Dinheiro esquecido: 1.318 pessoas tem mais de R$ 100 mil a receber de bancos
Ter mais de R$ 100 mil a receber de um banco de forma inesperada parece um sonho (distante) para a grande maioria, mas é a realidade de 1.318 pessoas. Esse seleto grupo tem uma quantia acima desse montante disponível no Sistema de Valores a Receber (SVR), segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta segunda-feira.
Juntas, essas pessoas tem ao todo R$ 279,8 milhões a receber, o que dá uma média de R$ 212,3 mil por pessoa. De acordo com o balanço do BC, há ainda 364,8 mil pessoas com valores a receber que variam entre R$ 1 mil e R$ 10 mil e 36 mil pessoas que esqueceram entre R$ 10 mil e R$ 100 mil em contas bancárias.
Entretanto, a maior parte dos consumidores (13,8 milhões de pessoas, ou 42,7% do total) encara uma realidade bem mais dura: têm menos de R$ 1 a receber.
As consultas aos valores a receber e o agendamento desse recebimento tiveram início na semana passada. Tudo pode ser consultado no site valoresareceber.bcb.gov.br, criado pelo BC.
Essa consulta está sendo organizada da seguinte forma:
- Entre os dias 7 e 11 de março, foram disponibilizados os dados de empresas ou pessoas nascidas antes de 1968, com repescagem no dia 12 de março;
- Dos dias 14 a 18 de março, empresas ou pessoas nascidas entre 1968 e 1983, com repescagem no dia 19 de março;
- Entre 21 a 25 de março, empresas ou pessoas nascidas após 1983, com repescagem no dia 26 de março.
Saiba mais:
Os dados divulgados hoje pelo BC são referentes à primeira etapa de valores a receber, que soma R$ 3,9 bilhões. Desse total, R$ 3,2 bilhões são de dinheiro esquecido nas contas de pessoas físicas.
São 8,7 milhões de pessoas que têm entre R$ 1,01 e R$ 10. De 10,1 a R$ 100, são 6,66 milhões. Quanto maior a faixa de valor a receber, menor a quantidade de contemplados. De 100,01 a R$ 1 mil, são 2,75 milhões.
Já outros R$ 620 milhões estão disponíveis para 2 milhões de pessoas jurídicas (empresas).
Segunda fase
Em maio, o BC ampliará a base de dados e incluirá no SVR novos tipos de saldos residuais nas contas antigas de clientes das instituições financeiras. Mesmo os cidadãos que já foram contemplados com valores a receber podem fazer uma nova consulta a partir de então.
Serão mais R$ 4 bilhões que irão entrar nessa segunda fase.
Esse total a receber tem diferentes motivos. Esse montante inclui, por exemplo, algum pequeno saldo que ficou em uma conta corrente encerrada ou dinheiro de grupos de consórcios que foram encerrados com saldo.
Na primeira fase, que é essa que as pessoas estão fazendo o agendamento, os recursos são provenientes de contas correntes ou poupança encerradas com saldo disponível; tarifas relativas a operações de crédito cobradas indevidamente; cotas de capital e rateio de sobras líquidas de participantes de cooperativas de crédito; e recursos não resgatados de grupos de consórcio encerrados. É essa parcela que está sendo consultada na primeira fase do SRV.
Em maio, entram os R$ 4,1 bilhões relativos a tarifas e parcelas de operações de crédito cobradas indevidamente; contas de pagamento encerradas com saldo disponível; contas de registro mantidas por corretoras encerradas com saldo; e outros valores a devolver reconhecidos pelas instituições.