Mutirão “limpa nome” de dívidas bancárias tem início em 1º de novembro
Em tempos de desemprego elevado, inflação alta e endividamento em patamares recordes, o Banco Central e as instituições financeiras se uniram para realizar um mutirão “limpa nome” que tem início no próximo dia 1º. A campanha irá durar todo o mês e é destinada apenas a débitos bancários.
As entidades que organizam o mutirão – Banco Central (BC), Federação Brasileira dos bancos (Febraban) e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) – querem que os consumidores passem por uma fase prévia de orientação financeira antes de entrarem na fase de negociação das dívidas. Não fazem parte dessa campanha as dívidas com garantia, como financiamento imobiliário e de automóvel. A fase de orientação será feita pelo site mutirao.febraban.org.br
O site oferece uma série de funcionalidades. Uma delas é o acesso ao Registrado, do Banco Central, que reúne todos os dados sobre operações de crédito firmados com instituições financeiras.
Simulador de orçamento
Também será possível fazer uma simulação do orçamento doméstico. Em uma sessão chamada de “meu orçamento”, o consumidor será orientado a detalhar o valor de sua renda, o gasto com moradia (aluguel, condomínio, contas de luz e gás), alimentação, cartão e outros gastos. O que sobrar, é o valor que ele terá disponível para tentar um acordo com as instituições financeiras.
Já a negociação de fato será feita pelo consumidor.gov.br, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). O consumidor terá que fazer um registro, escolher com qual banco quer negociar e enviar uma proposta. São 160 instituições financeiras participantes e, ao receber a proposta, elas têm dez dias para analisar o pedido e dar uma resposta.
“Esperamos que a iniciativa gere acordos mais efetivos para o cidadão, reduzindo o risco de reincidência do problema”, disse, em nota, Maurício Moura, diretor de Relacionamento do BC.
Dados do Banco Central mostram que o nível de endividamento em julho (dado mais recente) chegou a 59,2%, ou seja, é o quanto da renda acumulada em 12 meses por uma família está comprometida com dívidas.
Esse comportamento é explicação pela fragilidade do mercado de trabalho e pressão inflacionária, fatores que contribuem para a restrição e renda e desorganização financeira. A taxa de desemprego ainda em patamares elevados – 13,2% em agosto, atingindo 13,7 milhões de trabalhadores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a inflação acumulada em 12 meses até setembro está em 10,25%.