Navegue:
Veja o que esperar dos balanços do 2º trimestre – e em que o mercado vai prestar mais atenção

Veja o que esperar dos balanços do 2º trimestre – e em que o mercado vai prestar mais atenção

Veja quais setores e empresas devem se destacar - positiva e negativamente

Foto de homem apontando para gráficos impressos em papel, com ilustrações de gráficos por cima

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Por:

Enquanto a inflação não dá trégua, o que vai diferenciar as empresas brasileiras na próxima temporada de balanços, que começa na quarta-feira com a divulgação dos resultados da Weg (WEGE3), será a capacidade de repassar aos consumidores o aumento de custos.

“O segredo que irá definir os resultados é a capacidade de repassar custos, que estão altos para quase todos os setores. Quem tem poder de reprecificação deve entregar resultados um pouco mais decentes, enquanto quem não repassa 100% dos aumentos deve ter perda de margem e, assim, resultados piores”, explica Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora.

Considerando este contexto, a análise de Peretti é que esta temporada deverá ser mista, na medida em que alguns setores devem seguir entregando bons resultados, enquanto outros podem apresentar desaceleração.

“Será uma continuidade do que vimos no primeiro trimestre, com alguns setores com receitas e margens menores devido ao impacto da inflação no consumo e, principalmente, ao aumento de custos”, completa Carlos Daltozo, chefe de renda variável da Eleven.

Os destaques positivos, na visão de Peretti, devem ser os setores de shopping centers, com a maior parte das empresas já tendo reportado números operacionais fortes; supermercados, que conseguem repassar quase a totalidade da inflação; e adquirência que, com preços mais altos, colhem mais tarifas de transação.

Daltozo aponta ainda as construtoras, com muitas reportando resultados melhores do que o esperado nas prévias operacionais. “Esperava-se uma redução de vendas, mas foi muito menor do que estávamos imaginando”, diz.

Do lado negativo, os setores mais impactados em termos de margem e receita devem ser os ligados ao consumo, diz o analista da Eleven, principalmente as voltadas ao público de baixa renda.

Peretti não elenca setores, mas algumas empresas que devem decepcionar. Uma delas é a Movida (MOVI3), cujos resultados devem ser pressionados por despesas financeiras. Outra é a Eztec (EZTC3), seguindo a prévia operacional publicada na sexta-feira (15).

Leia mais:
Eztec (EZTC3): Mercado reage mal a concentração de lançamentos no final do 2º trimestre e ação cai

Já as companhias que vinham bem e devem desacelerar neste trimestre, diz o analista do Santander, são principalmente as siderúrgicas, impactadas pela dificuldade em repassar preços e por uma diminuição nos volumes.

Em uma análise prévia, que ainda deverá ser finalizada pelo banco, a expectativa de Ricardo Peretti é de crescimento anual de 8% no Ebitda para as mais de 140 ações analisadas. O lucro, por sua vez, deve apresentar queda de 1% na mesma base de comparação.

“A mensagem geral é que o segundo trimestre vem com uma qualidade pior que o primeiro, com alguns grandes blocos, como bancos e commodities, começando a mostrar desaceleração na margem. Mas, no absoluto, não será uma temporada tão ruim”, conclui Peretti.

Já na análise de Carlos Daltozo, esta temporada deve ser, no geral, parecida com a do primeiro trimestre. “A inflação continua prejudicando, comprimindo margens”, afirma.

Commodities

Apesar de os preços de commodities como minério de ferro e petróleo terem apresentado desaceleração no fim do trimestre, Daltozo acredita que as empresas destes setores devem capturar os preços médios elevados ao longo do período.

Para os analistas do Bank of America (BofA), por outro lado, segundo relatório distribuído na última sexta-feira (15), a queda nos preços do minério pode prejudicar os lucros das mineradoras, principalmente a Vale (VALE3) e a CSN Mineração (CMIN3). O banco também espera que estas companhias apresentem despesas mais altas, com a maior diluição de custos fixos ofuscada pela alta dos combustíveis.

Já na análise da XP Investimentos, contida em relatório da quarta-feira (13), o maior destaque entre as commodities devem ser as empresas de petróleo e gás, beneficiadas pelos preços altos do Brent ao longo do trimestre.

Dentro do setor de commodities, Peretti recomenda atenção para as ações de siderúrgicas, principalmente Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), que devem ter seus resultados pressionados pela dificuldade em aumentar preços e por uma redução nos volumes de venda.

Daltozo, por outro lado, acredita que as siderúrgicas têm conseguido repassar o aumento de custos para os consumidores finais, e que a pressão de demanda vinda da desaceleração da indústria automotiva e de linha branca pode ser compensada pela construção civil.

Na média, o BofA espera resultados mistos, com parte se beneficiando de aumentos de preço implementados no trimestre, e parte prejudicada pelos preços do minério de ferro.

Também os frigoríficos devem tirar proveito dos preços mais altos da carne, principalmente nos mercados internacionais, diz Daltozo. Os lucros, porém, podem ser impactados pelos resultados com operações financeiras.

As companhias de papel e celulose, por sua vez, devem se beneficiar da alta de preços ao longo do trimestre, o que deve compensar as pressões de custo e a valorização do real, diz o BofA.

Construção civil

As companhias de construção devem reportar resultados melhores do que o previsto, diz Daltozo, citando as prévias operacionais como base.

