Montadoras reduzem previsão para vendas e veem mais 6 meses de dificuldade para obter peças

Anfavea também aponta dificuldades na liberação de crédito para interessados em comprar veículos como fator negativo para as vendas

Foto: Tricky_Shark / Shutterstock.com

Depois de registrarem crescimento na produção ao longo dos últimos meses, as montadoras encerraram o primeiro semestre menos otimistas com as perspectivas para o ano, citando como justificativa a elevação da inflação e dos juros, as restrições ao crédito e as dificuldades para obter peças – algo que só deve deixar de ser um problema no final deste ano.

Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a expectativa é que a produção de veículos no Brasil some 2,34 milhões de unidades em 2022, aumento de 4,1% em relação ao ano passado. A previsão anterior, no entanto, era maior, de 2,46 milhões.

A estimativa para as vendas de veículos também caiu. Passou de 2,30 milhões em janeiro para 2,14 milhões de unidades em junho, o que representa alta de 1,0% em relação ao total observado em 2021.

⇨ Acompanhe as notícias de mais de 30 sites jornalísticos de graça! Inscreva-se no TradeMap!

“Nossas fábricas continuam enfrentando um desafio persistente em relação à produção e abastecimento”, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, durante uma entrevista coletiva. “Temos cinco fábricas paradas no início de julho”, acrescentou.

Ele disse que a situação melhorou um pouco – em particular por causa do relaxamento de restrições à circulação de pessoas no porto de Xangai, na China -, mas que os problemas persistem.

“A expectativa é de em torno de seis meses para voltar à normalidade”, afirmou. Até lá, as montadoras seguem adotando soluções paliativas – como a importação de peças por via aérea – para continuar produzindo.

Crédito para compra de veículos está mais escasso

A Anfavea também ressaltou que está mais difícil para os compradores obter crédito para a compra de veículos. Historicamente, cerca de 60% a 70% das vendas do setor eram feitas a partir de financiamentos, e o restante com pagamentos à vista. Agora, esta situação se inverteu.

“Temos um problema”, disse Leite, acrescentando que em anos anteriores os bancos costumavam aprovar 7 de cada 10 pedidos de financiamento de veículos, mas que agora pouco mais da metade das solicitações recebem sinal verde das instituições financeiras. “Há uma recusa ao crédito.”

Além disso, quando os pedidos de financiamento são aprovados pelos bancos, em geral as condições para a concessão do empréstimo sofrem alterações que acabam impedindo as vendas, segundo o presidente da Anfavea.

“Antes se apresentava a proposta, o banco aprovava. Agora, o crédito é aprovado, mas não é efetivado por causa das condições”, que incluem exigência um pagamento maior na entrada do financiamento e prazos menores para o pagamento do empréstimo, por exemplo.

Resultados de junho e do primeiro semestre

As vendas e a produção das montadoras no Brasil continua abaixo dos níveis observados no ano passado.

Em junho, a produção total de veículos no Brasil somou 203,6 mil unidades, o que representa alta de 21,5% em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre, no entanto, o volume ainda está 5% abaixo do observado em 2021, em 1,092 milhão de unidades.

O licenciamento de veículos, porém, caiu 2,4% em junho, para 178,1 mil unidades, e no primeiro semestre ainda está 14,5% menor que no mesmo período de 2021.

Considerando apenas veículos leves, a produção somou 158,4 mil unidades em junho, alta de 32,6% na comparação anual, e no primeiro semestre atingiu 844,6 mil unidades, queda de 3,6% ante o mesmo período de 2021.

O licenciamento destes veículos subiu 0,3% em junho, para 133,8 mil unidades, e encolheu 15,0% na primeira metade deste ano, para 683,5 mil unidades.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.