A gestora confirmou preferência em exposição ao crescimento econômico através de ações e de investimentos privados em infraestrutura, em detrimento de crédito de alto rendimento.
Os spreads mais apertados levaram à nova recomendação estratégica de posição abaixo da média nesse segmento neste trimestre, segundo a gestora, além de reforçar nossa visão de que as ações estão melhor posicionadas caso a força dos lucros corporativos persista.
“Favorecemos exposições direcionadas a setores como tecnologia e saúde, onde mudanças estruturais continuam sustentando o crescimento dos resultados corporativos. Também identificamos oportunidades em infraestrutura, especialmente em investimentos ligados à geração de energia, redes elétricas e centros de dados”, afirma o comentário.























































