Ambev (ABEV3) cai após balanço por dúvida sobre resultados em 2023
Mesmo tendo registrado um forte crescimento no lucro do quarto trimestre de 2022, as ações da Ambev (ABEV3) estão entre os destaques de queda do Ibovespa nesta quinta-feira (2).
Além de o lucro da empresa ter sido impulsionado essencialmente por um benefício fiscal, especialistas apontaram que o resultado operacional também ficou bem próximo das projeções conservadoras do mercado, e que só um aumento mais claro nas margens de lucro justificaria o avanço no preço das ações.
O Itaú BBA disse que em 2023 a empresa pode ganhar espaço para aumentar os preços de venda a uma velocidade maior que a observada na inflação de insumos usados para a fabricação de bebidas - o que, em tese, significaria recuperação das margens da Ambev.
O problema é que as condições para o consumo no Brasil estão desfavoráveis, e isso dificulta prever com certeza que isso acontecerá em conjunto com um crescimento no volume de vendas.
O BTG Pactual faz avaliação semelhante.
"O crescimento da receita, como era de se esperar, deve ser puxado mais pelos preços do que pelos volumes", disse o banco em um relatório, acrescentando que a alta menos intensa no preço dos insumos neste ano também era algo previsto e dá pouca margem para melhorar as previsões a respeito dos resultados futuros da Ambev.
A incerteza sobre a melhora nos resultados soma-se ao fato de boa parte do mercado achar que a ação da Ambev está operando a níveis justos. "Vemos o momento positivo já precificado", disse o Bank of America em um relatório.
Segundo o consenso TradeMap, dentre nove analistas, cinco recomendam a compra da ação da companhia e quatro são neutros (não recomendam nem compra, nem venda).
Todos os bancos citados na reportagem atribuem recomendação neutra para o papel.
Por volta das 12h45, as ações da Ambev recuavam 2,30%, a R$ 13,16, com potencial de valorização de 37% em relação à mediana das estimativas de preço-alvo do papel colhidas pelo TradeMap, de R$ 18,00.