Já na visão de Peretti, considerando também as prévias operacionais que vêm sendo divulgadas nas últimas semanas, os resultados das incorporadoras devem ser mistos.

Utilizando estes números como base, o analista acredita que a Eztec deve ser um destaque negativo, enquanto a Direcional (DIRR3) pode surpreender positivamente.

Veja também:
Com mais de R$ 1 bi em caixa, construtoras como MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) podem se diferenciar?

Educação

A expectativa da XP para o setor é de crescimento nas receitas em relação ao segundo trimestre de 2021, devido a números melhores de captação de alunos registrados no trimestre passado.

Por outro lado, a corretora espera que os tíquetes médios continuem pressionados, limitando o crescimento de receita e de margens de todas as companhias do setor.

Financeiras

O ponto brilhante das empresas financeiras devem ser as companhias de adquirência, representadas na Bolsa brasileira pela Cielo (CIEL3), na visão de Peretti, do Santander.

“A Cielo captura a inflação na veia, porque ganha um percentual sobre tudo que é passado nas maquininhas de cartão”, diz o estrategista. “Então ela não precisa fazer um grande esforço, porque, no momento em que a inflação é repassada para os produtos, ela também tem uma receita melhor”, completa.

Os grandes bancos, por sua vez, devem desacelerar em relação ao trimestre anterior e mostrar números “satisfatórios”, na análise de Peretti. De um lado, o analista acredita que Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11) devem apresentar resultados melhores, enquanto os números do Bradesco (BBDC4) devem ser pressionados pelo desempenho de tesouraria e pela inadimplência.

Já para Daltozo, o aumento da inadimplência deve ser generalizado no trimestre, e os olhos estarão voltados principalmente para a evolução da inadimplência em cartões.

A Ativa Investimentos, por sua vez, espera mais um trimestre positivo para os bancões, impulsionado por um crescimento na margem financeira bruta. O custo de crédito, por sua vez, deve apresentar piora, na visão dos analistas, assim como a inadimplência, que deve seguir em alta. “Sendo assim, esse trimestre será importante para vermos a aceleração da inadimplência seus impactos no setor para os próximos anos”, diz a Ativa, em relatório distribuído na última terça-feira (12).

Leia:
Itaú BBA põe fatores na balança e elege a ação preferida do setor financeiro; veja destaques

A B3 (B3SA3), por sua vez, deve se destacar negativamente entre as financeiras, diz Peretti, devido aos volumes de negociação mais fracos na Bolsa. A expectativa do analista é que os volumes do segundo trimestre tenham uma redução de 10% em relação aos três meses anteriores.

Indústria

Os resultados do setor industrial devem ser neutros, diz a XP. “Embora a maioria das empresas esteja conseguindo repassar com sucesso os aumentos de custo para os preços, os gargalos relacionados à cadeia de suprimentos ainda estão impedindo um desempenho normalizado para alguns nomes”, dizem os analistas.

Leia mais:
Montadoras reduzem previsão para vendas e veem mais 6 meses de dificuldade para obter peças

Saúde

A temporada de resultados do setor de saúde deve ser mista, segundo o BTG Pactual, também em relatório de 12 de julho. Se de um lado a melhor sazonalidade e os impactos menos severos da Covid-19 podem ajudar as margens, de outro, as bases de comparação difíceis devem impedir crescimento nos lucros na comparação anual. Além disso, a alta de custos ainda não foi totalmente repassada para os preços.

“Vemos o segundo trimestre como um período de transição e um primeiro passo em direção a resultados de volta à normalidade no setor de saúde, o que só esperamos que ocorra realmente no ano que vem”, dizem os analistas.

Varejo

Para o BTG Pactual, desta vez em relatório do dia 13, a temporada de resultados do segundo trimestre para as empresas de varejo deve ser forte, ainda que, em alguns casos, possa desacelerar em relação aos últimos trimestres. De um lado, o banco espera que as iniciativas para preservar a rentabilidade em meio ao cenário inflacionário possam ajudar. De outro, os maiores custos de captação devem pressionar o setor.

Para Peretti, o destaque positivo dentro do varejo – e do Ibovespa como um todo – deve ser o segmento de shopping centers. “Praticamente todas as companhias, e em especial Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11), já reportaram prévias mostrando crescimento em vendas e aluguéis”, diz o analista.

⇨ Quer conferir quais são as recomendações de analistas para as empresas da Bolsa? Inscreva-se no TradeMap!

Também aqui Peretti aponta que a capacidade de as empresas repassarem a inflação no preço dos aluguéis tem sustentado seus resultados. “Os aluguéis têm crescido perto de 50% em relação a 2019, antes da pandemia, enquanto o IGP-M subiu algo perto de 60%. Ou seja, as principais operadoras têm conseguido repassar quase a totalidade do IGP-M”, afirma.

Outro segmento que deve se destacar dentro do varejo, de acordo com Peretti, é o de supermercados, em especial Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3), devido à capacidade destas companhias de repassar a totalidade da inflação – e às vezes um pouco mais – nos preços finais. Dessa forma, as empresas conseguem manter suas margens estáveis.

Os analistas da Ativa Investimentos são mais pessimistas com o segmento, e enxergam margens brutas, margens Ebitda e lucros prejudicados pela alta de juros e por maiores despesas operacionais.

Finalmente, a XP também vê potencial de bons resultados para as farmácias, que devem se beneficiar da demanda sólida por medicamentos e pelo reajuste de preços dos remédios em abril.

Compartilhe: