As ações do Banco do Brasil (BBAS3) integram as maiores altas do dia no Ibovespa, após a divulgação do melhor resultado da história do banco . O lucro líquido da instituição atingiu R$ 21 bilhões no acumulado de 2021, crescimento de 51,4% em relação ao mesmo período de 2020.
A carteira de crédito do Banco do Brasil subiu 17,8% em 12 meses, para R$ 874,9 bilhões, com a força do agronegócio, o maior aliado da instituição neste sentido.
Na teleconferência de resultados, realizada na manhã desta terça-feira (15), o presidente do BB, Fausto Ribeiro, destacou que o avanço em quase todas as linhas de crédito não prejudicou a qualidade do banco.
O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,75%, em consistente queda desde o primeiro trimestre de 2021. Este é o menor patamar da indústria, que enfrenta uma inadimplência média de aproximadamente 2,3%.
A margem de segurança da instituição é ampliada ainda mais com o índice de cobertura na ordem de 325%, 77,2 pontos percentuais acima da média do setor.
Enquanto o Bradesco enxerga espaço para diminuir a cobertura , por exemplo, o Banco do Brasil tem conseguido crescer sua carteira com folga para o cenário econômico desafiador à frente.
Margem financeira bate meta e deve ter 2022 de crescimento
O Banco do Brasil divulgou que a margem financeira bruta, diferença entre o custo de captação de recursos e a receita auferida, cresceu 4,9% no acumulado de 2021 ante o resultado de 2020, atingindo R$ 59,3 bilhões.
A despesa financeira de captação foi parcialmente compensada pelo ótimo resultado de tesouraria, que avançou 31% na relação ano contra ano.
Os executivos do BB esperam que a margem bruta continue em expansão, resultado do contínuo desempenho em tesouraria e das operações de crédito, além de um funding mais previsível, uma vez que o ciclo de alta da taxa de juros está mais perto do fim.
A projeção do banco era aumentar a margem financeira bruta entre 4% e 6% em 2021. O realizado ficou próximo do centro da faixa estimada no início do ano passado.
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Para 2022, o banco espera que essa mesma linha cresça entre 11% e 15%. Se o resultado ficar novamente no centro da faixa indicada, a margem financeira bruta atingirá o sólido patamar de R$ 67 bilhões.
Indagado pelos participantes da teleconferência por conta da agressividade na projeção, o CFO do BB, José Forni, disse que é possível elevar a margem financeira
A projeção da instituição é positiva e factível, uma vez que a reprecificação dos produtos é um processo dinâmico e que ainda não foi finalizado.
É esperado que ao longo dos próximos trimestres, quando a Selic estiver em trajetória estável, o Banco do Brasil consiga praticar margens mais favoráveis.
Segundo o banco, o mix de crédito impulsionará as operações, com prioridade a algumas linhas de maior margem. Um exemplo é o cartão de crédito, sobretudo com juros rotativos.
“Em termos de economia, o ano deve ser bastante desafiador, mas nossa carteira está bem defendida”, afirmou.
Por motivos distintos, serviços e despesas surpreendem
A receita com prestação de serviços, que nas projeções do banco para 2021 poderia cair até 1,5% ou crescer até 1,5%, acabou aumentando 2,2%, para R$ 29,3 bilhões.
É um resultado sólido dada a estimativa de possível redução, com a concorrência setorial cada vez mais forte. A queda com a receita oriunda de conta corrente foi mais do que compensada por seguridade, consórcio, cartões e administração de recursos.
A notícia é positiva para os acionistas do banco, uma vez que a receita com prestação de serviços confere uma alta rentabilidade sobre o capital próprio e investido, tão ameaçada pelas fintechs nos últimos anos.
O ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) do BB terminou o ano em 15,8%, 3,8 pontos percentuais acima do reportado em 2020.
Ainda há um longo caminho a percorrer até a volta ao topo da rentabilidade de meados da década passada, mas o banco demonstra capacidade de reação.
Histórico do ROE do Banco do Brasil
Fonte: TradeMap
O ponto de discordância entre os investidores, e que possivelmente pode ser a linha mais questionável do balanço da instituição, diz respeito às despesas com pessoal e administrativas.
Na comparação trimestral, ela cresceu 7,6%, de R$ 7,9 bilhões no terceiro trimestre para R$ 8,5 bilhões no quarto trimestre de 2021.
Trata-se de um avanço considerável, mas há de ser levada em consideração a sazonalidade das despesas, principalmente sobre o reajuste salarial atribuído a toda a indústria pelos meios sindicais.
As ações do Banco do Brasil estão baratas?
O Banco do Brasil tem caprichado em suas operações de crédito, com a previsão de forte crescimento da concessão de recursos ao longo de 2022.
Se a carteira de crédito cresceu 17,8% no ano passado, com o cenário econômico mais favorável, o guidance para este ano aponta para um avanço entre 8% e 12% que deve ser facilmente atingido.
Com amplo investimento em tecnologia para análise do crédito e a reprecificação dos produtos ainda em curso, a instituição espera conseguir crescer sua operação e, consequentemente, remunerar os acionistas satisfatoriamente.
A proposta do banco ao conselho de administração é manter o payout (parcela do lucro a ser paga através de proventos) em torno de 40%.
No acumulado dos 12 meses até o fim de setembro de 2021, o dividend yield do BB estava na casa dos 6%, nível de remuneração adequado dado o risco limitado do banco. O Banco do Brasil controla mais da metade dos negócios de crédito do agronegócio e tem 20% do market share em consignado.
Vale ressaltar que o banco, por ora, não pensa em reverter provisões, o que poderia conferir mais resultado a ser distribuído. Caso venha a acontecer, com caminho pavimentado pela ótima cobertura do banco, os próximos trimestres podem ter pagamentos extraordinários.
Todavia, o Banco do Brasil vive a realidade de ser uma empresa estatal em um ano de eleição , o que incrementa as dúvidas relacionadas ao futuro.
O Banco do Brasil negocia a 5,83 vezes os lucros dos últimos 12 meses, metade de sua média dos últimos 36 meses, um preço altamente atrativo.
De acordo com dados compilados pelo Refinitiv , apresentados na plataforma do TradeMap , 16 analistas acompanham a companhia. Desses, 12 indicam a compra das ações e quatro a manutenção dos papéis.
O preço-alvo mediano para o Banco do Brasil é de R$ 44, o que implica potencial de valorização de 24%.