Juntando o bom e o agradável, a YDUQS (YDUQ3) deu mais uma passo na tentativa de rentabilizar melhor sua operação. Olhando para o futuro, a empresa anunciou a compra de 51% da Hardwork.
Trata-se de uma edtech , startup de educação pautada em tecnologia, de preparação de alunos para provas de residência médica, com foco em R1 e Revalida. A YDUQS viu na empresa uma forma de apostar no digital e em medicina ao mesmo tempo.
Nos últimos 12 meses, a Hardwork teve R$ 23 milhões de receita, resultado de sete mil alunos pagantes e venda de 12 mil cursos, com resultado ascendente, segundo a YDUQS.
Para isso, a empresa pagará cerca de 2,26 vezes a receita auferida pela edtech . O pagamento total da YDUQS será de R$ 52 milhões, sendo que R$ 32 milhões irão para os fundadores e R$ 20 milhões serão injetados na operação da empresa.
A conclusão da operação, que já foi realizada, prevê que a YDUQS terá a maior parte do capital votante, mas os 49% restantes ficarão com os fundadores – responsáveis pela continuidade do negócio.
A gigante do segmento de saúde entende que a Hardwork deverá caminhar com as próprias pernas. Afinal, em time que está ganhando não se mexe.
A métrica de avaliação dos consumidores, conhecida como NPS, da Hardwork está acima de 80%, um forte número para o setor de educação, que sofre com taxas de renovação instáveis nos últimos anos.
Em linhas gerais, R1 e Revalida fazem parte do processo de revalidação de diplomas de medicina emitidos por universidades estrangeiras. É cada vez mais comum alunos brasileiros aspirantes a medicina recorrerem a cursos na Argentina e Bolívia, por exemplo.
Na visão da YDUQS, o modelo de negócio da edtech prevê um crescimento orgânico promissor dadas as avenidas de crescimento e demonstra o foco da YDUQS na área de saúde e especialização médica.
O negócio, que vem a baixo custo para a empresa e pode criar uma nova linha de receita voltada à medicina (curso premium ), porém, não chegou ao mercado em boa hora.
As ações de empresas do setor de educação caem em bloco na tarde desta sexta-feira (11). Por volta das 14h25, as ações da YDUQS caíam 2,85%, para R$ 18,41.
No acumulado do ano, as ações têm queda de 9%, com a incerteza majoritária dos investidores sobre a sustentação do segmento de educação, que conta cada vez menos com o FIES e registra perdas no ensino presencial no pós-pandemia.
YDUQS busca caminhos para a rentabilidade
A compra da HardWork é mais uma tentativa da YDUQS de afastar as preocupações ligadas ao modelo de negócio e à intensa necessidade de investimento em tecnologia.
No terceiro trimestre do ano passado , a empresa reportou crescimento de 65,1% da base de alunos total, chegando a 1,26 milhão, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A base do ensino presencial caiu 12,5% na mesma comparação, para 277,4 mil alunos. No ensino a distância (EAD), o crescimento foi de 112,9%, para 970,9 mil alunos.
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A mina de ouro para a empresa, contudo, está nos cursos premium . O número de alunos em medicina subiu de 5,6 mil para 7,1 mil, enquanto os ligados à IBMEC caíram 3%, para 6,1 mil.
O ticket médio praticado pela empresa cresceu 10% no presencial e caiu 1% no digital, na comparação com o mesmo período em 2020. O premium consolidado, por outro lado, cresceu 12%, sendo de R$ 8,42 mil em medicina e de R$ 2,69 mil da graduação IBMEC.
Essas frentes de negócio são importantes para a YDUQS conseguir manter margens saudáveis, mesmo que com menor volume de alunos.
Margem líquida da YDUQS mostra recuperação
Fonte: TradeMap
Os alunos de medicina têm maior LTV (life time value , ou valor de tempo de vida), por pagarem mais, por mais tempo.
Segundo um estudo da Ondina Investimentos, recifense especializada em fusões e aquisições e dívida estruturada, um aluno deste curso vale, em média, R$ 1,4 milhão.
A YDUQS luta contra seu próprio processo de mudança de rumos, que até poucos anos atrás era pautado no ensino presencial.
Entre janeiro e setembro do ano passado, a empresa teve um lucro líquido de R$ 163,8 milhões, queda de 11,8% sobre os R$ 185,7 milhões reportados 12 meses antes.
A receita oriunda do FIES caiu 27,6% na mesma base comparativa, de R$ 255,6 milhões para R$ 185,1 milhões.
A maior parte do mercado, porém, confia no processo de recuperação prometido pela empresa. Dados compilados pela Refinitiv mostram que, dos 14 analistas que acompanham a empresa, 10 recomendam compra e quatro a manutenção das ações.
Nenhum dos especialistas entende que vender os papéis da YDUQS em baixa, neste momento, é um bom negócio. Pelo contrário, o preço-alvo mediano apresentado na plataforma do TradeMap aponta para R$ 31, upside de 68%.
Fonte: TradeMap